À CPI, Dantas diz que Protógenes queria investigar filho do presidente Lula
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Em conversa com o banqueiro Daniel Dantas na primeira vez em que foi preso pela Operação Satiagraha, o delegado Protógenes Queiroz teria manifestado a intenção de investigar o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito da operação. A informação foi dada hoje por Dantas durante depoimento à CPI das Escutas Clandestinas da Câmara.
O banqueiro disse que Protógenes lhe afirmou, na conversa, que "ia até o fim" na Operação Satiagraha para apurar irregularidades --o que incluía a investigação sobre o filho do presidente Fabio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
"Ele disse que ia investigar a venda da Brasil Telecom para a Telemar e, se fosse necessário, ia até o fim e ia investigar o filho do presidente Lula", afirmou.
A Telemar é suspeita de injetar R$ 5 milhões na empresa Gamecorp, de propriedade de Fabio Luís. Em 2004, a Telemar investiu o montante para virar sócia minoritária da Gamecorp. O valor correspondia a 96% do capital social da empresa, que era de R$ 5,2 milhões.
O banqueiro negou qualquer relação administrativa ou financeira com o filho de Lula. "Não conheço o filho do presidente Lula, apesar da mídia ficar circulando de que ele é meu sócio em atividades perdulárias. Ele não é meu sócio em nada."
Dantas disse acreditar que Protógenes trabalhou ao seu "desfavor" no comando da Satiagraha. "Essa situação é toda muito estranha. É dito que é uma investigação criminal, que tem presidente da República, ministro do Supremo, diretor da Abin. Se estivesse a cúria do vaticano com o Papa para discutir a preguiça como pecado capital, o que é mais importante nisso? É a preguiça? Tem algo mais aí", afirmou Dantas.
Conselhos
Na conversa com Protógenes, Dantas disse que também recebeu alguns "conselhos" do delegado. O primeiro deles seria evitar conversas com a imprensa sobre a Operação Satiagraha e sua prisão. Outra seria evitar trazer para o Brasil materiais da investigação realizada pelo governo italiano sobre o processo de venda da Brasil Telecom.
O banqueiro disse acreditar que o objetivo da Operação Satiagraha não era prejudicá-lo pessoalmente, mas evitar a venda da Brasil Telecom. "Eu passei a observar que era uma facção, não era o governo. Era facção que tinha interesse específico em relação a esse assunto das telecomunicações. Eu não acho que [o governo] queria me prejudicar, queria a Brasil Telecom."
Dantas disse que identificou entre os integrantes do governo responsáveis em prejudicar a venda da empresa telefônica os ex-ministros Luiz Gushiken (Comunicação de Governo), Antonio Palocci (Fazenda) e José Dirceu (Casa Civil).
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