Publicidade

Publicidade
Brasil
06/08/2008 - 15h56

No STF, procurador-geral defende a inelegibilidade de candidatos com "ficha suja"

Publicidade

RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, apoiou nesta quarta-feira, durante a sessão no STF (Supremo Tribunal Federal), a ação da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) que trata de inelegibilidade de candidatos com "ficha suja". No seu parecer, o procurador disse que são procedentes os argumentos da associação.

Segundo o procurador, a Constituição trata dos conceitos de probidade e moralidade, que devem refletir o modo de vida do candidato que pretende ser eleito. "São requisitos fundamentais para o exercício de um cargo eletivo", disse Souza. "O constituinte estabeleceu que a capacidade de ser votado pode ser restringida quando valores, como probidade e moralidade, não sejam atendidos pelo candidato", afirmou.

Para Souza, essas condições de probidade administrativa e moralidade são firmadas no sentido jurídico e não subjetivo. "São padrões mínimos", disse o procurador. "Eleições e mais eleições são realizadas e candidatos com condenações severas se perpetuam em nichos políticos pouco permeáveis a implicações dessa ordem. A intercorrência da inelegibilidade, se a tanto se chega, com o curso do mandato, em regra de quatro anos, torna as regras da Lei Complementar 64 absolutamente inócuas", afirmou.

Segundo o procurador, o modelo legal instituído pela Lei Complementar de número 64/90 contradiz o disposto pela Constituição ao afirmar que a inelegibilidade se aplica somente quando o candidato é condenado por sentença transitada em julgado.

De acordo com o Ministério Público, a necessidade de verificação da vida pregressa do candidato foi inserida na Constituição por uma emenda, em 1994. A lei que especifica os casos em que os candidatos são inelegíveis é de 1990.

O procurador-geral da República entende que a emenda revoga o dispositivo da lei complementar, que trata da exigência do trânsito em julgado, e sobrepõe-se por se tratar de texto constitucional.

O procurador foi o primeiro a fazer a sustentação oral na sessão. Por unanimidade, os ministros acolherem a proposta do ministro Celso de Mello de julgar diretamente o mérito da ação.

Após a leitura do parecer de Souza, foi a vez do ministro Celso de Mello, relator do processo, iniciar a apresentação de seu voto. Depois será a vez de os advogados fazerem suas sustentações orais.

Comentários dos leitores
Infelismente no nosso país mesmo quando o povo quer mudar alguma coisa, é muito difícil,pois, os políticos é quem fazem as leis e eles mesmos as alteram como bem entendem passando por cima da ética e principalmente da democracia. O presidente Michel Temer deveria dar exemplo e defender a opinião do povo, pois é para isso que eles são colocados lá para defender e aprovar o que o povo pede com justiça. Se ele já quer mudar o projeto de lei, querendo defender o seu, procure ao povo se eles o aprovam!! Vamos lutar por uma política sadia que poderá mudar de verdade o futuro de nosso país, governar com o povo e para o povo, e não com suas próprias opiniões!! sem opinião
avalie fechar
Antonio Fouto Dias (2459) 30/09/2009 01h27
Antonio Fouto Dias (2459) 30/09/2009 01h27
Ainda sobre esse projeto de lei popular objetivando limpar do meio político os "fichas-sujas", creio que a imprensa deveria fazer uma cobertura publicando cada etapa do andamento do mesmo, assim como o nome de cada deputado ou senador que apresentem emendas ou se pronunciem contra. sem opinião
avalie fechar
Antonio Fouto Dias (2459) 30/09/2009 01h22
Antonio Fouto Dias (2459) 30/09/2009 01h22
Um milhão e trezentas mil assinaturas(1.300.000) foram colhidas para a apresentação de projeto de lei que cerceia aquele que possui ficha suja em participar como candidato em eleições.
Vejam bem, esse número representa muitas vezes mais de pessoas que comungam com o projeto e que não puderam assinar para maior representatividade; mesmo assim, não há respeito nenhum dos legisladores para com o clamor popular, pois alguns ou muitos já se manifestaram de que irão apresentar emendas, alterando a redação para que o ficha-suja possa participar como candidato, incrível isso, não?
Se a vontade popular é a de que não possa vir a ser candidato, por qual motivo será que esses parlamentares simplesmente não a acatam?
Não dá para escrever o que pensamos a respeito, pelo simples motivo de correr o risco de não ser publicado, mas creio que é de conhecimento público.
sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (211)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca