Brasil
18/08/2008 - 16h23

PF critica restrição ao uso de algemas, mas vai adequar manual de conduta à decisão do STF

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Correa, criticou nesta segunda-feira a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de limitar o uso de algemas no país. Apesar de garantir que a PF vai cumprir a determinação do tribunal, Correa disse que a algema é o "símbolo" do cumprimento da ordem do Estado que decretou a prisão de um criminoso --além de ressaltar que todos os países do mundo utilizam algemas em prisões.

"Com certeza é uma restrição a uma prática histórica, consagrada e bem sucedida de segurança. Nós não temos incidentes de pessoas pós-algemadas com lesões. Onde há pessoas conduzidas sem algemas é que, via de regra, temos problemas quanto à integridade, a efetivação da prisão e às vezes até de violência policial", disse.

Correa afirmou que, nos próximos 15 dias, a Polícia Federal vai discutir medidas para cumprir a súmula do STF que limita o uso de algemas a casos como aqueles em que o preso ofereça resistência à prisão ou coloque em perigo o policial ou outras pessoas. O diretor sinalizou, no entanto, que a PF pretende continuar a utilizar algemas quando julgar necessário em operações de risco.

"O cenário vai continuar sendo este, a observância estrita da lei e a segurança que é a razão de ser de uma instituição policial", disse.

Até a definição de medidas na Polícia Federal para a aplicação da decisão do STF, Correa disse que os agentes policiais vão seguir uma cartilha, distribuída aos comandantes de operações, para que cumpram a determinação do Supremo.

"Vamos observar a súmula [do STF], que é obrigação nossa, mas estamos fazendo a adequação nos nossos procedimentos porque temos que conciliar a súmula com a necessária segurança das operações. Segurança da operação significa segurança do preso, policial e de terceiros."

O diretor da PF disse que a reação de um preso é "imprevisível" ao justificar o uso de algemas em operações policiais. "O cidadão nasceu para ser livre. Quando tem um decreto judicial da sua prisão, eu desafio alguém que possa objetivamente determinar como essa pessoa vai proceder. É um instinto da pessoa que é imprevisível. A Polícia Federal e as polícias do Brasil e do mundo utilizam as algemas como regra de segurança. Toda polícia do mundo usa algemas."

Mesmo com a disposição de cumprir a súmula do STF, Correa disse que a Polícia Federal, como um órgão de segurança, vai "garantir a integridade de quem está preso, de quem está trabalhando e dos terceiros inocentes em torno desta operação".

Na semana passada, o STF aprovou a súmula vinculante que limita o uso de algemas a casos excepcionais: quando o preso oferecer resistência à prisão ou colocar em perigo o policial ou outras pessoas. A decisão também estabelece a aplicação de pena quando o uso de algemas causar constrangimento moral ou físico ao preso.

Abusos

O diretor negou que a Polícia Federal tenha cometido "abusos" no uso de algemas, o que poderia ter motivado a decisão dos ministros do STF. "Não há abuso da parte da Polícia Federal em qualquer sentido. A Polícia Federal cumpre lei, cumpre norma, e cumpre uma diretriz de respeito à dignidade humana. Até mesmo com grupos violentos temos feito prisões sem necessariamente disparar tiros ou empregar forças. Quando é necessário, fica tão flagrante e documento e é justificada como manda a lei. Não é nenhum favor nosso agirmos assim", afirmou.

A discussão sobre o uso de algemas foi acirrada nas últimas semanas em decorrência das várias críticas sobre a prisão dos envolvidos na Operação Satiagraha, realizada pela Polícia Federal. Na prisão dos acusados, o banqueiro Daniel Dantas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta foram filmados e fotografados com algemas.

Comentários dos leitores
Israel Leibnitz (19) 06/02/2009 17h38
Israel Leibnitz (19) 06/02/2009 17h38
A lei e para todos para meus parentes, para os parentes dele, do Gilmar Mendes, do Lula, etc. Quando meus parentes infringirem a Lei, com certeza vão em cana! Pois os valores para recorre as cortes superiores é caro! PObre não recorre ao STF ou STJ. Os que recorrem emtram em uma fila e na morosidade do judiciario! Duvido que a uma pessoa que é acusada de roubar uma lata de lei tenha esse privilegio! Passa semana na cadeia como a pixadora! SE fosse o Daniel Dantas estava livre e solto! Queria saber quem me contesta! existe diferença entre a pixadora e o DAniel Dantas! So se for a cordos olhos e da conta bancaria! sem opinião
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betwel cunha (22) 05/02/2009 23h45
betwel cunha (22) 05/02/2009 23h45
As decisões do Supremo são soberanas. Não se discute, se cumpre. O Plenário da Suprema Corte existe para preservar, proteger e manter a Constituição Federal, que afinal foi elaborada pelo Congresso Nacional eleito pelo povo deste país.
A Constituição é um sagrado manto protetor da dignidade humana. As Leis que protegem os inocentes acabam por beneficiar culpados, no entanto, é melhor absolver um culpado do que condenar um inocente.
Muitos que aqui escrevem condenam o STF pelas brilhantes decisões porque nunca tiveram um parente ou amigo constrangido com prisão indevida, se um dia tiverem, mudarão de idéia, com absoluta certeza.
sem opinião
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UBIRATAN RAMOS (195) 21/10/2008 10h49
UBIRATAN RAMOS (195) 21/10/2008 10h49
"Confederação de policiais pede cancelamento de súmula que limitou uso de algemas"
"Para a entidade, ao editar a súmula, o STF firmou uma norma para proteger "a elite corrupta do país". "Provavelmente, não era o que queria a Suprema Corte, mas é o que efetivamente vem acontecendo", diz a ação".
Ledo engano. Era o que queria, quer e continuará querendo a "Suprema Corte de Justiça" deste País, enquanto imperar os ditames do soberano Gilmar Mendes, endossados por seus submissos pares. E esse "enquanto" está num horizonte longínquo: eles exercem cargo vitalício.
A submissão da "Corte Suprema" ao "deus" Daniel Dantas (hierarquicamente superior ao soberano só um "deus") não mais se questiona. Quanto aos demais membros da Corte, pode até ser que um, ou alguns, não tenha telhado de vidro ou rabo de palha sujeitos ao ateio de fogo ou arremesso de pedras pelo soberano Gilmar Mendes. Mas ficou evidente que tem ministro vulnerável ao seu arsenal. Disse ele ao Ministro Joaquim Barbosa que o mesmo não tinha condições de pregar moralidade na Corte. Certeza temos, sim, é que somos os "bobos da Corte". Resta-nos tão-só, como consolo, sonhar que um dia, por obra e graça de Deus Todo Poderoso, vejamos o soberano algemado e amordaçado, e seus pares também algemados, em face do conluio de alguns e conivência e omissão de outros tantos.
É uma pena dizer: nenhuma, zero, chance tem a Confederação de Policiais de ver atendida sua pretensão no STF. Melhor seria, também com pouquíssima probabilidade de sucesso, que eles batalhassem junto aos parlamentares pela aprovação de uma lei. Na falta de uma lei reguladora o STF continuará legislando da forma que bem lhe aprouver.
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