Brasil
05/08/2008 - 08h29

Senador do DEM emprega 7 parentes em seus gabinetes

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ADRIANO CEOLIN
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Articulador da criação de mais 97 cargos comissionados no Senado, Efraim Morais (DEM-PB) mantém em seus gabinetes na Casa pelo menos sete familiares, além de seis parentes de seus aliados políticos.

Em 2005, ao se tornar primeiro-secretário (posto responsável pela contratação de obras e serviços), Efraim ampliou seu poder de nomeação: na Primeira Secretaria, ele detém no mínimo 14 cargos.

A partir de 2005, o número de parentes de Efraim na Casa aumentou. Entre 2003 e 2004, a reportagem identificou quatro parentes --três sobrinhas e um sobrinho. Já como primeiro-secretário, os parentes subiram para sete --nomeou mais três sobrinhas e até a filha caçula. Estudante de jornalismo, Caroline Morais, 21, tem salário de R$ 3.600 mensais e foi lotada no gabinete do senador.

Ainda na Primeira Secretaria, Efraim colocou Delano de Oliveira Aleixo, que é casado com Ana Cristina Souto Maior Aleixo, outra sobrinha do senador. Em 2003, as irmãs dela, Ana Karla e Ana Karina, foram empregadas no gabinete pessoal de Efraim.

Em 2006, Efraim nomeou para seu gabinete o primo Glauco Morais, ganhando R$ 6.400 mensais. Em 2005, a Folha já revelara que o portal do qual Glauco era sócio tinha contrato de R$ 120 mil por ano com o Senado para ter um banner do site da Casa. Após a reportagem, Efraim cancelou o contrato, mas outros quatro sites da Paraíba ainda mantêm contratos com o Senado no valor de R$ 48 mil por ano.

Em março de 2007, Glauco deixou o Senado para se tornar chefe-de-gabinete do vice-governador da Paraíba, José de Lacerda (DEM). Em junho daquele ano, Efraim deu à filha de Lacerda, Raissa Lacerda Aquino, um cargo AP-4. Neste ano, ela será candidata a vereadora em João Pessoa pelo DEM e teve de deixar o posto. Para o cargo, Efraim nomeou o marido de Raissa, Roberto Aquino.

Efraim também agradou o governador Cássio Cunha Lima (PSDB) nomeando Ronaldo Cunha Lima Filho, irmão de Cássio, como assessor técnico (R$ 8.000 mensais, depois reduzidos para R$ 6.300).

O presidente da Assembléia Legislativa da Paraíba, Arthur da Cunha Lima (PSDB), tem o irmão, Lucio, como funcionário do gabinete de Efraim: ele é secretário parlamentar, com salário mensal é de R$ 6.400.

Primeiro suplente de Efraim, Fernando Catão arranjou emprego para os filhos no Senado. Em períodos diferentes, Bruno Catão e Pedro Catão foram lotados no gabinete do senador e na liderança da minoria. Bruno deixou o Senado em 28 de outubro de 2005, mesmo dia em que irmão foi nomeado para uma vaga de AP-3, com salário de R$ 2.600 por mês. Fernando Catão foi escolhido em 2007 conselheiro do TCE da Paraíba.

Segunda suplente de Efraim, a prefeita de Bananeiras, Marta Ramalho, nomeou o filho, Ricardo Sérgio, secretário de Obras local. Em Brasília, emplacou o neto Ricardo Sérgio Filho no gabinete de Efraim.

Outro lado

O senador Efraim Morais (DEM-PB) confirmou as nomeações: "Faço a minha política exatamente entre os amigos. Aquelas pessoas que me acompanham, eu tenho de encontrar uma forma de ajudá-las", disse. "Minha filha trabalha direto comigo no gabinete", afirmou.

Já as sobrinhas e sobrinhos trabalham pelo gabinete na Paraíba: "São pessoas de qualificação técnica, atuam em várias partes do Estado".

Sobre a nomeação do irmão do governador Cássio Cunha Lima, Efraim disse que atendeu a um pedido do pai dos dois, deputado Ronaldo Cunha Lima: "Ele pediu que eu o colocasse". Procurado, Ronaldo Cunha Lima Filho disse que trabalha para Efraim como assessor parlamentar "tanto em Brasília quanto em João Pessoa".

O senador deu a mesma justificativa para os casos dos filhos do primeiro suplente Fernando Catão e do vice-governador: "Isso não é ilegal", reafirmou.

A Folha entrou em contato ontem com os funcionários de seu gabinete. Juliana Perdigão Mayer Ventura e Renata Morais de Araújo desligaram o telefone quando o repórter perguntou se elas trabalham no gabinete do tio em Brasília.

Neto da segunda suplente Marta Ramalho, Ricardo Sérgio Ramalho Filho disse estar lotado no Senado, mas "à disposição" do Instituto de Previdência da Paraíba, presidido por seu avô Ramalho Leite.

Marido de Raissa Lacerda, filha do vice-governador, Roberto Aquino disse prestar assessoria política para o senador. Primo de Efraim, Glauco Morais disse que atuou como o assessor em Brasília e na Paraíba.

Tereza Cristina Ventura Mayer, mãe de André e Arthur Ventura, se negou a passar o telefone dos dois. Ana Cristina Souto Maior Aleixo se negou a passar os contatos das irmãs, Ana Karla e Ana Karina, e do marido, Delano Aleixo. A Folha não localizou os demais.

Comentários dos leitores
Alziro Ribeiro da Silva (23) 26/10/2009 10h17
Alziro Ribeiro da Silva (23) 26/10/2009 10h17
Se esta conversa grampiada tiver estes termos parece mais é conversa de bandidos, o que pode esperar de quem conversa assim em codigo, o pior é que não acontece nada, fica tuda na boa. sem opinião
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Maria do Rosario Freitas (106) 01/10/2009 09h00
Maria do Rosario Freitas (106) 01/10/2009 09h00
Agora parece que alguém pretende por ordem no pedaço! Tudo é normal quando todos assumem o que faz, porém certos partidos politicos por ai acham que precisam o tempo todo esconder seus podres e mostrar o dos outros! Ai o País vira casa da Mãe Joana. Uma fofoca atrás da outro e projeto politicos para a sociedade não aprecem nunca. Tem governador que pratica todo tipo de opressão e repressão e a midia nada divulga, para este tipo de governante a Constituição virou papel de banheiro, mas os jornais nada publica não é mesmo. Os jornalista estão precisando fazer seu trabalho em Minas Gerais ou será que é crime omitir informações só sobre alguns politicos por ai? Se mexerem na caixa preta da Educação Mineira... sem opinião
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Waldemar Schisbelgs (15) 30/09/2009 20h37
Waldemar Schisbelgs (15) 30/09/2009 20h37
Dizem que não existe crime perfeito!!! Quem matou P.C. Farias e Ana Marcolino? Quem matou Daniel Dantas? Quem matou JK? Quem matou Castelo Branco? Tancredo Neves teve mesmo diverticuliti? E o Ulisses Guimarães, porque só ele ficou preso pelo cinto de segurança no helicóptero. Alguns destes homens, poderiam ter mudado alguma coisa neste país, mas outros homens não tiveram interesse nestas mudanças, daí...... sem opinião
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