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Brasil
06/08/2008 - 17h07

Daniel Dantas está "angustiado" e quer "desabafar", diz defesa

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MARCELO GUTIERRES
colaboração para a Folha Online

O advogado do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, Nélio Machado, diz que seu cliente está com "angústia existencial" e quer "desabafar". Porém, afirma que o orientará a calar-se no depoimento à Justiça Federal marcado para esta quinta-feira. Dantas é acusado, com mais dois suspeitos, de corrupção ativa por suposta tentativa de subornar um delegado da PF para livrá-lo de investigações da corporação.

"Ele quer desabafar um pouco. Ele quer botar para fora tudo o que ele passou, tudo que padeceu. Mas eu tenho que ter uma postura racional e não emocional", afirma Machado. Ele diz que pedirá ao banqueiro, que se cale no depoimento de amanhã.

"É possível que o meu cliente exerça o direito de não falar. Por outro lado, ele também tem uma certa angústia existencial compreensível de deixar claro que na realidade ele é vítima que não vem de agora", afirma a defesa.

Nélio Machado voltou a atacar o governo federal, afirmando que segmentos interfiram nos negócios envolvendo a venda da Brasil Telecom, então sob comando de Dantas.

"Segmentos do poder tiveram participação decisiva na disputa pela Brasil Telecom. Basta ver os nomes daqueles que estavam mais veiculados aos interesses dos Fundos de Pensão [parte interessada na compra da empresa], daqueles que quiseram romper o contrato [de controle da tele, sob comando do banqueiro]."

Machado afirma que pediu ao juiz federal Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, argüição de suspeição, ou seja, a retirada dele do caso. A defesa diz que De Sanctis repudiou o pedido, dizendo que age de forma isenta. De acordo com Machado, o juiz deverá encaminhar o pedido ao TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região.

Hoje, Humberto Braz, considerado braço direito de Dantas, do Opportunity, permaneceu calado durante depoimento à Justiça Federal em São Paulo. A defesa alegou não ter acesso a diálogos entre seu cliente, um policial da PF e Hugo Chicaroni, preso na carceragem da polícia.

Segundo a PF, Chicaroni dissera em depoimento que o dinheiro encontrado em seu apartamento durante a Operação Satiagraha (cerca de R$ 1,2 milhão) seria dado a ele por representantes do Opportunity. A PF diz que o valor era destinado à tentativa de suborno do delegado da corporação. A empresa nega.

Nélio disse que seu cliente não tem ligação com a suposta tentativa de suborno. "Não conheço o depoimento de Chicaroni. Ele será interrogado aqui. E eu terei oportunidade de questioná-lo sobre as afirmações que ele possa fazer. O que eu posso afirmar é que Daniel Dantas não tem absolutamente nada a ver com esse episódio que ensejou essa ação penal [de corrupção ativa]".

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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