Dinheiro do suborno era de Dantas, diz réu
LILIAN CHRISTOFOLETTI
da Folha de S.Paulo
O professor Hugo Chicaroni, preso pela Polícia Federal sob a acusação de ter participado da tentativa de suborno de um delegado para beneficiar o banqueiro Daniel Dantas, disse ontem em juízo que parte do dinheiro apreendido na casa dele, R$ 865 mil, era do banco Opportunity e seria usado para pagar a propina ao policial.
O objetivo, afirmou, era garantir a exclusão de Dantas e de familiares dele num inquérito da PF, presidido pelo delegado Protógenes Queiroz. O valor total prometido foi US$ 1 milhão.
Dantas, que ficou ontem, pela primeira vez, frente a frente com o juiz federal Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal, manteve-se em silêncio -direito garantido ao réu.
Um dia antes também havia se calado o ex-presidente da Brasil Telecom e braço direito de Dantas, Humberto Braz, citado como outro emissário nas tratativas de suborno.
Chicaroni disse ao juiz que o dinheiro apreendido na casa dele, há um mês, quando foi deflagrada a Operação Satiagraha, foi entregue em diferentes remessas, sempre dentro de envelopes e a mando de Braz.
Afirmou que tudo começou quando foi procurado por emissários de Dantas, que sabiam da "amizade dele, de mais de sete anos", com Protógenes. Soube que o banqueiro estava preocupado com uma investigação do delegado. E foi na condição de "amigo" que disse ter apresentado Braz ao policial, a quem acusou de "traição".
Chicaroni diz que nos encontros não foi oferecido dinheiro e que o pedido veio do delegado Victor Hugo Ferreira, que trabalhava com Protógenes -a PF tinha autorização para simular a negociação, que foi filmada. A PF diz que a proposta partiu do grupo ligado a Dantas.
Chicaroni contou ainda que, após conseguir a aproximação de Braz com os policiais, obteve a promessa de apoio financeiro do Opportunity para um projeto educacional desenvolvido por ele. Disse que foi preso antes de receber qualquer valor.
Depois das quase três horas de interrogatório, Sanctis chamou Braz à sala de audiência para que Chicaroni confirmasse ser ele mesmo o emissário do dono do Opportunity, o que o professor confirmou.
A assessoria de imprensa da Justiça Federal informou que existia a possibilidade de o juiz pedir uma acareação entre os três, o que não ocorreu.
O advogado de Dantas, Nélio Machado, afirmou que aconselhou seu cliente a se manter em silêncio porque as conversas monitoradas pela PF sobre a propina não foram reproduzidas integralmente nos autos.
O procurador Rodrigo de Grandis, autor da denúncia, disse que considera surpreendente o fato de o banqueiro se calar. "Ele perdeu uma ótima oportunidade para se explicar."
No dia 14, o juiz ouvirá três testemunhas do Ministério Público Federal, entre elas Protógenes e Ferreira. Braz e Chicaroni são os únicos que continuam presos. Dantas teve duas vezes a prisão decretada. As duas foram cassadas pelo presidente do STF, Gilmar Mendes.
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O PJ solta e dá liberdade.
A PF desmonta esquema de corrupção, prende banqueiros e dinheiro.
O PJ solta e manda devolver os bens.
A PF investiga políticos, prende dinheiro, desmantela esquema de corrupção.
O PJ solto os acusados, devolve o dinheiro e diz, pode seguir roubando.
Até quando????
STF, esta tomando atitúdes arbitrárias e irresponsáveis, cadê o Dantas??? O cara é acusado de um esquema complexo de desvio de dinheiro, inclusive tem políticos envolvidos, ministros do prórpio STF e cada as punições????
Brasil, eita Brasil. Temos uma PF de alto padrão internacional, e temos um PJ de baixa qualidade chegando á péssima, pior que países mais pobres e menos instruidos.
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