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Brasil
16/08/2008 - 10h05

Defesa de Dantas quer que delegados sejam investigados

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LILIAN CHRISTOFOLETTI
da Folha de S.Paulo

Advogados do banqueiro Daniel Dantas e de outros dois réus, acusados de tentar subornar um delegado da Polícia Federal para que o banqueiro e familiares dele fossem excluídos de uma investigação, querem que os investigadores da Satiagraha sejam investigados.

Anteontem, durante audiência com o juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, o advogado Alberto Carlos Dias, que defende Hugo Chicaroni --tido como um dos intermediários de Dantas na tentativa de suborno--, pediu a quebra do sigilo telefônico dos delegados Protógenes Queiroz e Victor Hugo Ferreira.

"Nosso objetivo é mostrar que foram os policiais que ligaram para o meu cliente. Foram eles que pediram o dinheiro, houve uma indução dos agentes federais para a ocorrência de um crime", diz Dias. Pela jurisprudência, se houve indução do agente inquisidor para ocorrência do delito, não há crime.

Na denúncia (acusação formal) apresentada à Justiça, o procurador Rodrigo de Grandis diz que intermediários de Dantas recorreram a Chicaroni para buscar uma aproximação com o policial. Após receber o primeiro telefonema do grupo, Protógenes conseguiu autorização da Justiça para simular uma negociação. Todos os encontros e as conversas telefônicas foram gravados.

Num dos diálogos, Chicaroni diz ao delegado que Dantas "era da alçada de US$ 1 milhão", valor total oferecido aos delegados. O policial, então, pergunta o que deveria fazer em troca, se deveria "abafar o caso". Chicaroni responde que ele teria de afastar Dantas, a irmã Verônica e o filho dela da investigação.

O Ministério Público e a PF informam que "fica claro" nos diálogos que a proposta de suborno partiu dos supostos intermediários do banqueiro. O advogado de Dantas, Nélio Machado, por sua vez, pediu anteontem na Justiça que os delegados fossem considerados "parciais" e as declarações deles, considerados nulas. Protógenes e Victor Hugo são testemunhas do Ministério Público.

Ele também pediu o afastamento de Sanctis do caso, por considerá-lo parcial.

O Ministério Público informou ontem que o órgão não comenta estratégias de defesa.

Os advogados de Dantas pediram a Sanctis o acesso à gravação das mais de três horas de conversas entre Protógenes e integrantes da cúpula da PF. A reunião, em 14 de julho, na sede da PF em São Paulo, antecedeu o anúncio do desligamento do delegado do caso.

Segundo Machado, a defesa de Dantas teria direito a ter acesso às fitas porque, potencialmente, as conversas abordariam temas relativos à causa.

Uma versão editada das gravações foi divulgada pela PF quatro dias depois da reunião. Os trechos foram selecionados direção da PF.

Colaborou ROBERTO MACHADO, da Folha de S.Paulo, no Rio

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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