Em campanha, PT acusa Alckmin de impedir CPIs na Assembléia de São Paulo
MARINA NOVAES
colaboração para a Folha Online
Atualizado às 18h04.
Um dia após pedir ao Ministério Público Federal que investigue os contratos da multinacional alemã Siemens com o governo do Estado de São Paulo, o PT já usa o caso como arma de campanha contra o candidato a prefeito de São Paulo e ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). Parte dos contratos foram firmados durante a gestão do tucano.
Em um comício improvisado sobre um trio elétrico na praça José Bolmer Roschel, na zona sul de São Paulo, o vereador e candidato à reeleição Arselino Tatto (PT) acusou Alckmin de "impedir" as investigações sobre o caso e a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar os contratos da Alstom --multinacional francesa suspeita de pagar propina a tucanos para obter vantagens em contratos.
"Não vamos deixar que o tucano Alckmin, que não deixa fazer CPIs na Assembléia, meta o nariz aqui", disse Tatto, que acompanhava a candidata Marta Suplicy (PT) em campanha.
Segundo o deputado estadual Ênio Tatto (PT), que também acompanhava a visita, dificilmente a bancada petista na Assembléia conseguirá instaurar uma CPI para investigar os contratos da Siemens, sobretudo às vésperas das eleições.
"Eles [os tucanos] são maioria, e as coligações também não querem se expor neste momento", disse.
Para Marta, é muito difícil que a Assembléia consiga investigar o caso. "Nada vai pra frente lá [Assembléia]. O Alckmin impediu 68 CPIs de serem abertas. Quando não era véspera [das eleições] não conseguia [instaurar CPIs], em véspera também não", disse a candidata, ao ser questionada se uma eventual investigação sobre o caso poderia lhe favorecer na campanha.
Hoje, Alckmin disse que as denúncias não passam de uma manobra do PT. Ontem, o tucano disse que não via problema na investigação dos contratos de seu governo.
Outro lado
O coordenador de campanha de Geraldo Alckmin, deputado federal Edson Aparecido (PSDB), rebateu as acusações do PT e negou que os tucanos impeçam a execução de CPIs na Alesp. "Ao longo do governo do Geraldo, nós tivemos várias CPIs. Mas não podemos investigar qualquer acusação irresponsável feita pelo PT. Isso já está sendo investigado pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas do Estado", disse.
O deputado chamou ainda a iniciativa de investigar o caso de "eleitoreira", já que acontece a poucos meses das eleições. "Toda eleição é a mesma coisa. O PT quer colocar a gente no mesmo balaio que eles. Mas é impossível nos medir pela régua deles", afirmou.
Para o coordenador da campanha tucana, as acusações são uma forma de "desviar o foco" das necessidades da cidade. "O PT está usando isso para fugir das discussões sobre as questões da cidade de São Paulo, porque eles já estiveram sua chance na prefeitura e foram reprovados pela população", disse.
Metrô
A candidata petista também rebateu as declarações de Alckmin que a acusou de não ter priorizado as obras do metrô.
"Os fatos são os fatos. O governador Alckmin foi procurado para que fosse colocado dinheiro da prefeitura, em outubro de 2003, quando a prefeitura finalmente conseguiu recursos da Operação Urbana para o largo da Batata [zona oeste]. onde poderíamos pôr ali uma linha 4 [do metrô], e não tinha projeto", disse.
Marta classificou as declarações de Alckmin de "acusações eleitorais" e acusou o tucano de "incompetência".
"Incompetência é incompetência. E acusação eleitoral não vai sanar as dificuldades que o governador está de explicar porquê ele foi o governador que menos quilômetros de metrô construiu", afirmou.
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