Lula atende a apelos de aliados e decide fazer campanha em várias cidades
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Em meio aos embates com os adversários e aos apelos dos aliados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu ceder e fazer campanha em pelo menos cinco cidades. Além de São Paulo e São Bernardo (SP), Lula deverá ir também a Recife (PE), Natal (RN) e Vitória (ES), como informou hoje o blog do Josias. Mas essa decisão pode trazer dificuldades à articulação política do governo em nível nacional.
O alerta é do ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais), que é contrário a Lula subir em palanques nos quais aliados disputam espaços. Segundo o ministro, o ideal seria o presidente evitar sua participação nessas campanhas. Mas o receio de Múcio não é observado por outros interlocutores do governo federal.
"A verdade é a seguinte: o visitado [que ganha o apoio do presidente da República] adora, mas o atingido reclama na hora", afirmou Múcio. "Sempre dá problema", disse o ministro, com um ar desconsolado. Ele contou que volta e meia há fotografias, alteradas em computador, com imagens de Lula ao lado de candidatos a prefeito.
O incômodo de Múcio, no caso das cinco cidades, concentra-se em Recife. "Por mim ele não iria", disse ele. O problema é que Lula quer subir no palanque do candidato João da Costa (PT) mas o PSC, que pertence à base aliada, também lançou candidato próprio na cidade: Carlos Cadoca.
O assunto é tema constante das reuniões de Lula e Múcio. Nesta segunda-feira, mais uma vez, os dois trataram sobre campanhas e a participação do presidente nas próximas semanas até as eleições municipais.
Múcio disse ainda que seus colegas ministros se dedicam às campanhas por questões afetivas ou partidárias. Em função de suas atribuições partidárias, Múcio citou as participações dos ministros Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), Alfredo Nascimento (Transportes) e Márcio Fortes (Cidades).
Geddel faz campanha para os candidatos do PMDB, enquanto Nascimento para dos PR e Fortes, que ocupa a vice-presidência do PP, sobe dos palanques dos seus correligionários.
Para Múcio, a presença da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), que representa o presidente Lula e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), na campanha em Curitiba (PR) da petista Gleise Hoffmann --mulher do ministro Paulo Bernardo (Planejamento)-- justifica-se pela ligação afetiva que existe entre eles. "São amigos há muito tempo, há um vínculo afetivo entre eles", disse ele.
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