Garibaldi vai ter de demitir sobrinho que trabalha em seu gabinete no Senado
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Após a decisão do STF (Supremo tribunal Federal) de proibir o nepotismo no serviço público em todos os níveis, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), admitiu nesta quinta-feira que terá de demitir um sobrinho que trabalha no seu gabinete. O peemedebista disse que será realizado um levantamento para identificar entre os funcionários da Casa situações de nepotismo.
"Eu vou ter de dispensar um parente meu que trabalha no gabinete e não sei da repercussão em outros gabinetes de senadores", afirmou Garibaldi.
O peemedebista afirmou que não esperava a ampliação da decisão para os três Poderes --Judiciário, Executivo e Legislativo-- nem nos níveis federal, estadual e municipal. Nesta quinta-feira, os ministros do STF definirão o texto final da súmula vinculante que deverá ser seguida por todos.
"Na verdade não esperava que a decisão a ser adotada tivesse a amplitude que teve. E, agora é cumprir. Decisão do Judiciário deve ser cumprida e também aguardar os desdobramentos de como se deve proceder para cumpri-la por meio da súmula que será publicada", disse Garibaldi.
O presidente do Senado indicou que deverá ser feito um levantamento sobre o quadro de funcionários da Casa para possibilitar as demissões que se enquadram na relação de nepotismo definida pelo STF.
"Se faz um levantamento para cumprir a decisão", disse Garibaldi, informando não ter considerada a decisão "rigorosa demais". "Não foi rigorosa. Pensei que a decisão viria ao encontro daqueles que tinham parentes no Judiciário e não nos outros Poderes", afirmou.
O peemedebista reconheceu ainda que a proposta sugerindo o fim do nepotismo em discussão no Congresso não avançou por falta de consenso entre os parlamentares dos mais diversos partidos.
"Poderia já ter sido votada [pelo Congresso], mas não houve consenso, todos nós sabemos e não é uma novidade, inclusive depois que eu cheguei na presidência confesso que não houve cogitações no sentido de votar os projetos que estavam em andamento nesse sentido", disse.
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