Brasil
07/08/2008 - 17h46

Militares chamam discussão de Tarso sobre Lei da Anistia de desserviço ao país

ANDRÉ ZAHAR
colaboração para a Folha Online, no Rio

O presidente do Clube Militar, general da reserva Gilberto Figueiredo, classificou de "desserviço" ao país a discussão iniciada pelo ministro Tarso Genro (Justiça) sobre a revisão da Lei da Anistia. Na avaliação do militar, as declarações de Tarso repercutiram mal. O ministro minimizou as críticas do militar.

"[A discussão sobre a revisão da Lei da Anistia] Foi um desserviço para o país e para o próprio governo. Repercutiu mal, como um ato de revanchismo do ministro [Tarso]. Não vejo o governo Lula [do presidente Luiz Inácio Lula da Silva] envolvido nisso. O ministro Nelson Jobim [Defesa] se manifestou em sentido contrário", disse Figueiredo antes de iniciar um debate no Clube Militar para discutir a Lei de Anistia.

A discussão sobre a revisão da Lei da Anistia veio à tona depois que Tarso e o ministro Paulo Vanucchi (Direitos Humanos) defenderam punições a torturadores sob a interpretação que estes teriam praticado crimes comuns no período da ditadura militar --como estupros, homicídios e outros tipos de violência física e psicológica, incluindo a própria tortura.

Para o general, o país tem que "consolidar" a democracia e não "ficar de picuinha", "olhando pra trás". "Vivemos num país grande que se apequena com essas discussões", afirmou.

Antes de iniciar o debate, os militares leram uma mensagem assinada pelos presidentes dos clubes Naval, Militar e da Aeronáutica para cerca de 600 pessoas que estavam na platéia.

No documento, os militares sugerem que Tarso e Vanucchi deveriam discutir os escândalos que incluem integrantes da "cúpula governamental", inclusive a suspeita de envolvimento "de alguns deles" com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

"Se houvesse mesmo interesse em debater problemas nacionais, os dois ministros [Tarso e Vanucchi] deveriam optar por algo mais atual e que incomoda em maior intensidade: os inúmeros escândalos protagonizados por figuras da cúpula governamental ou, ainda mais recente, a gravíssima suspeita de envolvimento de alguns deles com as Farc", diz o manifesto dos militares.

Enquanto os militares discutiam a Leia da Anistia no Clube Militar do Rio, integrantes do grupo "Tortura Nunca Mais" e da UNE (União Nacional dos Estudantes) protestavam do lado de fora.

 

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