Exército mobiliza-se para esvaziar ato de militares da reserva contra Tarso
da Folha Online
Reportagem de Eliane Cantanhêde, publicada na edição de hoje da Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal), informa que generais do Alto Comando do Exército se mobilizaram informalmente ontem para dissuadir colegas da ativa a comparecerem à manifestação de hoje no Clube Militar do Rio.
O ato é uma espécie de retaliação à tentativa do ministro Tarso Genro (Justiça) de reabrir a Lei da Anistia para punir agentes do Estado que cometeram crimes de tortura durante o regime militar.
De acordo com a reportagem, houve, no Comando do Exército, um esforço minimizar a importância do evento.
A polêmica surgiu na semana passada depois de Tarso e Vannucchi defender a punição aos torturadores do período militar. Para ele e Paulo Vannucchi (Direitos Humanos), as discussões devem ser realizadas sob as óticas jurídica e política.
Tarso e Vanucchi classificaram os crimes cometidos na época da ditadura como comuns, uma vez que envolveram torturas, estupros e demais tipos de violência física e psicológica.
"É uma análise que deve ser baseada em uma visão universal: que é do extravasamento do mandato dado pelo Estado e a responsabilização do agente que extravasa esse mandato e comete tortura", disse Tarso, que participou de uma audiência pública promovida pelo Ministério da Justiça e pela Comissão de Anistia para discutir o assunto.
O debate sobre eventuais punições aos torturadores do período militar provocou uma série de polêmicas colocando em lados opostos os militares e os defensores da proposta. Para evitar o agravamento do mal-estar, o governo federal defendeu, por meio da Comissão de Anistia, a realização de audiências públicas com especialistas para tratar do assunto.
Reportagem da Folha revelou que as declarações dos dois ministros repercurtiram negativamente entre os militares. De acordo com a reportagem, o Exército vê a iniciativa de rediscutir o tema com desconfiança, mas a decisão é não aparentar defesa de torturador, colher o máximo de informações e não reagir, nem institucional nem individualmente.
Nas discussões internas dos militares, os comentários são mais ácidos contra o que oficiais chamam de "revanchismo" da esquerda oriunda da luta armada e que hoje tem importantes representantes no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, principalmente do PT. Nos comentários externos, porém, o tom é mais diplomático.
A orientação do Comando do Exército é a de "lembrar" que o objetivo da Lei de Anistia foi o de "conciliar e pacificar a sociedade brasileira" e que, quando o próprio governo fala em revisão, compromete esse objetivo.
Reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo" informa que os oficiais da reserva patrocinarão amanhã um seminário no Clube Militar do Rio de Janeiro para rebater as declarações de Tarso e Vannucchi.
Uma das idéias é exibir no seminário uma série de slides e informações sobre ministros de Estado e petistas ilustres que teriam um "passado terrorista". Entre os exemplos estariam Tarso, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e o ex-ministro José Dirceu.
Os militares, de acordo com a reportagem, se queixam do fato de pessoas que participaram da guerrilha na ditadura receberem indenizações agora e ainda aproveitarem para provocar a categoria com a proposta de punição dos torturadores daquele período.
Leia a matéria completa na Folha desta quinta-feira, que já está nas bancas.
Assine a Folha
p(tagline). Com Folha de S.Paulo
Leia mais
- Procuradoria quer pedir aos EUA abertura de arquivos secretos da ditadura militar no Brasil
- Após críticas de militares, Vannuchi diz que nunca pediu revisão da Lei da Anistia
- Jobim rebate Tarso e diz que Lei da Anistia não vai mudar
- Militares vêem "revanchismo" de esquerda em discussão sobre punição a torturadores
- Planalto quer estimular debate sobre punição a torturadores da ditadura
- Tarso e Vanucchi defendem punição a torturadores do período da ditadura
Livraria da Folha
- Livro revela detalhes da participação dos EUA na ditadura militar no Brasil
- Folha Explica a história do Brasil nas décadas de 60 e 70; leia capítulo
- Livro de Eugenio Bucci revela bastidores do poder em Brasília
- Livros abordam temas políticos, sociais e históricos e ajudam a entender o Brasil
- LIVRARIA: Veja livros sobre temas nacionais em promoção a partir de R$ 4,90
Especial


avalie fechar
avalie fechar
avalie fechar