Brasil
21/08/2008 - 20h27

Tucano é demitido por pedir dinheiro para campanha em Porto Alegre

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GRACILIANO ROCHA
da Agência Folha, em Porto Alegre

Uma operação de dirigentes tucanos para captar dinheiro para a campanha eleitoral derrubou o presidente do principal fundo de pensão do Rio Grande do Sul e criou um novo problema político para a governadora Yeda Crusius (PSDB).

O tucano José Marcos Dal Fabbro foi destituído ontem da presidência da Fundação CEEE, fundo de pensão com ativos de R$ 4 bilhões, após ter usado o cargo para pedir doações para a campanha, segundo a fundação.

Dal Fabbro e dois dirigentes estaduais do PSDB, Ademir Schneider e Delson Martini, mantiveram pelo menos seis reuniões com diretores de bancos privados que gerem recursos da Fundação CEEE, em São Paulo. As reuniões aconteceram entre 4 e 6 de agosto.

Martini é um dos personagens centrais da crise política atravessada pela governadora Yeda Crusius (PSDB) desde novembro do ano passado, quando a Polícia Federal desmontou um esquema de desvio de R$ 44 milhões do Detran.

Amigo da governadora há 30 anos, Martini já presidiu a CEEE (estatal gaúcha de energia), foi secretário de Governo e principal conselheiro de Yeda até ser demitido em junho deste ano, após ser citado em telefonemas de acusados de participar da fraude do Detran. Já Schneider continua no governo --é diretor administrativo e financeiro da Sulgás (estatal gaúcha de gás natural).

A tentativa de obter recursos fracassou porque o executivo de um dos bancos alertou outros diretores do fundo de pensão, que não sabiam do esquema. Dal Fabbro alegou que se reuniu com os bancos para tratar de assuntos do fundo e que o encontro com os outros dois tucanos aconteceu casualmente. A versão não foi aceita pelo conselho deliberativo da Fundação CEEE, que o destituiu na quarta-feira.

"Não houve prejuízo financeiro para a nossa instituição, o prejuízo foi de imagem", disse Manuel Valente, escolhido como presidente interino.

A Fundação CEEE é uma entidade de direito privado, que administra a previdência de trabalhadores do setor público e de empresas privadas. Embora não faça parte do governo, o fundo de pensão sofre influência política porque o principal sócio do fundo é a companhia estadual de energia elétrica.

Esta influência se materializa, por exemplo, na escolha do presidente. Em setembro do ano passado, Dal Fabbro chegou ao cargo por indicação política do então presidente da CEEE, que era Delson Martini.

A governadora Yeda Crusius deve retornar hoje de viagem à Holanda. A secretária Mercedes Rodrigues (Transparência) disse que pediu esclarecimentos a Schneider sobre o episódio, já que Martini não faz mais parte do governo e Dal Fabbro era ligado a uma instituição de direito privado.

Dal Fabbro não quis fazer comentários sobre o assunto: "Isso já é uma página virada". Delson Martini não respondeu aos recados deixados pela Folha e Schneider não atendeu a reportagem porque estava "em reunião".

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h24
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h24
Pelo jeito..., pode ter "áudio, filme, pedaços de gente, dinheiro na cueca, ambulâncias, mensalões, mansões sonegadas, 181 diretores, fantasmas e etc...e etc..., podem ter milhares de provas contundentes contra "políticos e autoridades"..., nada disso vai adiantar e nada disso vai servir como provas..., neste país, para alguém ir para a cadeia e ser punido só tem um jeito..., precisa ser "POBRE"..., aí então, com poucas ou nenhuma prova, vai para a cadeia com certeza..., a Yeda, Agaciel, Zoghbi, Sarneys, Dantas, asseclas e quadrilhas, jamais serão presos ou sofrerão algum tipo de penalidade..., a grana alí é das grossas e o "stf" jamais vai deixar serem penalizados. sem opinião
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Carlos Gonçalves (401) 25/11/2009 08h03
Carlos Gonçalves (401) 25/11/2009 08h03
Alguém pode me dizer quando um ocupante do poder executivo foi preso, municipal, estadual ou federal? Se devolveram algum centavo para os cofres públicos.? sem opinião
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O Pacificador (194) 18/11/2009 20h20
O Pacificador (194) 18/11/2009 20h20
"PT diz que votará contra parecer que aprova contas de Yeda de 2008..."
Isso é alguma novidade?
Qualquer coisa que envolva o governo Yeda, eles serão contra.
A armação feita no RS, é clara, sórdida e claramente favorável á um certo político que dizem, nos áureos tempos de governo militar, fugiu "de prenda" para o Uruguai...
Nada do que pessoas assim façam, deve causar estranheza.
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