Brasil
04/08/2008 - 16h29

Em defesa, Yeda diz que vendeu imóvel a pai de ex-secretário para comprar casa

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GRACILIANO ROCHA
da Agência Folha, em Porto Alegre

Na defesa apresentada ao TCE (Tribunal de Contas do Estado), a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), afirmou que obteve parte do dinheiro necessário para a compra de uma casa por R$ 750 mil com a venda de um apartamento no litoral gaúcho ao pai de um ex-assessor.

A governadora enfrenta uma crise política que já derrubou cinco secretários, depois que a Polícia Federal desmontou um esquema que desviou R$ 44 milhões no Detran gaúcho.

A compra da casa, localizada em um bairro nobre de Porto Alegre, ocorreu em dezembro de 2006 e está sendo questionada por partidos de oposição --PT e PSOL-- que afirmam que a compra do imóvel estaria além da capacidade de pagamento da governadora. A declaração de bens apresentada por Yeda antes da campanha somava R$ 674 mil.

Segundo a certidão do imóvel, Yeda pagou R$ 550 mil no ato da compra e prometeu pagar R$ 200 mil quando o antigo dono do imóvel liquidasse duas ações judiciais de cobrança.

De acordo com a defesa, a entrada foi paga após Yeda vender, por R$ 592 mil, dois apartamentos e um carro.

Entre os documentos entregues ao TCE pela defesa de Yeda está um contrato de venda do apartamento no município de Capão da Canoa (135 km de Porto Alegre), por R$ 180 mil, ao empresário Delacy Martini, pai do ex-secretário de Governo Delson Martini. A oposição também alega que o apartamento não poderia ser vendido porque estava sob penhora.

Delson Martini foi demitido em junho deste ano, após ser citado por acusados de participar da fraude do Detran em conversas telefônicas interceptadas pela PF. Ele também comprou, por R$ 32 mil, o Passat 98 vendido pela tucana antes da aquisição da casa.

O ex-secretário era o integrante do primeiro escalão mais próximo da governadora. Os dois são amigos há 30 anos. Martini, que é economista, foi aluno de Yeda na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a assessorou na Câmara dos Deputados e no governo.

Segundo o advogado Paulo Olímpio Gomes de Souza, que defende Yeda, o apartamento foi vendido a Delacy Martini em novembro de 2006, e o fato de Yeda e o ex-secretário serem amigos não põe o negócio sob suspeita. Ele afirma que a governadora, antes da venda, obteve uma decisão judicial que suspendeu a penhora.

"O que estão fazendo é uma ilação com fins políticos", disse ele, sobre o questionamento da oposição no TCE. "Todas as vendas estão documentadas, foram feitas com cheques, há extratos de pagamento anexados na defesa", afirmou.

De acordo com o advogado, Yeda e o marido, Carlos Crusius, têm renda suficiente para pagar os R$ 200 mil que faltam para a quitação da casa.

Delacy e Delson Martini não foram localizados pela reportagem. No posto de combustíveis de Delacy, a informação é que ele estava viajando.

Comentários dos leitores
Francisco Nabor (43) 10/07/2009 13h35
Francisco Nabor (43) 10/07/2009 13h35
Se todas estas denúncias não justifica uma CPI o q vai ser necessário para tal? o negócio é o seguinte, se sair a CPI ela cai e por tabela todo o PSDB a nível nacional. Este é o jeito Tucano de governar, incompetência, corrupção e assassinato. sem opinião
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Hugo Arrais (34) 09/07/2009 22h50
Hugo Arrais (34) 09/07/2009 22h50
É cômico para não dizer trágico, ler tucanos e simpatizantes colocando a culpa nos sindicatos e na oposição por achincalhar o governo estadual mais corrupto do Brasil, o de Yeda Crusius("o dó"). "Parabéns tucanos por seus valores éticos e enorme bom senso"!! 1 opinião
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JACÓ BIAS MAIA JACÓ (10) 09/07/2009 22h16
JACÓ BIAS MAIA JACÓ (10) 09/07/2009 22h16
É assim que o PSDB quer ganhar o respeito do povo? Investiga tudo e todos, mas quando se trata de si não se investiga. Veja São Paulo, RS, Paraná, PB, FHC etc... 1 opinião
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