No rádio, Crivella explora imagem de Lula; petista é mais discreto
ANDRÉ ZAHAR
colaboração para a Folha Online, no Rio
Embora tenha ameaçado processar adversários que utilizassem a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na TV, o candidato do PT à Prefeitura do Rio de Janeiro, Alessandro Molon, foi mais discreto do que Marcelo Crivella (PRB) ao se vincular ao presidente no primeiro programa de rádio. O horário eleitoral dos candidatos ao Palácio da Cidade entrou no ar às 7h desta quarta-feira.
Crivella se comparou a Lula ao comentar a divulgação de uma "carta ao povo do Rio de Janeiro". "O que me estimulou foi a carta que o presidente Lula fez antes das eleições de 2002 ['carta ao povo brasileiro'], anunciando seus compromissos e diretrizes. Minha candidatura também gera algumas inquietações naturais, assim, me inspirei no presidente Lula, com quem tenho em comum a preocupação de fazer pelo povo mais pobre", disse o bispo da Igreja Universal, que prometeu fazer um governo de "todas as crenças".
No programa de Molon, o presidente foi citado apenas no jingle --"É com Molon e Lula lá"-- e ao falar da mulher, que, segundo ele, "sempre foi PT e sempre votou com o Lula". O tom familiar foi predominante na fala do petista, que fez referências aos pais, filhos e ao irmão.
Na mesma linha de Molon, a candidata do PC do B, Jandira Feghali, centrou o primeiro programa de rádio na trajetória pessoal e, com exceção do jingle "Jandira Já", não se associou diretamente ao presidente Lula. "Minha história é a de muitas mulheres e mães brasileiras", disse, antes de falar da atuação como baterista e médica. "Se hoje eu posso dizer que conheço os anseios do povo é porque sou parte dele", concluiu.
Eduardo Paes (PMDB) não falou diretamente sobre a relação com o governador Sérgio Cabral, mas elogiou as Unidades de Pronto Atendimento do governo estadual. "Meu maior compromisso é com a Saúde das nossas famílias", disse.
Enquanto outros candidatos foram comedidos ao mostrar seus padrinhos políticos, Solange Amaral (DEM) enalteceu a administração do prefeito Cesar Maia, que classificou como "um tempo de realizações" e "um Rio de sucessos". Maia gravou depoimento pedindo voto para a aliada. "Administrar uma cidade como o Rio não se faz com improvisação", disse o prefeito.
Fernando Gabeira (PV) alfinetou os adversários apresentando com um candidato "contra as máquinas estadual, federal e Universal". Ele prometeu retirar os políticos da administração pública. "Não haverá na minha administração empreguinhos para aliados políticos".
Chico Alencar (PSOL) também ressaltou o caráter de político independente e afirmou não ter "rabo preso com nenhum esquemão".
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