Em SP, Dantas diz que Protógenes quer criar dificuldades
MARINA NOVAES
colaboração para a Folha Online
O banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, chegou às 09h05 desta quinta-feira à Justiça Federal em São Paulo, onde três testemunhas de acusação serão ouvidas pelo juiz federal Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal.
As testemunhas do caso envolvendo o banqueiro são os delegados Protógenes Queiroz e Victor Hugo e o escrivão da Polícia Federal Amadeu Ranieri Bellomusto. "Ele [Protógenes] tem um objetivo. Acho que não é pessoal, ele quer criar dificuldades", disse Dantas.
O banqueiro é acusado, com mais dois suspeitos --Hugo Chicaroni e Humberto Braz--, de corrupção ativa por suposta tentativa de subornar um delegado da Polícia Federal para livrá-lo de investigações da Operação Satiagraha.
Irritado, o advogado de Dantas, Nélio Machado, afirmou que a Polícia Federal e o Ministério Público barraram a entrada da defesa na audiência de hoje. "Os advogados são barrados quando a audiência estava marcada para as 9h. Isso é uma abuso de poder. Isso revela que o ambiente que permeia essa causa parece ter um destino já estabelecido por uma posição pré-ordenada, pré-concebida e de má vontade."
Machado havia dito à Folha Online que De Sanctis propôs a Dantas que ele fale hoje antes da audiência para ouvir as testemunhas de acusação. No entanto, o advogado descartou a hipótese. "Se eu tinha dúvidas sobre se meu cliente iria silenciar hoje, a dúvida acabou agora. [...] O processo está marcado por ilegalidades e abusos."
A Polícia Federal e a defesa de Dantas confirmou que Humberto Braz, braço direito de Dantas, também está presente na audiência.
Já o advogado de Chicaroni, Alberto Carlos Dias, chegou por volta das 10h à Justiça Federal. Ele negou que seu cliente tenha tentado subornar o delegado, e afirmou que Protógenes usou a amizade deles de cerca de oito anos para criar essa situação. "[Chicaroni] foi o único que falou e é o único que continua preso", disse a defesa.
Segundo a PF, Chicaroni dissera em depoimento que o dinheiro encontrado em seu apartamento durante a Operação Satiagraha (cerca de R$ 1,2 milhão) seria dado a ele por representantes do Opportunity. A PF diz que o valor era destinado à tentativa de suborno do delegado da corporação.
Hoje, Dias reafirmou que os delegados pediram o dinheiro. Segundo ele, R$ 50 mil eram de um amigo de Chicaroni e seu cliente estava apenas guardando. O restante, no entanto, o advogado não soube dizer de quem era.
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