Protógenes quer passar por acareação com Dantas em CPI dos Grampos
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O delegado Protógenes Queiroz está disposto a participar de acareação com o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, na CPI das Escutas Clandestinas da Câmara, caso a comissão aprove sugestão do deputado Raul Jungmann (PPS-PE) para que os dois sejam colocados frente a frente. O advogado de Protógenes, Renato Andrade, disse que o delegado poderá esclarecer afirmações de Dantas na CPI se a acareação for aprovada pelos integrantes da comissão.
"Se a CPI definir pela acareação, será a oportunidade do delegado esclarecer o episódio frente a frente com o Daniel Dantas. Não é interesse dele [Protógenes] a acareação. Mas se definirem que ela deve ocorrer, é a oportunidade dele explicar afirmações que não são verdadeiras", disse Andrade.
Em seu depoimento à CPI, Dantas disse que Protógenes teria lhe afirmado estar disposto a "ir até o fim" na Operação Satiagraha, da Polícia Federal --o que incluiria investigar o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O advogado afirmou que as afirmações de Dantas são falsas e têm como objetivo "desmerecer" o delegado Protógenes nas investigações. "É uma tática interessante de uma pessoa que quer desmerecer a outra. Nenhum pai gosta de saber que alguém está investigando seu próprio filho. Foi uma tentativa de criar uma situação de antagonismo entre o delegado e o presidente", afirmou o advogado.
Em entrevista à Folha, Protógenes disse que o banqueiro Daniel Dantas pretende 'tumultuar' os processos judiciais que apuram supostas gestão fraudulenta e corrupção de policiais federais atribuídos a Dantas e ao grupo Opportunity.
No depoimento à CPI, o banqueiro afirmou que o delegado lhe disse, na carceragem da PF em São Paulo, que pretendia investigar a venda da Brasil Telecom para a Telemar --o que incluiria Fabio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
A Telemar é suspeita de injetar R$ 5 milhões na empresa Gamecorp, de propriedade de Fabio Luís. Em 2004, a Telemar investiu o montante para virar sócia minoritária da Gamecorp. O valor correspondia a 96% do capital social da empresa, que era de R$ 5,2 milhões.
"Em nenhum momento disse qualquer coisa sobre um filho do presidente. Isso é uma invenção dele. É uma estratégia da defesa para tumultuar o processo", disse Protógenes à Folha.
Em depoimento à Justiça de Nova York, em 2007, segundo o delegado, Dantas citou os nomes dos prefeitos Celso Daniel (PT), de Santo André, e Toninho do PT, de Campinas, mortos em 2002 e 2001, respectivamente. "Ele quer tirar o foco dele e jogá-lo em pessoas importantes, é uma estratégia antiga."
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