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Brasil
20/08/2008 - 08h26

Marqueteiros das campanhas cresceram ligados a governos

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RANIER BRAGON
RUBENS VALENTE
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
da Folha de S.Paulo

Os marqueteiros que a partir de agora controlam as rédeas dos programas televisivos das campanhas dos principais candidatos à Prefeitura de São Paulo neste ano têm vínculos com governos e políticos desde a década passada.

João Santana, publicitário da candidata Marta Suplicy (PT), cresceu em sociedade com o marqueteiro Duda Mendonça, aliado contratado de Paulo Maluf (PP). Em 2005, Duda admitiu, no escândalo do mensalão, ter remetido dinheiro de caixa dois para as Bahamas.

O PT declarou que Santana vai receber R$ 6 milhões pela campanha de Marta. Para reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem hoje é consultor informal, Santana declarou ter recebido R$ 13,75 milhões em 2006.

Alckmin

O publicitário Lucas Pacheco, que atua para Geraldo Alckmin (PSDB), desde 1985 faz as campanhas do senador e ex-governador do Ceará Tasso Jereissati (PSDB) e atuou na agência de publicidade Agnelo Pacheco, cujo dono é seu irmão. A Agnelo foi contratada em 2001 pela Prefeitura de São Paulo, na gestão Marta, e hoje detém contratos com os ministérios da Saúde e do Turismo.

Pacheco trabalhou com o deputado Ciro Gomes, hoje no PSB, e com o senador Fernando Collor (PTB), quando o ex-presidente disputou o governo de Alagoas em 2002. No Rio, fez a campanha de Sérgio Cabral (PMDB) à prefeitura em 1996.

Kassab

Marqueteiro de campanha de Gilberto Kassab (DEM), o publicitário Luiz Zinger González, da agência Lua Branca, detém contratos de publicidade com o governo do Estado e com a Prefeitura de São Paulo.

No ano eleitoral de 2008, a agência contará com um bolo de R$ 34,6 milhões do governo estadual para adquirir espaço de propaganda nos meios de comunicação. Esse é o valor previsto no contrato assinado em março.

Nos anos anteriores, a média anual havia sido de R$ 29 milhões. A maior parte desses recursos é destinada aos meios de comunicação, que remuneram a agência a partir do valor repassado pelo governo.

A Prefeitura de São Paulo destinou R$ 51 milhões à agência do marqueteiro de Kassab entre fevereiro de 2007 e junho deste ano.

O contrato original assinado em 2005 entre o governo estadual e a agência de González previa gastos de R$ 25 milhões. Entre 2005 e 2008, contudo, os repasses atingiram R$ 88 milhões, segundo levantamento feito pela liderança do PT na Assembléia Legislativa. O sistema de gastos do governo estadual não é aberto ao público e aos jornalistas, ao contrário do Siafi, o sistema de acompanhamento de gastos da União --por isso, é preciso recorrer ao trabalho da assessoria técnica das bancadas da Assembléia.

O primeiro contrato com o governo foi assinado em julho de 2005. Previa R$ 25 milhões por 12 meses (válido até julho de 2006), mas foi prorrogado. O novo contrato, assinado em março de 2008, prevê R$ 34,6 milhões. Mas por um prazo 50% menor, seis meses.

Parecer do conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado) Edgard Camargo Rodrigues, de 25 de junho passado, sobre as contas do governador José Serra (PSDB) no ano de 2007 apontou: "Os gastos de propaganda/publicidade significaram R$ 90,659 milhões, ou acréscimo bastante significativo de 76,51% frente ao exercício anterior (R$ 51,3 milhões)", escreveu o conselheiro.

O conselheiro deu parecer favorável à aprovação das contas do governador, "com as apontadas advertências e recomendações constantes do corpo deste relatório".

González recebeu a reportagem em sua agência, mas não quis gravar uma entrevista. Mais tarde, por e-mail, disse que a Folha se valia de "premissas erradas" e "contas erradas". Ele se recusou a aceitar que a Lua Branca seja a destinatária dos recursos públicos --nos sistemas de acompanhamento de gastos de prefeituras, Estados e União, o beneficiado é a agência de publicidade, que se encarrega então de fazer os pagamentos aos meios de comunicação. Alegou que os gastos com publicidade do governo Serra "não cresceram" entre 2005 e 2008, entendimento contrário ao do conselheiro do TCE.

