Brasil
16/08/2008 - 08h01

Delegado da PF vai ter que explicar à Justiça uso de algemas em operação em MT

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RODRIGO VARGAS
da Agência Folha, em Cuiabá

O juiz Marcelo Machado, substituto da 2ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso, intimou o delegado Luciano de Azevedo Salgado, da Polícia Federal, a prestar esclarecimentos sobre o uso de algemas na prisão de suspeitos de envolvimento com o esquema de corrupção que foi alvo da Operação Dupla Face, na terça.

A convocação se deu em razão do pedido de habeas corpus impetrado anteontem pela defesa de nove dos presos, no qual, além da libertação dos suspeitos, se pede o trancamento da ação penal que deu origem à operação com base no texto da 11ª súmula vinculante, editada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que limita o uso de algemas a casos de "justificada excepcionalidade".

"Todos foram algemados, expostos ao ridículo, em frente aos seus familiares, vizinhos e populares que passavam no momento de suas prisões e nos locais por aonde iam passando", apontaram os advogados, no pedido de habeas corpus.

A defesa aponta ainda que o objetivo da PF foi proporcionar uma "espetacular demonstração de força ante humilhação dos presos [...] e ainda proporcionando aos holofotes das câmeras de televisão a degradante cena de humilhação para induzir a opinião da sociedade".

Na PF em Cuiabá, a reportagem não conseguiu contato com o delegado ou com a assessoria de imprensa. No dia da operação, o delegado Oslaim Campos Santana, superintendente da PF em Mato Grosso, disse que o uso de algemas está previsto no manual da corporação. Ele disse considerar também que a medida é "segura" para policiais e presos.

"Depois que você fala que uma pessoa está presa, você não sabe o que passa na cabeça dela, não sabe como ela vai reagir. Então é para a segurança dele e do policial. É a cela inicial do preso", disse Santana.

No dia seguinte à operação, os ministros do STF aprovaram as restrições ao uso das algemas. "O que estarrece é que, diante de uma decisão tomada pela Corte Suprema, um delegado da PF desqualifique a decisão, entendendo que é normal o uso de algemas", disse o ministro Carlos Alberto Menezes Direito.

Segundo a assessoria de imprensa da Justiça Federal, o delegado deverá comparecer para prestar esclarecimentos até depois de amanhã.

Comentários dos leitores
Nelson Vaughan (107) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (107) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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jeferson pereira maciel (1) 18/11/2009 19h57
jeferson pereira maciel (1) 18/11/2009 19h57
É uma falta de respeito com nos paraence o que o Bancario esta fazendo. nosso estado não deve se cala diante de tanta omilhação, temos que nos valorizar, somos pequenos diante dele mas somos capazes. 2 opiniões
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Comentarista Brasil (88) 17/11/2009 12h41
Comentarista Brasil (88) 17/11/2009 12h41
Em qualquer país decente do mundo um delegado como esse que foi afastado já estaria preso. Mas no Brasil parece que ele vai virar herói, no que depender, é claro, dos paladinos da moralidade (alheia, é claro). No mais, parabéns ao STF e ao CNJ, que têm corrigido os delírios de alguns juízes que ainda pensam ser deuses, mas estão aprendendo, em público e para o país todo ver, que manda quem pode e obedece quem tem juízo. É isso, simples assim, queiram ou não algumas viuvinhas. 15 opiniões
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