TSE vai intensificar campanha para esclarecer inviolabilidade do voto no Rio
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Na tentativa de conter o intimidamento aos eleitores, a Justiça Eleitoral deverá intensificar a campanha de esclarecimento sobre o voto livre e consciente no Rio de Janeiro. A informação foi transmitida nesta terça-feira pelos candidatos a prefeito na capital fluminense, os deputados Fernando Gabeira (PV), e Chico Alencar (PSOL), após reunião com o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Carlos Ayres Britto.
Alencar e Gabeira apelaram ao presidente que o envio de homens da Força Nacional de Segurança ou a ampliação de policiais nas regiões ameaçadas pelo tráfico e milícias não resolverá as dificuldades que os candidatos passam no período eleitoral.
"É necessário fazer a campanha do voto livre e consciente. A campanha neste caso deve ser pedagógica", disse Alencar. "Enviar patrulhas e tanques não resolve a questão. O problema é outro: é a necessidade de garantir a liberdade para as pessoas votarem", afirmou Gabeira.
Ayres Britto conversou com os candidatos depois de tratar rapidamente sobre a possibilidade de envio da Força Nacional de Segurança para o Rio durante a reunião administrativa realizada hoje no TSE.
Segundo o ministro, na próxima quinta-feira ele espera ter uma análise mais completa sobre as necessidades da capital fluminense para definir uma posição do TSE. "Seria precipitado da minha parte [decidir algo hoje]", disse Ayres Britto.
O presidente do TSE deverá pedir a colaboração do ministro Joaquim Barbosa --que também pertence ao STF (Supremo Tribunal Federal)-- na elaboração de uma análise sobre a situação de risco nas eleições em áreas específicas do Rio.
Para Ayres Britto, Barbosa deverá colaborar com sua análise porque ele conhece em detalhes a realidade do Rio de Janeiro.
Força
A Folha Online apurou que a tendência é de Ayres Britto evitar a defesa do uso de policiais para garantir a realização de campanhas nos dois meses que antecedem as eleições. De acordo com interlocutores, ele deverá colocar o tribunal à disposição do TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio de Janeiro e informará que está no aguardo de suas necessidades.
Ayres Britto quer ouvir o máximo de pessoas envolvidas no processo eleitoral do Rio para definir uma posição clara do TSE sobre o assunto.
A questão da segurança nas eleições na capital fluminense será tratada por Ayres Britto na próxima segunda-feira (11), no Rio, com autoridades da Justiça Eleitoral e representantes da Polícia Federal.
Na semana passada, o presidente do TSE demonstrou sua preocupação com as notícias divulgadas que indicavam as dificuldades encontradas pelos políticos para fazerem campanha e as suspeitas de ligações de candidatos com milícias e traficantes.
Nesta terça-feira, Chico Alencar entregou a Ayres Britto um documento denominado "Pacto contra Feudos Eleitorais", no qual apela para que partidos políticos e a Justiça Federal estejam atentos e evitem parcerias com pessoas suspeitas de envolvimento com milícias e traficantes.
"Queremos que a polícias investiguem a promiscuidade entre banditismo e campanhas. Exigimos providências rápidas da Justiça Eleitoral", disse Alencar.
Na semana passada, autoridades federais e estaduais discutiram a possibilidade de convocar a Força Nacional de Segurança para garantir a realização da campanha eleitoral e conseqüentemente das eleições. Mas a proposta foi afastada nesta primeira etapa de reuniões.
Gabeira afirmou que amanhã ele divulgará um mapa feito por sua equipe na qual indicará as influências das milícias e dos traficantes em áreas específicas do Rio de Janeiro. Segundo ele, mapa semelhante será elaborado após as eleições para verificar "coincidências de votos" com pessoas supostamente ligadas a esses grupos suspeitos.
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