Oposição quer convocar chefe-de-gabinete de Lula investigado na Satiagraha
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Deputados da oposição protocolaram nesta quarta-feira na CPI das Escutas Clandestinas da Câmara requerimento de convocação do chefe-de-gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho. Os deputados Gustavo Fruet (PSDB-PR) e Vanderlei Macris (PSDB-SP) ingressaram com o pedido depois que o delegado Protógenes Queiroz confirmou à CPI que Carvalho está entre os investigados da Operação Satiagraha, da Polícia Federal.
| 04.nov.2005/Folha Imagem |
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| Gilberto Carvalho é acusado de vazar informações da Satiagraha a Greenhalgh |
"Em depoimento a esta comissão, o delegado afirmou ser o chefe-de-gabinete alvo de investigações que teriam levado à interceptação de suas comunicações telefônicas, em especial seus contatos com o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh. Desse modo, na esteira das investigações, é necessária a oitiva do senhor Gilberto Carvalho", afirmam os deputados no requerimento.
Carvalho é acusado de vazar informações da Operação Satiagraha a Greenhalgh. Em nota oficial, o chefe-de-gabinete de Lula admitiu que conversou com o ex-deputado.
Na nota, Carvalho negou ter pedido informações à PF e ao Ministério da Justiça sobre as investigações. O chefe-de-gabinete confirmou que Greenhalgh lhe pediu que obtivesse "mais informações" por meio da PF de dados sobre o inquérito da Satiagraha.
O requerimento precisa ser aprovado pelo plenário da comissão para que Carvalho seja convocado a depor. Já há outro pedido de convocação do chefe-de-gabinete de Lula na secretaria da comissão à espera de votação.
Investigado
No depoimento à CPI, Protógenes confirmou nesta quarta-feira que o chefe-de-gabinete de Lula está entre os investigados da Operação Satiagraha. Ao ser questionado sobre o envolvimento de Carvalho, o delegado admitiu que o chefe de gabinete de Lula também está na lista de investigados.
"As pessoas que o senhor [deputado Nelson Pellegrino (PT-BA)] mencionou, são alvo da investigação. Por limitação legal, não posso entrar em detalhes. Apenas foram investigadas, com indícios para que permanecessem no inquérito policial", afirmou Protógenes.
O delegado disse, no entanto, que não pode revelar detalhes sobre o suposto repasse de informações privilegiadas a Greenhalgh por Carvalho. Protógenes alertou que o fato de uma pessoa estar na lista de investigados da PF não significa que tenha envolvimento direto em irregularidades.
"Se as condutas as quais eles tiveram indícios para ser investigados estão cobertas por sigilo, eu não posso avaliar. É aceitável que no âmbito da investigação, determinadas pessoas sejam investigadas. Mas não significa que ali esteja toda a materialidade [de crime] comprovada", disse.
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