Não convém cantar vitória antes da hora, diz FHC sobre eleições
da Folha Online
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta quinta-feira que o PSDB e os partidos de oposição vão se sair muito bem nas eleições municipais de outubro. Porém, na avaliação do presidente, não convém "cantar vitória" antes da hora. Para o ex-presidente, o resultado das eleições será um "bom indicador" para medir o "pulso" dos tucanos para 2010.
"Acho que o PSDB e a oposição vão sair muito bem nas próximas eleições, principalmente nas capitais e grandes cidades, que é onde se forma uma opinião pública mais independente. Vamos esperar. Não convém cantar vitória antes da hora. Vamos esperar os resultados e ver quantos prefeitos de capital o PT irá fazer e quantos nós faremos. Aí sim será um bom indicador. E poderemos medir nosso pulso para as eleições de 2010", afirmou FHC, em entrevista à rádio tucana.
Questionado sobre um suposto convite que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria feito a ele para um jantar, FHC disse que tem boas relações com o seu sucessor, mas ressaltou que o convite nunca foi feito.
"Nunca foi feito [o convite]. Ele sempre diz isso [diz que vai convidar], mas nunca concretiza. Como todo o Brasil sabe, tenho relações pessoais boas com o presidente Lula, normais. Então, não acho que seja necessário que o jornal fique dizendo que vou almoçar ou vou jantar quando, na verdade, não existe convite algum", afirmou.
O ex-presidente classificou como "interferência indevida" a possibilidade de Lula ter tentado influenciar a condução da política de juros. Na avaliação de FHC, o atual governo "jamais" aceitou que o Banco Central pudesse funcionar de acordo com regras próprias.
"É um governo que interfere, ou seja, a política cruza tudo. A política é muito importante, deve definir as estratégias, os rumos do país, mas, no dia-a-dia, quando a política cruza tudo, acaba havendo interferência indevida", disse.
PAC
FHC também criticou os gastos públicos do atual governo, o que para ele poderá resultar em "muitíssimas" dificuldades para o sucessor de Lula. Segundo o ex-presidente, o próximo governo terá que fazer um "aperto nos gastos", uma vez que o cenário mundial estará pior do que o atual. "Será uma herança pesada para o próximo governo. Ainda há tempo de se frear os gastos correntes", afirmou.
"A taxa de investimento é baixa no Brasil, o investimento público continua baixo, apesar de todas as propagandas do PAC [Plano de Aceleração do Crescimento], que eu chamo de Plano de Aceleração da Comunicação, porque mais fala do que faz", disse.
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