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Brasil
19/08/2008 - 15h49

Jungmann pede acareação entre Protógenes e Dantas na CPI dos Grampos

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) protocolou requerimento nesta terça-feira na CPI das Escutas Clandestinas da Câmara com o pedido de realização de acareação entre o delegado Protógenes Queiroz e o banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity. Jungmann é integrante da CPI.

Lula Marques/Folha Imagem
Jungmann protocola pedido de acareação entre Protógenes Queiroz e Daniel Dantas
Jungmann protocola pedido de acareação entre Protógenes Queiroz e Daniel Dantas

Como os dois apresentaram à comissão versões distintas sobre os rumos da Operação Satiagraha, da Polícia Federal, o deputado quer colocá-los frente a frente para esclarecer pontos "contraditórios" dos depoimentos.

"Algumas pessoas estranharam o fato de fazermos acareação entre o investigador [Protógenes] e o investigado [Dantas]. Mas isso não é limitação. Para a CPI, ambos são testemunhas que podem colaborar com os trabalhos", disse Jungmann.

Segundo o deputado, Dantas se colocou à disposição da CPI para participar de uma eventual acareação com Protógenes. O delegado, por sua vez, disse por meio do seu advogado estar disposto a ficar frente a frente com Dantas para esclarecer acusações feitas pelo banqueiro sobre a conduta da PF na Operação Satiagraha.

O advogado de Protógenes, Renato Andrade, disse à Folha Online que o delegado poderá esclarecer afirmações de Dantas na CPI se a acareação for aprovada pelos integrantes da comissão. "Se a CPI definir pela acareação, será a oportunidade do delegado esclarecer o episódio frente a frente com o Daniel Dantas. Não é interesse dele [Protógenes] a acareação. Mas se definirem que ela deve ocorrer, é a oportunidade dele explicar afirmações que não são verdadeiras", disse Andrade.

Em seu depoimento à CPI, Dantas disse que Protógenes teria lhe afirmado estar disposto a "ir até o fim" na Operação Satiagraha, da Polícia Federal --o que incluiria investigar o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O advogado afirmou que as afirmações de Dantas são falsas e têm como objetivo "desmerecer" o delegado Protógenes nas investigações. "É uma tática interessante de uma pessoa que quer desmerecer a outra. Nenhum pai gosta de saber que alguém está investigando seu próprio filho. Foi uma tentativa de criar uma situação de antagonismo entre o delegado e o presidente", afirmou o advogado.

Em entrevista à Folha, Protógenes disse que o banqueiro Daniel Dantas pretende "tumultuar" os processos judiciais que apuram supostas gestão fraudulenta e corrupção de policiais federais atribuídos a Dantas e ao grupo Opportunity.

No depoimento à CPI, o banqueiro afirmou que o delegado lhe disse, na carceragem da PF em São Paulo, que pretendia investigar a venda da Brasil Telecom para a Telemar --o que incluiria Fabio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.

A Telemar é suspeita de injetar R$ 5 milhões na empresa Gamecorp, de propriedade de Fabio Luís. Em 2004, a Telemar investiu o montante para virar sócia minoritária da Gamecorp. O valor correspondia a 96% do capital social da empresa, que era de R$ 5,2 milhões.

Abin

Jungmann espera que a CPI coloque em votação esta semana uma série de requerimentos pendentes, entre eles o que sugere a acareação de Dantas e Protógenes. Os dois só serão convocados a comparecer à CPI se o pedido de Jungmann for aprovado pela maioria dos integrantes da comissão.

Nesta quarta-feira, a CPI vai ouvir o depoimento do diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Paulo Lacerda ---que se colocou à disposição da comissão para esclarecer as afirmações de Protógenes sobre a participação de agentes da agência na Operação Satiagraha. Lacerda também quer esclarecer denúncias de que a Abin teria monitorado o gabinete do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, durante a operação.

O depoimento do diretor da agência de inteligência do governo ganhou mais força na semana passada, quando Dantas disse à CPI que Lacerda teria "armado" a Operação Satiagraha --a qual ele já comandou-- em represália a um suposto dossiê montado pelo banqueiro com informações sobre contas dele no exterior.

A Folha Online apurou que Lacerda quer explicar aos integrantes da CPI detalhes sobre a atuação da agência em operações policiais, além de negar o grampo no gabinete de Mendes.

O diretor da Abin ainda tem como objetivo refutar as acusações de Dantas no que diz respeito à "armação" da Operação Satiagraha --que era o diretor-geral da PF no período em que as investigações tiveram início.

Comentários dos leitores
Marcello Pereira (54) 23/12/2009 16h53
Marcello Pereira (54) 23/12/2009 16h53
Com essa suspensão. Dá tempo dos 68 acionistas sacarem suas granas milhonárias das Ilhas Caymman e passarem um natal bem gordo. Quem serão estes 68 seletos senhores??? sem opinião
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nelson zarro (81) 23/12/2009 16h06
nelson zarro (81) 23/12/2009 16h06
Como podemos acreditar no STF e STJ.Não vemos eles considerarem nenhuma pessoa rica, acusada de alguma coisa, ser condenada. Estou começando a achar que se eles tivessem o poder de canonizar, Dantas ja estaria com a palavra santo sendo pronunciada antes de seu nome. 1 opinião
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wandir bonifacio galvao (8) 23/12/2009 15h37
wandir bonifacio galvao (8) 23/12/2009 15h37
Nós brasileiros estamos indefesos no meio desses ladrões de gravata. Ao deitar pesso ao meu bom Deus para abrir o coração desses larapios, so assim teremos um pais mas justo. Porém esses demônios de gravata não acreditam em Deus e ralizam suas maracutaias em detrimento dos irmãos. Porém não esqueçam que seus lugares estão reservados em um cantinho lá no inferno. sem opinião
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