Procurador eleitoral do Rio diz que Supremo se precipitou ao liberar "ficha suja"
ANDRÉ ZAHAR
colaboração para a Folha Online, no Rio
O procurador da República no Rio de Janeiro Rogério Nascimento, que responde pelas questões eleitorais no Estado, disse nesta sexta-feira que o STF (Supremo Tribunal Federal) se precipitou ao liberar candidatos com "ficha suja" na Justiça. Para Nascimento, a Suprema Corte deveria deixar a Justiça Eleitoral analisar casos concretos em vez de apenas decidir sobre uma tese.
"Acho que foi precipitação [do STF] decidir em tese, antes que se deixasse a eleição correr e os casos pudessem ocorrer e houvesse um acúmulo de debates a partir de discussões concretas, e não idéias", afirmou o procurador.
Nascimento participa hoje da 10ª Conferência Estadual dos Advogados, organizada pela OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil) do Rio.
"O que eu mais lamento é que a decisão tenha sido tomada no começo do processo eleitoral, antes que os casos fossem julgados", disse.
Na última quarta-feira, o STF decidiu que os candidatos com "ficha suja" estão livres para disputarem as eleições. No entendimento dos ministros da Suprema Corte, o que deve prevalecer é o princípio da presunção de inocência.
O procurador reconheceu que a decisão do STF deverá ser seguida pelos tribunais regionais e juízes de primeira instância, mas não considerou justo "abdicar de algo só por medo do mau uso" da "ficha suja".
"A decisão do STF vincula todos os órgãos do Judiciário. Do ponto de vista destas eleições, não cabe discussão. Não é possível indeferir registros de candidaturas fora do que está presente na Lei de Inelegibilidade."
Lei da Anistia
Nascimento preferiu não comentar a manifestação do Clube Militar contra a revisão a Lei de Anistia proposta pelo ministro Tarso Genro (Justiça) com o objetivo de punir os torturadores do regime militar. O procurador disse que o Clube é uma organização da sociedade civil e tem liberdade de expressão.
Porém, elogiou a iniciativa de procuradores paulistas que iniciaram a discussão. "É reconhecer que não se apaga a história", disse.
Sobre o uso de algemas, o procurador disse que o Poder Judiciário terá de rever muitos processos de pessoas que estavam algemadas durante o julgamento.
Leia mais
- Decisão do Supremo sobre "ficha suja" mancha o sistema eleitoral, diz PSOL
- Juíza do interior do Ceará considera que honestidade é critério de elegibilidade
- Jandira Feghali defende mobilização por "ficha limpa"; Molon discorda da decisão do STF
- TRE retira multa aplicada contra Kassab por propaganda institucional fora de prazo
- Serra viaja e evita encontro com Kassab em homenagem a Skaf
- TRE-SP decide permitir link em página de candidato para vídeos do YouTube
Livraria da Folha
- Acreditar que todos os políticos são corruptos é uma armadilha, diz Contardo Calligaris
- Frederico Vasconcelos ensina como investigar governos, empresas e tribunais
- Livro investiga como o eleitor brasileiro escolhe em quem vai votar
- Livro explica mudanças que marketing eleitoral trouxe às eleições; leia capítulo
- LIVRARIA: Veja livros sobre temas nacionais em promoção a partir de R$ 4,90
Especial



avalie fechar
Claro que sabemos que eles dedicam toda a atenção ao assunto e que devem estar muito tristes em não poder votar algo, que jogaria a maior parte deles na cadeia.
Mas a votação, já tem até data marcada:
30/02/2010...
avalie fechar
avalie fechar