Brasil
13/08/2008 - 19h09

À CPI, Dantas diz que Protógenes queria investigar filho do presidente Lula

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Em conversa com o banqueiro Daniel Dantas na primeira vez em que foi preso pela Operação Satiagraha, o delegado Protógenes Queiroz teria manifestado a intenção de investigar o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito da operação. A informação foi dada hoje por Dantas durante depoimento à CPI das Escutas Clandestinas da Câmara.

O banqueiro disse que Protógenes lhe afirmou, na conversa, que "ia até o fim" na Operação Satiagraha para apurar irregularidades --o que incluía a investigação sobre o filho do presidente Fabio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.

"Ele disse que ia investigar a venda da Brasil Telecom para a Telemar e, se fosse necessário, ia até o fim e ia investigar o filho do presidente Lula", afirmou.

A Telemar é suspeita de injetar R$ 5 milhões na empresa Gamecorp, de propriedade de Fabio Luís. Em 2004, a Telemar investiu o montante para virar sócia minoritária da Gamecorp. O valor correspondia a 96% do capital social da empresa, que era de R$ 5,2 milhões.

O banqueiro negou qualquer relação administrativa ou financeira com o filho de Lula. "Não conheço o filho do presidente Lula, apesar da mídia ficar circulando de que ele é meu sócio em atividades perdulárias. Ele não é meu sócio em nada."

Dantas disse acreditar que Protógenes trabalhou ao seu "desfavor" no comando da Satiagraha. "Essa situação é toda muito estranha. É dito que é uma investigação criminal, que tem presidente da República, ministro do Supremo, diretor da Abin. Se estivesse a cúria do vaticano com o Papa para discutir a preguiça como pecado capital, o que é mais importante nisso? É a preguiça? Tem algo mais aí", afirmou Dantas.

Conselhos

Na conversa com Protógenes, Dantas disse que também recebeu alguns "conselhos" do delegado. O primeiro deles seria evitar conversas com a imprensa sobre a Operação Satiagraha e sua prisão. Outra seria evitar trazer para o Brasil materiais da investigação realizada pelo governo italiano sobre o processo de venda da Brasil Telecom.

O banqueiro disse acreditar que o objetivo da Operação Satiagraha não era prejudicá-lo pessoalmente, mas evitar a venda da Brasil Telecom. "Eu passei a observar que era uma facção, não era o governo. Era facção que tinha interesse específico em relação a esse assunto das telecomunicações. Eu não acho que [o governo] queria me prejudicar, queria a Brasil Telecom."

Dantas disse que identificou entre os integrantes do governo responsáveis em prejudicar a venda da empresa telefônica os ex-ministros Luiz Gushiken (Comunicação de Governo), Antonio Palocci (Fazenda) e José Dirceu (Casa Civil).

Comentários dos leitores
Nelson Vaughan (107) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (107) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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jeferson pereira maciel (1) 18/11/2009 19h57
jeferson pereira maciel (1) 18/11/2009 19h57
É uma falta de respeito com nos paraence o que o Bancario esta fazendo. nosso estado não deve se cala diante de tanta omilhação, temos que nos valorizar, somos pequenos diante dele mas somos capazes. 2 opiniões
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Comentarista Brasil (88) 17/11/2009 12h41
Comentarista Brasil (88) 17/11/2009 12h41
Em qualquer país decente do mundo um delegado como esse que foi afastado já estaria preso. Mas no Brasil parece que ele vai virar herói, no que depender, é claro, dos paladinos da moralidade (alheia, é claro). No mais, parabéns ao STF e ao CNJ, que têm corrigido os delírios de alguns juízes que ainda pensam ser deuses, mas estão aprendendo, em público e para o país todo ver, que manda quem pode e obedece quem tem juízo. É isso, simples assim, queiram ou não algumas viuvinhas. 15 opiniões
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