Usina diz que não foi comunicada de resgate de trabalhadores no Espírito Santo
da Agência Folha
O presidente e sócio da Infinity Bio-Energy, Sérgio Thompson-Flores, diz que não foi feito pela Superintendência Regional do Trabalho do Espírito Santo nenhum comunicado de resgate de trabalhadores e que as demissões ocorreram por iniciativa da empresa.
Segundo ele, as demissões dos referidos trabalhadores foram feitas nos dias 3, 8 e 17 de julho --os resgates, segundo o grupo móvel, foram feitos nos dias 17 e 30. A empresa nega que tenha cometido fraude nos avisos prévios e diz que foi ela quem chamou a regional do Trabalho apenas para avalizar os desligamentos.
"Como brasileiro, quando vejo isso fico entristecido. Pessoas lá fora que têm interesses econômicos comemoram o fato de haver essa caracterização [de resgate] totalmente desproporcional ao que pode ter acontecido. Isso dá ferramentas a eles, para que façam ataques totalmente injustos. Eles imaginam que há trabalho escravo no Brasil com pessoas acorrentadas, que não podem sair do ambiente do trabalho, sem receber", afirma.
Thompson-Flores diz que a Infinity assumiu formalmente as duas unidades há pouco tempo --uma delas há menos de um mês-- e que, por isso, não foi possível fazer todos os ajustes.
"Claro que não deu tempo de adequar tudo a nosso modo. É um processo. Mas há manuais de procedimento. Vamos apurar nos mínimos detalhes o que foi levantado. Se houve alguma irregularidade, haverá demissão sumária. Vamos estabelecer agora um procedimento para fiscalizar e estabelecer padrões de comportamento para que não exista isso."
Segundo ele, a preocupação da empresa é tanta que há padrões estabelecidos até acima do que a lei determina.
Tanto Thompson-Flores como Jean Gerard Lesur, COO (chief operating officer, ou executivo-chefe) da Infinity, rebatem os pontos da fiscalização. "A refeição é feita sempre por turno. E, em cada período, há mesa para todos. Os ônibus são todos equipados com geladeiras e a comida é servida quente", diz Lesur.
Segundo ele, há banheiros portáteis no campo e os novos ônibus têm, inclusive, sanitários acoplados, "com sabonete líquido e tudo".
Sobre a retenção das carteiras, Thompson-Flores diz que não havia motivo para isso. "Qual o objetivo da empresa em pedir para alguém segurar um trabalhador em um período que não tinha nenhuma intenção de contar com ele, já que a colheita não havia começado ainda?", questiona.
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