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Brasil
13/08/2008 - 15h29

Dantas nega envolvimento em ações de grampos telefônicos

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Em depoimento à CPI das Escutas Clandestinas da Câmara, o banqueiro Daniel Dantas negou nesta quarta-feira que tenha contratado a empresa Kroll para realizar escutas telefônicas clandestinas com o objetivo de investigar a empresa Telecom Itália --que disputou com o banco Opportunity o controle da Brasil Telecom.

Dantas disse que, ao contrário do que a imprensa "insiste em divulgar", não está envolvido em ações de grampos telefônicos.

"Na verdade, eu não contratei a Kroll. A Brasil Telecom contratou a Kroll, que investigou a Telecom Itália. Nesse processo não tem nenhum grampo telefônico. A Brasil Telecom contratou a Kroll pela sua competência internacional. A Kroll foi a mesma empresa que o Congresso contratou para investigar desvios na gestão Collor pelo PC Farias", afirmou.

Dantas disse que a Brasil Telecom, ao contratar a Kroll, tinha como objetivo descobrir o destino de recursos "desviados" da empresa. "Saíram US$ 800 milhões dos cofres da Brasil Telecom, foram para os cofres da Telefonica da Espanha. O objetivo era investigar se esses recursos teriam parado em destinos ilícitos. Até as investigações serem suspendidas, a Kroll não tinha provas de quem teria recebido [os recursos]", afirmou.

O banqueiro insinuou que a Telecom Itália foi responsável por grampos telefônicos ilegais no país no processo de venda da Brasil Telecom. "Quem fez grampo ilegal, ao que tudo indica, foi a Telecom Itália, que usou infra-estrutura no Brasil. Isso é alvo de investigação na Itália. Vários agentes da Telecom Italia confessaram que pagaram agentes para produzir escutas telefônicas e invasão de correspondências nossa e a pessoas a nós ligadas", disse o banqueiro.

Dantas afirmou que as denúncias sobre a suposta contratação da Kroll surgiram diante da disposição da Telecom Itália em impedir que o Opportunity adquirisse a Brasil Telecom. "Em 1999, o controle da Telecom Itália foi adquirido por um empresário que queria o controle da Brasil Telecom e iria usar de todos os meios para conseguir. A partir daí, começam as disputas societárias que acabaram envolvendo o governo, o Estado e a imprensa. Uma série de notícias e fatos foram criados para tentar criar dificuldades ao nosso lado, entre eles a acusação de que eu teria contratado a Kroll para investigar a Telecom Itália."

Dantas disse que o Citibank recomendou a contratação da Kroll, uma vez que o banco era um dos grandes clientes da empresa. O banqueiro afirmou ainda que todas as acusações de seu envolvimento em ações de grampos telefônicos são falsas. "Acho que essas informações tinham o propósito de produzir efeitos contrários ao nosso grupo numa disputa societária que se estendeu por vários anos sob o controle da Brasil Telecom", afirmou.

Escutas

Dantas e a ex-presidente da Brasil Telecom Carla Cico foram acusados da contratação dos serviços da Kroll Associates para investigar a Telecom Italia, empresa que disputa com o Opportunity o controle da Brasil Telecom.

Devido às denúncias de espionagem, a Polícia Federal começou a investigar a responsabilidade da Kroll e dos executivos da Brasil Telecom em possíveis ações ilegais.

A investigação da Kroll teria atingido funcionários do primeiro escalão do governo, como o ex-ministro Luiz Gushiken (Comunicação de Governo) e o ex-presidente do Banco do Brasil Cássio Casseb. A Kroll teve acesso a e-mails do ministro antes de ele assumir a pasta. Já Casseb foi monitorado antes e depois de assumir o cargo.

Outro lado

A Kroll divulgou nota refutando "as declarações e acusações divulgadas durante a CPI de que a empresa realizava 'escutas telefônicas clandestinas' em 2004". "Sobre tais afirmações descabidas a empresa reitera que nunca participou de atividades de espionagem, incluindo escutas telefônicas e "invasão de e-mails"", diz a nota.

Na nota, a empresa diz que a própria PF "emitiu um laudo confirmando que o equipamentos de propriedade da empresa encontrados em 2004 servem para eliminar escutas telefônicas, e com relação aos e-mails, a Kroll nunca foi acusada de invadir e-mails e nunca praticou tal atividade". "A Kroll está à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos."

Em nota, a Telecom Itália nega as acusações de Dantas. "A atual diretoria da Telecom Itália está tomando as medidas necessárias para pleno esclarecimento dos fatos à sociedade. A administração da Telecom Itália, que assumiu em dezembro de 2007, está tomando ciência da questão e se coloca à disposição para colaborar com as autoridades e chegar à verdade dos fatos."

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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