Brasil
07/08/2008 - 08h50

Exército mobiliza-se para esvaziar ato de militares da reserva contra Tarso

da Folha Online

Reportagem de Eliane Cantanhêde, publicada na edição de hoje da Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal), informa que generais do Alto Comando do Exército se mobilizaram informalmente ontem para dissuadir colegas da ativa a comparecerem à manifestação de hoje no Clube Militar do Rio.

O ato é uma espécie de retaliação à tentativa do ministro Tarso Genro (Justiça) de reabrir a Lei da Anistia para punir agentes do Estado que cometeram crimes de tortura durante o regime militar.

De acordo com a reportagem, houve, no Comando do Exército, um esforço minimizar a importância do evento.

A polêmica surgiu na semana passada depois de Tarso e Vannucchi defender a punição aos torturadores do período militar. Para ele e Paulo Vannucchi (Direitos Humanos), as discussões devem ser realizadas sob as óticas jurídica e política.

Tarso e Vanucchi classificaram os crimes cometidos na época da ditadura como comuns, uma vez que envolveram torturas, estupros e demais tipos de violência física e psicológica.

"É uma análise que deve ser baseada em uma visão universal: que é do extravasamento do mandato dado pelo Estado e a responsabilização do agente que extravasa esse mandato e comete tortura", disse Tarso, que participou de uma audiência pública promovida pelo Ministério da Justiça e pela Comissão de Anistia para discutir o assunto.

O debate sobre eventuais punições aos torturadores do período militar provocou uma série de polêmicas colocando em lados opostos os militares e os defensores da proposta. Para evitar o agravamento do mal-estar, o governo federal defendeu, por meio da Comissão de Anistia, a realização de audiências públicas com especialistas para tratar do assunto.

Reportagem da Folha revelou que as declarações dos dois ministros repercurtiram negativamente entre os militares. De acordo com a reportagem, o Exército vê a iniciativa de rediscutir o tema com desconfiança, mas a decisão é não aparentar defesa de torturador, colher o máximo de informações e não reagir, nem institucional nem individualmente.

Nas discussões internas dos militares, os comentários são mais ácidos contra o que oficiais chamam de "revanchismo" da esquerda oriunda da luta armada e que hoje tem importantes representantes no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, principalmente do PT. Nos comentários externos, porém, o tom é mais diplomático.

A orientação do Comando do Exército é a de "lembrar" que o objetivo da Lei de Anistia foi o de "conciliar e pacificar a sociedade brasileira" e que, quando o próprio governo fala em revisão, compromete esse objetivo.

Reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo" informa que os oficiais da reserva patrocinarão amanhã um seminário no Clube Militar do Rio de Janeiro para rebater as declarações de Tarso e Vannucchi.

Uma das idéias é exibir no seminário uma série de slides e informações sobre ministros de Estado e petistas ilustres que teriam um "passado terrorista". Entre os exemplos estariam Tarso, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e o ex-ministro José Dirceu.

Os militares, de acordo com a reportagem, se queixam do fato de pessoas que participaram da guerrilha na ditadura receberem indenizações agora e ainda aproveitarem para provocar a categoria com a proposta de punição dos torturadores daquele período.

Leia a matéria completa na Folha desta quinta-feira, que já está nas bancas.

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p(tagline). Com Folha de S.Paulo

Comentários dos leitores
Mauricio Amaral (3) 09/10/2008 18h47
Mauricio Amaral (3) 09/10/2008 18h47
Pessoas do atual governo, que eram "militantes politicos" e atuavam na época da ditadura militar, como simples "marginais", e que praticaram inúmeros crimes comuns, desde sequestros, homicidios, assaltos, etc.. Mas por estarem atualmente no poder, agora fazem leis para propiciar indenizações milionárias aos "companheiros", mas até hoje, nunca ouvi falarem em qualquer tipo de indenização ao militar morto ou ferido em combate contra esses mesmos "militantes" ou até mesmo, para os familiares de pracinhas mortos ou feridos na guerra. Na minha opinião, essas indenizações milionárias e a postura do atual governo, simpesmente maculam a imagem daqueles que atuaram naquela época, por um verdadeiro ideal e não para obter um enriquecimento ilicito. Outro fato deveras absurdo, é querer a punição dos militares acusados da pratica de crime, mas como ficariam a punição dos militantes pelos crimes praticados? sem opinião
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cleiton leite coutinho (1) 01/10/2008 12h34
cleiton leite coutinho (1) 01/10/2008 12h34
Algumas pessoas buscam discutir a anistia sempre pelos valores financeiros e alegam com grande preocupação, o quanto custa a reparação aos que são julgados anistiados políticos pelo Ministério da Justiça. Precisamos nos atentar a alguns detalhes, nem toda pessoa considerada anistiada é indenizada, tem a comissão julgadora como critério para indenizar o anisiado um parametro legal que é o dispositivo constitucional e o diploma legal atinente a matéria. Outro ponto que devemos nos questionar e cobrar, é quanto que o Estado gastou nos anos de chumbo, usando verba licita de forma ilicita, para patrocinar praticas de tortura por soldados, oficiais, delegados e outros que estavam ali para proteger os entes do Estado e faziam ao contrário. Somando viaturas do DOPS, gasolina, dia dos centenas de policiais, grampos, telefone, energia para dar choques nos presos políticos e todo o aparelho do Estado colocado a disposição desse regime, alguém já questionou esses valores. Certamente não, pois iremos descobrir gente da alta nata que já se preocupa com a abertura dos arquivos desse regime cruel que hoje podem estar ocupando cargos de destaques na política e na sociedade em geral. Por todo exposto é que acredito que a discussão esta se dando de forma superficial e não como deveria no debate de idéias, mas sem omitir o passado do Estado, culpando pessoas que entregaram suas vidas para que pudessemos estar aqui hoje debatendo, manifestando a nossa opnião de forma democratica. 9 opiniões
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Paulo Castilho (1) 28/09/2008 02h35
Paulo Castilho (1) 28/09/2008 02h35
Digam aí os contemplados, valeu a pena tomar uns cascudos pra ganhar essa bolada, não é mesmo? Alguém sabe me dizer se a família do segurança de banco e a família do soldado assassinados pelo bando do Lamarca vão ganhar indenização? 12 opiniões
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