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Brasil
07/08/2008 - 13h55

Garibaldi diz que Senado irá romper contratos com empresas suspeitas de fraudes

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GABRIELA GUERREIRO
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), afirmou nesta quinta-feira que pretende romper os contratos firmados pela Casa Legislativa com empresas suspeitas de fraudes em licitações depois que o Senado formalizar a contratação de empresas substitutas, também por meio licitatório. Garibaldi disse que o edital para a contratação das novas empresas será divulgado em 60 dias, quando haverá o rompimento dos atuais contratos.

O senador nomeou o seu chefe de gabinete, Florian Madruga, para acompanhar os processos de contratação das novas empresas a fim de evitar novas fraudes. Garibaldi também pediu que o senador Romeu Tuma (PTB-SP) acompanhe as investigações em curso na Polícia Federal sobre as irregularidades nas licitações das empresas contratadas pelo Senado.

Tuma deve encaminhar a Garibaldi, no final das investigações, um relatório com detalhes sobre o trabalho da PF. "Se o relatório levantar que as suspeitas procedem, demissões serão feitas", afirmou Garibaldi.

O senador evitou, porém, criticar o senador Efraim Morais (DEM-PB) e o secretário-geral do Senado, Agaciel Maia, acusados de envolvimento no virtual esquema de fraudes em licitações na Casa. Garibaldi disse que não vai agir como "juiz" nem "condenaria ninguém". "Não podemos julgar, o processo de investigação está na 10ª Vara de Justiça, com oito indiciados", afirmou o peemedebista.

Reportagem publicada pelo jornal "Correio Braziliense" afirma que Efraim e Agaciel fecharam acordos com empresas prestadores de serviços no Senado para que ganhassem licitações em 2006. Segundo o jornal, transcrições de conversas levantadas pelo Ministério Público e a Polícia Federal apontam que Agaciel e Efraim foram citados por servidores do Senado como responsáveis pelas fraudes nas licitações.

O esquema, que ainda estaria em vigor, teria iniciado na gestão do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado. A reportagem afirma que gravações telefônicas feitas pela PF com autorização judicial mostram como as empresas Conservo, Ipanema e Brasília Informática conseguiram excluir concorrentes e vencer licitações na Casa Legislativa --supostamente com o aval da cúpula do Senado.

Defesa

Da tribuna do Senado, Efraim rebateu nesta quarta-feira as acusações sobre as fraudes. O primeiro-secretário pediu que a PF encaminhe ao Conselho de Ética do Senado a transcrição de supostos diálogos seus com acusados de envolvimento no esquema, caso encontre qualquer ligação com o seu nome.

"Se porventura houver algum diálogo meu com alguns dos denunciados, autorizarei que a Polícia Federal remeta esse conteúdo diretamente para o Conselho de Ética desta Casa e também que convoque entrevista coletiva e divulgue esse teor para todos os veículos de imprensa brasileira", afirmou.

Efraim disse que também vai solicitar à PF uma espécie de "devassa" em suas finanças pessoais para tentar encontrar indícios de enriquecimento em conseqüência do esquema de fraudes. Segundo o democrata, o Senado formaliza anualmente "dezenas" de contratos licitatórios que não são analisados "minuciosamente" pela primeira-secretaria da Casa.

"O que me cabe, e é algo de que nunca abri mão, é zelar para que cada contrato esteja de acordo com a lei, seguindo todos os trâmites legais, devidos, que represente a melhor opção em termos de custos e qualidade para os recursos públicos", disse.

No plenário, o senador recebeu o apoio de colegas como Aloizio Mercadante (PT-SP) e Demóstenes Torres (DEM-GO). "Não me parece que haja envolvimento concreto de Vossa Excelência [Efraim] nesse episódio. A única questão que me parece relevante para o Senado Federal, particularmente, é que acho que deveríamos suspender os contratos que foram renovados sem licitação, porque, se eles estavam sob suspeição e havia algum tipo de investigação, acho que seria mais prudente", disse Mercadante.

Comentários dos leitores
Nelson Vaughan (102) 12/11/2009 18h22
Nelson Vaughan (102) 12/11/2009 18h22
Acertou o STJ ao suspender os mandados de busca e apreensão, vez que, como se sabe, tais empreiteiras mandam no Brasil e ninguém tem peito de ir fundo nas acusações de corrupção. Então, para que perder tempo se no fim as investigações vão acabar em absolutamente NADA! Vamos economizar tempo e dinheiro, não é mesmo TSJ? sem opinião
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Rui Ruz Caputi Caputi (1757) 04/11/2009 23h56
Rui Ruz Caputi Caputi (1757) 04/11/2009 23h56
É inequívoco que toda licitacao no Brasil
esteja absolutamente viciada
sem opinião
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Igor Bevilaqua (713) 04/11/2009 19h44
Igor Bevilaqua (713) 04/11/2009 19h44
Se realmente essa quadrilha desviou(roubou) R$ 20.000.000,00..., é perca de tempo a polícia prendê-los..., a "JUSTIÇA" na mesma hora vai mandar soltar a todos..., nesse país, quem rouba muito não fica preso. sem opinião
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