Brasil
20/08/2008 - 17h27

Chefe da Abin diz que chefe-de-gabinete de Lula pediu informações da Satiagraha

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Paulo Lacerda, confirmou em depoimento à CPI das Escutas Clandestinas da Câmara nesta quarta-feira que o chefe-de-gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, procurou o GSI (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência) para pedir informações sobre a Operação Satiagraha, da Polícia Federal.

Apesar de ter negado qualquer contato com Carvalho, Lacerda disse que o chefe-de-gabinete procurou o secretário-executivo do GSI, João Roberto de Oliveira, para obter informações sobre a operação. Posteriormente, segundo Lacerda, Oliveira contatou a Abin para conseguir dados sobre a Satiagraha.

Segundo o diretor da agência, o secretário-executivo do GSI conversou com o diretor-adjunto da Abin para obter informações sobre Humberto Braz --cliente do advogado e ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) e braço-direito do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Greenhalgh telefonou para Carvalho em busca de informações sobre a Satiagraha, uma vez que foi um dos investigados na operação.

Braz reclamou com Greenhalgh que suspeitava estar sendo seguido por agentes da PF, por isso pediu que o ex-deputado conseguisse informações do governo. Na conversa entre o GSI e a Abin, houve a confirmação de que efetivamente Braz estava sendo alvo de um "acompanhamento" no âmbito das investigações da Satiagraha.

"Houve o contato de alguém com o secretário Gilberto Carvalho, que ligou para o GSI, e falou com o secretário-executivo do GSI. O general Oliveira liga para a Abin e falou com o diretor adjunto, meu substituto [José Milton Campana]. Este ligou para o Rio de Janeiro e teve a informação de que, na verdade, era acompanhamento de alvo estrangeiro em situação irregular. Essa foi a informação, era uma história de cobertura", afirmou.

No depoimento à CPI, Lacerda negou nesta quarta-feira que tenha repassado pessoalmente informações a Gilberto Carvalho. O diretor disse que, ao longo dos quatro anos em que esteve no comando da PF, ou mesmo à frente da Abin, nunca conversou com Carvalho.

"Ele não me ligou, não tive contato com ele. Para ser justo e coerente com a verdade, eu nos quatro anos e oito meses de PF e mais agora quase um ano de Abin, jamais o secretário Gilberto Carvalho fez qualquer contato comigo. Eu só tive contato com o secretário, eventualmente, quando fui ao palácio e apenas de cumprimentos. Seria uma leviandade da minha parte se afirmasse qualquer coisa em contrário", disse.

Lacerda afirmou que "em nenhum momento" houve "qualquer tipo de ingerência" do chefe-de-gabinete de Lula em assuntos da PF ou da Abin. Carvalho é acusado de vazar informações da Operação Satiagraha a Greenhalgh sobre Humberto Braz.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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