Brasil
06/08/2008 - 20h35

Presidente do TSE vota pela inelegibilidade de candidatos com "ficha suja"

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e integrante do STF (Supremo Tribunal Federal), Carlos Ayres Britto, defendeu nesta quarta-feira a inelegibilidade de candidatos que têm "ficha suja". Ayres Britto votou contrariamente à recomendação do ministro-relator da ação em julgamento na Suprema Corte, Celso de Mello.

Segundo Ayres Britto, seu voto se baseia na distinção entre o direito individual, político e social.

Para Ayres Britto, se não for exigido o mínimo dos candidatos, as eleições estarão ameaças de virarem corrida de revezamento de valor questionável. "No momento em que não se exigir o mínimo do candidato, eleição corre o risco de ser uma corrida de revezamento, ora com bastão ora com 30 moedas [numa alusão ao que recebeu Judas para trair Jesus Cristo]", afirmou o ministro.

O presidente do TSE defendeu a lisura e a pureza dos candidatos que concorrerão às eleições. "Candidato é cândido. É puro. Em Roma [antiga], ele [o candidato] usava túnica branca para simbolizar a pureza. Candidatura é depuração", afirmou Ayres Britto. "Quem pretende ingressar no mundo do Poder tem que indicar o mínimo de padrão ético."

Na ação ingressada pela AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) no STF, a associação pede para que os candidatos condenados pela Justiça em qualquer instância --mesmo que os processos não tenham sido julgados em definitivo-- tornem-se inelegíveis.

"A exigência do trânsito e julgado protege pessoas, a Lei Complementar [64/90] só foi requisitada para proteger valores. Que valores são esses? Probidade administrativa e moralidade considerada a vida pregressa do candidato", disse o presidente do TSE.

Por enquanto, os votos do julgamento indicam um a um, já que Ayres Britto votou a favor da ação, enquanto o relator foi contrário. Antes de Ayres Britto votar, Celso de Mello recomendou a rejeição da ação ingressada pela AMB. Para o relator, é necessário respeitar o princípio da presunção de inocência dos candidatos.

O julgamento da ação no STF já dura cinco horas. De acordo com os ministros, ainda nesta quarta-feira será encerrado o debate e proferida uma decisão sobre a inelegibilidade de candidatos com "ficha suja". Ainda faltam os votos de nove ministros.

Comentários dos leitores
Infelismente no nosso país mesmo quando o povo quer mudar alguma coisa, é muito difícil,pois, os políticos é quem fazem as leis e eles mesmos as alteram como bem entendem passando por cima da ética e principalmente da democracia. O presidente Michel Temer deveria dar exemplo e defender a opinião do povo, pois é para isso que eles são colocados lá para defender e aprovar o que o povo pede com justiça. Se ele já quer mudar o projeto de lei, querendo defender o seu, procure ao povo se eles o aprovam!! Vamos lutar por uma política sadia que poderá mudar de verdade o futuro de nosso país, governar com o povo e para o povo, e não com suas próprias opiniões!! sem opinião
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Antonio Fouto Dias (2459) 30/09/2009 01h27
Antonio Fouto Dias (2459) 30/09/2009 01h27
Ainda sobre esse projeto de lei popular objetivando limpar do meio político os "fichas-sujas", creio que a imprensa deveria fazer uma cobertura publicando cada etapa do andamento do mesmo, assim como o nome de cada deputado ou senador que apresentem emendas ou se pronunciem contra. sem opinião
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Antonio Fouto Dias (2459) 30/09/2009 01h22
Antonio Fouto Dias (2459) 30/09/2009 01h22
Um milhão e trezentas mil assinaturas(1.300.000) foram colhidas para a apresentação de projeto de lei que cerceia aquele que possui ficha suja em participar como candidato em eleições.
Vejam bem, esse número representa muitas vezes mais de pessoas que comungam com o projeto e que não puderam assinar para maior representatividade; mesmo assim, não há respeito nenhum dos legisladores para com o clamor popular, pois alguns ou muitos já se manifestaram de que irão apresentar emendas, alterando a redação para que o ficha-suja possa participar como candidato, incrível isso, não?
Se a vontade popular é a de que não possa vir a ser candidato, por qual motivo será que esses parlamentares simplesmente não a acatam?
Não dá para escrever o que pensamos a respeito, pelo simples motivo de correr o risco de não ser publicado, mas creio que é de conhecimento público.
sem opinião
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