Conselheiro consultivo da Fundação Mario Covas, González também foi sócio-fundador da GW Comunicação e da GW Brasília, que detiveram boa parte das verbas publicitárias dos governos do PSDB, nacional e estadual, desde os anos 90.

Outro lado

O publicitário Lucas Pacheco, que faz a campanha de Geraldo Alckmin (PSDB), disse que sua carreira é independente da de seu irmão, Agnelo, e que não possui vínculos com o PT ou com o governo federal. "Somos irmãos, nos respeitamos e nos damos bem, apenas isso. Minha trajetória é outra."

Procurado várias vezes pela Folha, o marqueteiro João Santana, que atua para Marta Suplicy (PT), não concedeu entrevista.

O publicitário Luiz González, responsável pela campanha de Gilberto Kassab (DEM), afirmou, em e-mail enviado à Folha, que a renovação e os aditivos ao contrato assinado em 2005 entre sua agência e o governo de São Paulo são legais.

Afirmou que o valor do contrato "não aumentou". Disse considerar "óbvio" o motivo pelo qual o contrato foi renovado, em 2006, sem uma nova licitação pública. "Se não prorrogasse, o contratante teria de fazer nova licitação antes de cada 12 meses ou ficaria sem agência. Como o tempo médio de demora de uma licitação, do lançamento do edital à assinatura do contrato chega a seis meses, vê-se que seria desperdício de tempo e dinheiro público."

González não vê nenhuma relação entre os recursos empenhados em 2008 e as eleições municipais, sob alegação de que a disputa não tem a ver com o governo do Estado.

González inúmeras vezes alegou que "não recebe" recursos públicos nos valores referidos. "Não é pelo fato de o dinheiro ter transitado pela conta bancária da agência que ela "recebeu" os recursos."

"As agências de publicidade contratam serviços "por ordem e conta" de seus clientes. Ou seja: executam, como intermediárias, ordens de compra (de espaço de veiculação e de serviços), aprovadas previamente pelo cliente-anunciante. Supervisionam, orientam e fiscalizam os serviços comprados por ordem do cliente e executam o pagamento em nome do cliente", afirmou González.

O governo paulista rebateu o parecer do TCE (Tribunal de Contas do Estado) sob alegação de que há "distorção" na comparação dos gastos entre 2006 (ano eleitoral, com vedações legais) e 2007.

"Além disso, o atual governo criou novos programas, que só tinham razão de existir com a efetiva comunicação à população".

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (731) 25/11/2009 11h39
Igor Bevilaqua (731) 25/11/2009 11h39
Afinal de contas o Amazonino Mendes é no estado do Amazonas o mesmo homem poderoso que o Sarney é no Maranhão e no Acre..., tem razão do "TSE" dar carta branca para que continuem "comprando votos" e recebendo "presentinhos e doações" de empresas interessadas nos cofres do estado..., o estado do Amazonas não foge hora nenhuma às regras brasileiras de corrupção. sem opinião
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Luís da Velosa (1426) 29/10/2009 21h00
Luís da Velosa (1426) 29/10/2009 21h00
Vamos aguardar o julgamento do caso Battisti pelo Supremo Tribunal Federal - STF. Isso é o correto. Não somos juízes e, se nos arvorarmos a sermos, será uma impropriedade, uma temeridade. sem opinião
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Washington Marques (108) 29/10/2009 13h53
Washington Marques (108) 29/10/2009 13h53
NÃO SE PODIA ESPERAR OUTRA COISA DO SENADO FEDERAL SE NÃO A DESOBEDIENCIA JUDICIAL. O QUE SE ESPERAR DE UMA INSTITUIÇÃO QUE FAZ APOLOGIA A DESOBEDIENCIA JUDICIAL E A DESORDEM TOTAL. O QUE SE ESPERAR DE UMA INSTITUIÇÃO QUE TEM A FINALIDADE DE LEGISLAR E FISCALIZAR, PRATICA NEPOTISMO EXPLICITO, DESCARADO A PONTO DE DESOBEDECER UMA ORDEM JUDICIAL (DA SUPREMA CORTE DESTE PAÍS).
SRES. SENADORES A PERGUNTA É: O QUE VOCES ESTÃO FAZENDO COM A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA ? E ONDE VOCES QUEREM CHEGAR COM TANTOS ABSURDOS ??
2 opiniões
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