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Brasil
12/08/2008 - 20h47

Câmara aprova MP que cria cargos e estrutura plano de carreiras na Abin

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Em meio à polêmica sobre a participação de agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na Operação Satiagraha, da Polícia Federal, a Câmara aprovou nesta nesta terça-feira a medida provisória que estrutura um novo plano de carreiras para os servidores da agência e cria cargos no órgão.

Deputados da base aliada do governo e da oposição retiraram do texto item que poderia permitir à Abin atuar como uma espécie de "polícia política", ao invés de trabalhar somente na área de inteligência do governo federal.

Os parlamentares retiraram do texto o artigo que permitia aos servidores da agência "colaborar de forma esporádica, de forma remunerada ou não, em assuntos da sua especialidade e devidamente autorizados pelo diretor-geral da Abin".

Na avaliação dos deputados, o artigo abre brechas para que os servidores da agência atuem fora da finalidade do órgão.

"O perigo é a Abin atuando como polícia política. Com esse texto, a Abin passa a ser polícia política nos moldes do que foi o SNI [Serviço Nacional de Informações] e a Gestapo [polícia da Alemanha nazista]", reagiu o deputado Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP).

Embora da MP tenha sido editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deputados da base aliada concordaram com a mudança no texto. "Vamos suprimir esse item para não deixar brechas", afirmou o deputado José Genoino (PT-SP).

Os parlamentares rejeitaram destaque da oposição que excluía do texto o artigo que cria 440 cargos efetivos no quadro de pessoal da agência. Com maioria no plenário, os governistas mantiveram o item no texto da MP.

Polêmica

Na semana passada, o delegado Protógenes Queiroz admitiu que a Operação Satiagraha contou com a colaboração de agentes da Abin. O delegado, responsável pelas investigações da Polícia Federal, negou porém que a agência tenha dado apoio logístico para a Operação Satiagraha --que investiga crimes financeiros e chegou a prender o banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito Celso Pitta e o financista Naji Nahas.

"Não teve participação da Abin enquanto instituição, mas de alguns membros da Abin. Alguns oficiais que mantêm relação de trabalho [com a PF] participaram. Nas interceptações telefônicas, só participam policiais federais", afirmou Protógenes em depoimento à CPI das Escutas Clandestinas.

Em ofício encaminhado à comissão, o diretor-geral da agência, Paulo Lacerda, se colocou à disposição dos parlamentares para prestar depoimento sobre a virtual participação de agentes da Abin na operação. A oposição havia prometido apresentar requerimento de convocação a Lacerda, mas o diretor se adiantou ao oferecer-se para prestar depoimento na CPI.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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