Brasil
06/08/2008 - 21h46

Após ouvir Protógenes por seis horas, CPI do Grampo prorroga trabalhos por 120 dias

Publicidade

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Depois de ouvir por mais de seis horas o delegado Protógenes Queiroz, a CPI das Escutas Clandestinas da Câmara aprovou nesta quarta-feira requerimento que prorroga os trabalhos da comissão por mais 120 dias. As atividades da CPI estão previstas para encerrar no dia 5 de setembro, mas se o requerimento for aprovado pelo plenário da Câmara, a comissão poderá estender suas atividades até o final do ano.

A comissão também aprovou requerimento para requisitar à 6ª. Vara Federal Criminal, em São Paulo, cópia do mandado judicial que autorizou o monitoramento de ligações de assinantes das companhias telefônicas pela PF.

"Na Operação Satiagraha, o delegado Protógenes Queiroz e sua equipe receberam, com autorização da Justiça, senhas para acessar o cadastro completo e monitorar o histórico de ligações de qualquer assinante das companhias de telefonia. Esse tipo de permissão não está previsto na lei que disciplina o uso de escutas telefônicas nas investigações criminais", argumentou o deputado Nelson Pellegrino (PT-BA).

Denúncia publicada pela Folha afirma que a PF recebeu senhas, na Operação Satiagraha, para monitorar o histórico de chamadas não apenas dos investigados, mas de qualquer assinante do país. O acesso às senhas foi autorizado pela 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, mas não está previsto na lei n.º 9.296 --que rege o uso de escutas telefônicas em investigações criminais.

A reportagem afirma que as senhas permitem o acesso irrestrito ao banco de dados das companhias telefônicas, possibilitando a consulta de assinantes e usuários por nome, CPF, CNPJ e/ou número de linha e IMEI (dados e voz pela Internet) --mas a autorização não inclui a gravação das conversas.

A CPI ainda aprovou nesta quarta-feira uma série de requerimentos de convites para juízes e delegados responsáveis por operações da Polícia Federal.

Protógenes

O presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), disse que o depoimento de Protógenes foi "proveitoso" mesmo com a postura do delegado em não revelar detalhes sobre a Operação Satiagraha --com a justificativa de que não pode informar detalhes do inquérito por tramitar em segredo de Justiça.

"Conseguimos de alguma forma avançar nessa questão e contribuir para avanços nos trabalhos da CPI", afirmou.

No final do depoimento, Itagiba ironizou o argumento apresentado por Protógenes para tentar adiar a sua ida à CPI. O delegado chegou a ingressar com mandado de segurança no STF (Supremo Tribunal Federal) para adiar o depoimento ao afirmar que não poderia se ausentar de curso presencial na Academia da Polícia Federal.

"Vir à CPI é muito mais importante do que talvez estar presente em uma aula da Academia Nacional de Polícia, porque aqui o senhor pode apresentar o trabalho que fez em defesa do povo brasileiro ao fazer com que pessoas envolvidas em crimes sejam processadas e julgadas. A Justiça há de decidir quem tem culpa, quem não tem culpa", disse Itagiba.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
avalie fechar
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
avalie fechar
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (4924)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca