Dantas nega tentativa de suborno de delegado da PF para escapar de investigação
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Em depoimento à CPI das Escutas Clandestinas da Câmara, o banqueiro Daniel Dantas negou nesta quarta-feira ter articulado com o ex-presidente da Brasil Telecom Humberto Braz a tentativa de suborno a um delegado da Polícia Federal para beneficiá-lo na Operação Satiagraha. "Eu não tive contato com este assunto [propina] com o senhor Humberto Braz", disse.
Dantas confirmou sua ligação com Braz ao afirmar que o ex-presidente da Brasil Telecom prestou consultorias em uma série de serviços para o grupo Opportunity. "Ele negociou para nós a venda da Brasil Telecom para a Telemar, havia operações que tomava conta, nos prestava uma série de serviços. A relação é a mesma, continua nos prestando serviços."
| Lula Marques/Folha Imagem |
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No depoimento à CPI, Dantas confirmou que o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh telefonou para o chefe-de-gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, para levantar informações sobre uma suposta ação da Polícia Federal sobre o banqueiro --que, de fato, se configurou na Operação Satiagraha.
Segundo Dantas, a desconfiança sobre a ação da PF ocorreu depois que Braz relatou que teria sido seguido. "Fui de que o Humberto Braz detectou que tinha sido seguido e ficou preocupado com assalto, seqüestro. Ele fez uma ocorrência na polícia de que foi até o carro do suspeito [de tê-lo seguido] e que era de um delegado de Minas, a serviço da Abin. O Greenhalgh disse depois que tinha ligado [para Carvalho] para saber o motivo", afirmou.
Dantas disse que contratou Greenhalgh para negociar contratos com fundos de pensão. O ex-deputado teria lhe informado que telefonou para Carvalho com o objetivo de saber o motivo de Braz ter sido seguido. "Ele me disse, depois, que tinha ligado [para alguém do governo] para saber o motivo."
Dantas afirmou que alertou Greenhalgh sobre "rumores" de que a Operação da PF poderia ter como objetivo dificultar a venda da Brasil Telecom. "O deputado Greenhalgh trabalhou para nós uns seis meses ou mais. Ele me foi apresentado pelo Guilherme Sodré e poderia ser útil em negociação com fundos de pensão", disse.
O banqueiro disse que, apesar de Greenhalgh ter sido contratado para negociar a venda da Brasil Telecom para a Telemar, ficou à serviço da empresa mesmo com o negócio tendo sido fechado pela Oi.
Depoimento
Apesar de ter conquistado no STF (Supremo Tribunal Federal) um habeas corpus que lhe permite ficar calado no depoimento à CPI, Dantas não se recusou até agora a responder nenhum dos questionamentos dos integrantes da comissão. O banqueiro vem recorrendo sistematicamente ao seu advogado Nélio Machado antes de responder às perguntas dos parlamentares.
No depoimento, Dantas acusou o diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Paulo Lacerda, de ter articulado a Operação Satiagraha com o objetivo de prejudicá-lo em represália a um suposto dossiê que Dantas teria divulgado contra o ex-diretor da PF.
Dantas disse que Lacerda agiu em "retaliação" à publicação de uma reportagem com informações de que o diretor da Abin teria contas no exterior --o que teria sido revelado por Dantas.
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