Brasil
04/08/2008 - 17h01

Tarso nega que PF tenha recebido autorização para realizar grampos irrestritamente

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WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para a Folha Online

O ministro Tarso Genro (Justiça) negou que a Polícia Federal esteja autorizada a "grampear livremente" qualquer cidadão. A declaração refere-se às informações publicadas neste domingo (3) pela Folha de que, na Operação Satiagraha, o delegado Protógenes Queiroz e sua equipe receberam, com autorização da Justiça, senhas para acessar o cadastro completo e monitorar o histórico de ligações de qualquer assinante das companhias de telefonia, o que não está previsto por lei.

"Pedi à Polícia Federal que publicasse uma nota técnica informando exatamente qualquer determinação judicial e os limites dessa determinação. Não é correta a impressão de que teve alguma autorização judicial para grampear livremente quem quer que seja. Não foi assim que a polícia federal interpretou", afirmou.

Conforme a Folha apurou, a autorização para as investigações da Satiagraha teria sido concedida pela 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo. Por meio de um sistema da rede de computadores da rede de telefonia, a PF tem acesso remoto aos dados dos usuários das companhias.

Esse tipo de permissão não está previsto na lei que disciplina o uso de escutas telefônicas nas investigações criminais e divide opiniões dentro do Poder Judiciário.

O presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Cezar Britto, condenou o que chamou de "grampo ilegal", em referência ao episódio. "O grampo ilegal não se justifica, independentemente da autoridade. Se nós banalizarmos o que é legal, o crime venceu", disse hoje.

Para Britto, nem mesmo as autoridades sentem-se "seguras" ao falar ao telefone. "O ministro da Justiça [Tarso Genro], o ministro das Relações Institucionais [José Múcio], disseram que não se sentem seguros quando conversam ao telefone. Se autoridades da república não se sentem seguros, imagine o cidadão comum", disse.

O presidente da OAB defendeu ainda a criação de uma lei para conter os abusos do Estado. "É preciso mudar o foco. Hoje é muito fácil para o Estado cometer abusos", completou.

Já o procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza defendeu a avaliação do juiz responsável por liberar as escutas telefônicas consideradas ilegais. "Se houve essa questão [escutas telefônicas ilegais], o juiz deve ser avaliado", afirmou.

Divergências

O presidente da OAB minimizou as divergências entre o Ministério da Justiça e o STF (Supremo Tribunal Federal) --evidenciada com o início da Operação Satiagraha. "As divergências são inerentes à democracia", afirmou.

A "batalha" dentro do Judiciário brasileiro foi tema de uma reportagem publicada em junho pelo jornal espanhol "El País", que destacou a troca de farpas entre Tarso Genro, que apoiou a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, e o presidente do STF, Gilmar Mendes, que mandou soltar Dantas duas vezes. "

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (711) 08/11/2009 10h01
Igor Bevilaqua (711) 08/11/2009 10h01
Não sei se o Delegado Protógenes vai dar certo como político..., parece que gente "honesta e ética"..., não é benvinda em nenhum dos poderes. sem opinião
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Joel Saraiva (124) 08/11/2009 00h37
Joel Saraiva (124) 08/11/2009 00h37
Até onde, ser correto, honesto, investigativo, leal, imparcial, honrando sua Instituição, o Dr. Protógenes Queiroz, Delegado de Polícia Federal, pode ter "pecado", em suas apurações, no caso em questão? Culpado por ter apurado ao "fundo do poço", colhendo provas, e propondo indiciamentos no caso Satiagraha? Atingiu quem não deveria? Ou seja, "riscou um palito de fósforo, no palheiro"? Que crime cometeu, o Dr. Protógenes? Que Brasil é esse, onde o crime impera, e quando homens do bem, combatem o mal, são cercados e vilipendiados em suas atitudes e decisões? Coma fazer polícia, com mãos atadas? Onde está o direito delegado à Autoridade Policial, para apurar, indiciar, e mandar a Juízo, os envolvidos em crimes e falcatruas, para que o Magistrado, às duras penas da Lei, julgue e condene? Quando as causas preocupam os atingidos, começo a ficar preocupado, não sei o que fazer. Política não deve ser misturada com Polícia, cheira mal. Toda intervenção numa investigação, absolve o culpado. Creio plenamente, que o sr. Ministro Tarso Genro, coerente, sábio, saberá interpretar, as Leis, o anseio do povo por Justiça. O Brasil precisa de homens íntegros, probos, de moral ilibada, para seguir adiante, na caminhada, como um verdadeiro líder do Continente Sulamericano, assim, esperamos. Joel Carlos de Almeida Saraiva, Investigador de Polícia, dos Altos do Jaraguá, São Paulo, Brasil. 3 opiniões
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flavio teodoro (2) 07/11/2009 20h34
flavio teodoro (2) 07/11/2009 20h34
E MEU POVO O BRASIL E UM DOS POUCOS LUGARES DO MUNDO ONDE OS INVESTIGADORES BONS TEM SUA CARREIRA DERRUBADA POR POLITICOS E BANQUEIROS, E UMA PENA, FICA AQUI A MINHA SOLIDARIEDADE AO Sr.PROTOGENES sem opinião
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