STF deverá rejeitar ação da AMB que trata de inelegibilidade de candidatos com "ficha suja"
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Em defesa da tese do ordenamento dos processos já transitados e julgados, seis dos 11 ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) deverão votar pela rejeição da ação que pede para que os candidatos condenados pela Justiça em qualquer instância --mesmo que os processos não tenham sido julgados em definitivo-- se tornem inelegíveis.
Os ministros Marco Aurélio Mello e Celso de Mello, o relator do processo, deram a entender nesta quarta-feira que são contrários à ação que será julgada hoje na Suprema Corte. O relator adiantou ainda que não tratará da divulgação de listas com os nomes de candidatos supostamente com "ficha suja".
Celso de Mello disse que é favorável ao "direito que assiste a qualquer cidadão de ter acesso a qualquer informação", mas como o tema não diz respeito diretamente à ação ingressada pela AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), ele não tratará do tema.
Já Marco Aurélio Mello afirmou que mais cinco ministros deverão votar como ele --contrariamente à ação. Segundo Mello, deverão rejeitar a ação: Celso de Mello, Gilmar Mendes, Carlos Alberto Menezes Direito, Cezar Peluso e Eros Grau. Para o Marco Aurélio Mello, a ação tem uma interpretação de "justiçamento", o que na sua opinião, é um "retrocesso".
"Vai prevalecer o ordenamento, o trânsito e julgamento", disse Marco Aurélio Mello. "O que eu percebo, já que não tem inelegibilidade, uma busca de justiçamento. E, justiçamento é retrocesso. Não se avança culturalmente abandonando-se as regras para se criar um critério de plantão", afirmou.
A ação ingressada pela AMB ocorre no momento em que uma iniciativa da entidade provocou polêmicas, que foi a divulgação no seu site, da lista de candidatos com a "ficha suja".
A expectativa é que o julgamento seja longo, mesmo a ação sendo o único item da pauta. O relator adiantou que seu voto tem cerca de 80 páginas. O julgamento começou por volta das 14h30 com a sustentação oral do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza.
Pela manhã, Souza afirmou que a posição do Ministério Público é em favor do que sugere a ação ingressada pela AMB.
O presidente do STF, Gilmar Mendes, disse hoje que o objetivo é concluir o julgamento nesta quarta-feira. A idéia dos ministros é evitar o prolongamento de decisões em ano eleitoral.
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Vejam bem, esse número representa muitas vezes mais de pessoas que comungam com o projeto e que não puderam assinar para maior representatividade; mesmo assim, não há respeito nenhum dos legisladores para com o clamor popular, pois alguns ou muitos já se manifestaram de que irão apresentar emendas, alterando a redação para que o ficha-suja possa participar como candidato, incrível isso, não?
Se a vontade popular é a de que não possa vir a ser candidato, por qual motivo será que esses parlamentares simplesmente não a acatam?
Não dá para escrever o que pensamos a respeito, pelo simples motivo de correr o risco de não ser publicado, mas creio que é de conhecimento público.
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