Procuradoria quer pedir aos EUA abertura de arquivos secretos da ditadura militar no Brasil
DEH OLIVEIRA
especial para a Folha Online
O Ministério Público Federal em São Paulo estuda a possibilidade de pedir a abertura de documentos sigilosos do governo dos Estados Unidos sobre o período da ditadura militar no Brasil, com base na lei de acesso à informação americana.
Para avaliar quais medidas podem ser tomadas, representantes do MPF se reuniram nesta quarta-feira com dois especialistas norte-americanos, o analista Peter Kornbluh e a pesquisadora Kathryn Sikkink.
"Pretendemos estudar as providências que podem ser adotadas", disse o procurador da República Marlon Alberto Weichert, que junto com a procuradora Eugênia Fávero é autor de uma ação civil pública que pede a responsabilização por crimes de tortura dos comandantes do Doi-Codi, órgão de inteligência e repressão do governo brasileiro durante a ditadura militar (1968-1985).
As tentativas de abertura dos arquivos oficiais do período esbarram na legislação brasileira, que prevê o sigilo das informações por tempo indeterminado, e na resistência de grupos de militares, sob o argumento de que a Lei de Anistia, de 1979, veda qualquer julgamento de crimes praticados na época.
Weichert contesta esse entendimento da lei, argumentando que o Brasil é integrante da comunidade internacional de Direitos Humanos e assinou documento pelo qual "crimes contra a humanidade não prescrevem".
Segundo o procurador, juridicamente também não pode ser invocada para agentes do Estado a definição de crimes políticos, anistiados pela Lei de Anistia.
"Dizem que à época vivia-se uma guerra. Mas não havia normas admitindo o que foi feito", argumenta a procuradora Eugênia Fávero
Atraso histórico
Para a pesquisadora Kathryn Sikkink, o Brasil está muito atrasado em relação à revisão da lei de anistia. Segundo ela, o primeiro país a revisar a legislação após sair de um regime autoritário foi a Grécia, em 1975.
"Esse processo vem se acelerando nos últimos dez anos", diz a pesquisadora, lembrando que Uruguai, Argentina e Chile já fez a revisão da lei de anistia e puniu alguns responsáveis por torturas..
Um estudo de autoria de Sikkink mostra que nas nações que passaram por uma transição de um estado autoritário para uma democracia mas não houve punição dos crimes praticados durante o regime a sensação de impunidade e o desrespeito aos direitos humanos é maior. A pesquisa foi realizada em 100 países.
"Os arquivos brasileiros têm muita importância para muita gente daqui da região e do mundo", afirma Peter Kornbluh, integrante da ONG americana National Security Archives e responsável pela abertura dos arquivos referentes às ditaduras chilena e cubana.
Nos Estados Unidos, muitas das informações obtidas por Kornbluh foi com base na Freedon of Information Act (Lei de Acesso à Informação americana). Segundo ele, ainda falta ao Brasil uma lei de acesso à informação. "Não se pode ter uma democracia de fato se o cidadão não tiver acesso à informação".
"O Ministério Público tem reiterado que o governo brasileiro viola um direito à informação", disse Weichert. Segundo ele, desde 2000 o MP tem reivindicado a abertura de documentos oficiais, que não se limitam ao período da ditadura.
Leia mais
- Após críticas de militares, Vannuchi diz que nunca pediu revisão da Lei da Anistia
- Tarso nega ligação entre punição a torturadores e sucessão presidencial
- Jobim rebate Tarso e diz que Lei da Anistia não vai mudar
- Ministros do STF sinalizam que devem barrar proposta de punição a torturadores
- Planalto quer estimular debate sobre punição a torturadores da ditadura
Livraria da Folha
- Livro revela detalhes da participação dos EUA na ditadura militar no Brasil
- Folha Explica a história do Brasil nas décadas de 60 e 70; leia capítulo
- Livro de Eugenio Bucci revela bastidores do poder em Brasília
- Livros abordam temas políticos, sociais e históricos e ajudam a entender o Brasil
Especial


HAHAHAHAHAHA.....
avalie fechar
Bem SR. Procurador o seu papel é julgar a corrupção e a aposentadia de quem já ganha muito em outras aposentadorias mais o dinheiro da Presidencia vitalicia do PT, não tem necessidade disso.
Vou lhe contar uma triste histórinha, minha mãe se aposentou com tres salarios minimos a mais ou menos 22 anos atras hoje ela ganha 695,00, veja bem Sr. Procurador, ela pagou para se aposentar e o dinheiro dela e de outros aposentados que estão precisando com mais de 80 anos é transferido para ganha um monte de aposentarias, são aposentarias e premios por todos os lados.
Dizem que o filho do Presidente comprou uma fazenda chamada de fortaleza por 50 milhões, eles ganhava 1.500,00 reais por mes e conseguiu com suas economias comprar essa fazenda.
Será que o Pai dele não ajudou com as economias das aposentadorias.
Com tudo isso sinto vergonha de ser brasileiro, ou se não tenho vergonha de ser brasileiro tenho nojo de ter pessoas desse tipo como o Sr. Procurar vivendo com o meu dinheiro.
É dificil aceitar isso tudo assim, ainda por cima temos a violência que o Sr. não faz nada e nosso Presidente assiste a tudo a 7 anos, deixando chegar aos limites da destruição social.
avalie fechar
Claro que é. Ilegal e criminoso é o benefício dos aposentados que foi lesado pelo FHC e confirmado pelo novo Governo.
avalie fechar