Brasil
12/08/2008 - 04h48

Juízes e advogados defendem processos contra torturadores

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da Folha Online

Mais de cem juristas, advogados, juízes e promotores de todo o país assinaram um manifesto em apoio à decisão do Ministério da Justiça de discutir a possibilidade de processo por tortura durante a ditadura militar, informa nesta terça-feira a colunista Mônica Bergamo, em reportagem publicada pela Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

O manifesto, ratificado nesta segunda-feira (11), é uma reação à movimentação de militares da reserva que se reuniram no Clube Militar, no Rio de Janeiro, e atacaram a revisão da Lei da Anistia e o governo federal na semana passada.

O documento, intitulado de "Manifesto dos Juristas", afirma que o "processo de consolidação de nossa democracia" só "dar-se-á por concluído quando todos os assuntos puderem ser discutidos livremente". E destaca: "Crimes de tortura não são crimes políticos e sim, crimes de lesa-humanidade."

Para o ministro Nelson Jobim (Defesa), a possibilidade de punição para crimes de tortura já prescreveu. à Folha (íntegra para assinantes), Jobim disse que a tortura acabou com o fim da ditadura, em 1985, e só se tornou crime imprescritível com a Constituição de 1988.

A coleta de assinaturas deve prosseguir nesta terça-feira, segundo a Folha.

Lei da Anistia

Em reunião da coordenação política no Planalto, da qual participou o ministro Tarso Genro (Justiça), o assunto veio à tona. A controvérsia sobre a punição de torturadores da época da ditadura causou um mal-estar no governo, uma vez que os militares condenaram a proposta e criticaram duramente a disposição do governo em retomar a discussão.

A discussão sobre a revisão da Lei da Anistia surgiu depois que Genro e o ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) defenderam punições a torturadores sob a interpretação que estes teriam praticado crimes comuns no período da ditadura militar --como estupros, homicídios e outros tipos de violência física e psicológica, incluindo a própria tortura.

Tarso foi um dos defensores da punição aos torturadores. Tanto Tarso como Vannuchi se pronunciaram publicamente sobre o assunto durante debate promovido pela Comissão de Anistia (órgão ligado ao Ministério da Justiça), em Brasília.

Ainda em resposta ao ato dos militares, no Rio, ambos defenderam a abertura dos arquivos da ditadura. "Isso é uma necessidade, a história tem que ser conhecida por todo mundo", disse o ministro da Justiça.

Leia a coluna na Folha desta terça-feira, que já está nas bancas.

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Comentários dos leitores
Santos Júnior (134) 02/07/2009 23h47
Santos Júnior (134) 02/07/2009 23h47
Sr. Alcides Emanuelli, se o Sr ler um pouco mais verá que a "ditadura militar" não atrasou o progresso e desenvolvimento do país, muito pelo contrário. Só para dar alguns exemplos, durante o regime militar foram construídas as pontes da Amizade, Rio - Niterói, as barragens de Itaipú, Boa Esperança, Sobradinho, Tucuruí, construídos alguns estádios de futebol,a criação da EMBRAER, da EMBRATEL, do Funrural, do PIS/PASEP, do FGTS, da SUDAM, da SUDENE e etc.O "milagre econômico" do Governo Médici fez o Brasil crescer 11% ao ano.Mesmo com todas estas conquistas, nada justificaria um regime "fechado" à liberdade como foi este se os verdadeiros inimigos da nação não quisessem "cubanizar" o Brasil.Concordo com o Sr que nosso querido país está "entregue" e ventos gelados, Sr Emanuelli, ainda estão por vir.Isso é só o começo! sem opinião
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João Carlos Gagliardi (1580) 30/06/2009 19h07
João Carlos Gagliardi (1580) 30/06/2009 19h07
Muito estranha a afirmação deste ex-soldado, que a "Secretaria de Direitos Humanos e do Ministério da Justiça" não querem encontrar os corpos dos terroristas Araguaia.
O que estas pessoas MAIS querem é justamente o oposto disso.
Querem corpos, querem mídia, cobertura nacional e internacional, quanto maior a repercussão, melhor...
O objetivo dessa turma, não é nem um pouco humanitário acredito eu...
sem opinião
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Alcides Emanuelli (1332) 30/06/2009 14h11
Alcides Emanuelli (1332) 30/06/2009 14h11
Não sei como o homem não consegue comprender os regimes de interesses corporativistas.
Ditaduras existem ainda no mundo, são regimes que oprimem um povo, são regimes que previlegiam seus donos e o poder corportativistas.
O regime de ditadura dos militares muito comprometeram nosso progresso e desenvolvimento, e todos os regimes totalitarios comprometem o desenvolvimento, porque a liberdade é tolhida.
O regime que o outro grupo queria implantar o comunismo tambem seria uma ditadura mas como dizem uma ditadura de esquerda, sendo que a que existiu e venceu foi a de direita.
Para o povo era e foi uma violencia em dose dupla, de um lado o poder do exercito que estava constitucionalizado forte e organizado, do outro lado, intelectuais, estudantes, artistas, e outros que queriam tambem estar no Poder para deles tirarem seus proveitos.
Para o povo infelizmente um deles seria o vencedor e foi os militares, hoje ao contrario o outro lado venceu e esta no poder, tambem mostrando sua incompetencia como foi a dos militares.
E a Nação que deveria ser mais justa, menos sofrida, salva de todos as dificuldades socias como fica!
Fica ao lento ou ao vento para ir para onde ele a levar.
São ventos gelidos, fortes e incessantes que agredim a Nação a aos poucos vão destruindo toda e qualquer tentativa de se erguer, levantar suas vozes, para serem ouvidos e poderem gritar por liberdade.
Liberdade significa por fim a violencia, a reconstituição da familia brasileira.
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