Diretor da Abin depõe nesta quarta-feira à CPI dos Grampos
da Folha Online
O diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Paulo Lacerda, vai prestar depoimento à CPI das Escutas Clandestinas da Câmara nesta quarta-feira (20).
O presidente da comissão, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), marcou a audiência com Lacerda depois que ele se colocou à disposição dos parlamentares para prestar esclarecimentos.
Lacerda teve a iniciativa porque pretende esclarecer denúncias de que a Abin teria monitorado o gabinete do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, durante a Operação Satiagraha, da Polícia Federal.
O depoimento do diretor da agência de inteligência do governo ganhou mais força na semana passada, quando o banqueiro Daniel Dantas disse à CPI que Lacerda teria "armado" a Operação Satiagraha --a qual ele já comandou-- em represália a um suposto dossiê montado pelo banqueiro com informações sobre contas dele no exterior.
A Folha Online apurou que Lacerda quer explicar aos integrantes da CPI detalhes sobre a atuação da agência em operações policiais, além de negar o grampo no gabinete de Mendes. O diretor da Abin ainda tem como objetivo refutar as acusações de Dantas no que diz respeito à "armação" da Operação Satiagraha --que era o diretor-geral da PF no período em que as investigações tiveram início.
"É bom que ele [Lacerda] se antecipe porque evita a convocação. É interessante também porque vai poder explicar algumas das denúncias feitas pelo Daniel Dantas à CPI", disse o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR).
Em depoimento à CPI, o delegado Protógenes Queiroz confirmou que agentes da Abin participaram da Operação Satiagraha, embora não tenham dado "apoio logístico" aos agentes da PF. O delegado, responsável pela operação, negou que a agência tenha auxiliado os policiais no que diz respeito à execução de escutas telefônicas.
Acareação
O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) defende a realização de acareação de Protógenes com Dantas, para que os dois apresentem suas versões sobre a Satiagraha.
Segundo Jungmann, o banqueiro levantou dúvidas que têm que ser respondidas pelo delegado --por isso a necessidade de colocá-lo frente a frente com Dantas.
Fruet discorda da acareação ao afirmar que o depoimento de Lacerda poderá esclarecer dúvidas sobre a suposta "armação" da Operação Satiagraha pelo diretor da Abin. "Eu espero que Paulo Lacerda explique sobre as questões levantadas por Dantas. Por enquanto, não há necessidade, ao meu ver, de uma acareação."
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