Brasil
22/08/2008 - 10h00

Acusado de suborno, Chicaroni se contradiz em depoimento

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LILIAN CHRISTOFOLETTI
da Folha de S.Paulo

A íntegra do depoimento do professor Hugo Chicaroni, apontado como suposto emissário do banqueiro Daniel Dantas na tentativa de corromper um delegado da Polícia Federal, revela que, em menos de 30 dias, ele alterou completamente a primeira versão apresentada à policia.

Em depoimento ao juiz federal Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, no dia 7 de agosto, Chicaroni atribuiu à PF a responsabilidade pela tentativa de suborno. Rechaçou qualquer pedido de exclusão de Dantas da investigação. Assumiu como sendo dele os R$ 50 mil pagos a um delegado e concluiu dizendo que acredita que o banqueiro ignorava a negociação.

Cerca de um mês antes, no dia 9 de julho, Chicaroni se sentou em frente a uma filmadora da PF e relatou uma história diferente. Na ocasião, disse que toda a tratativa com os policiais era um pedido de Dantas, que estava "muito preocupado" com o inquérito encabeçado pelo delegado Protógenes Queiroz e, por isso, queria "estreitar relações" com o policial.

Declarou que os R$ 50 mil ("um agrado") pagos a um delegado eram de Dantas. Afirmou que o valor total oferecido ao policial Victor Hugo, que eles supunham ser o chefe da investigação, foi de US$ 1 milhão. O objetivo era livrar Dantas e familiares do inquérito.

Na segunda versão, em frente ao juiz De Sanctis e observado por Dantas, Chicaroni disse ter ficado "desconcertado" ao escutar do delegado o pedido de US$ 1 milhão. Afirmou que entregou os R$ 50 mil, do próprio bolso, para ganhar a simpatia do Grupo Opportunity, de Dantas, e como um "empréstimo" a Protógenes. "Minha amizade é muito grande. "Confirmou que os R$ 865 mil apreendidos na casa dele, no dia em que foi deflagrada a Operação Satiagraha, foram entregues em vários envelopes por ordem de Humberto Braz, braço direito de Dantas.

Mas, ao contrário do que disse à PF, afirmou ao juiz que não sabia se o valor seria usado na corrupção dos policiais. Disse apenas que Braz lhe pediu para guardar o dinheiro, pois "não tinha onde deixar".

O juiz De Sanctis, que ouviu o depoimento de Chicaroni, foi o mesmo que autorizou a PF a simular uma negociação para prolongar a investigação. Os encontros foram gravados.

Ao depor como testemunhas do Ministério Público, Protógenes e Victor Hugo contaram uma história similar à primeira versão apresentada por Chicaroni. Victor Hugo afirmou ter recebido uma ligação de Braz, pedindo uma reunião.

Testemunhas

Hoje serão ouvidas quatro testemunhas indicadas por Chicaroni e uma por Braz, entre elas, o delegado da PF Ricardo Saadi, que substituiu Protógenes no caso, e o escrivão da PF Amadeu Ranieri. As demais são: Adelino Augusto de Andrade Jr., Mauro Chicaroni e Roberto Jorge Alexandre.

Comentários dos leitores
david valdivia (66) 11/11/2009 17h37
david valdivia (66) 11/11/2009 17h37
Vocês perceberam que os ardorosos defensores dos colarinhos brancos fazem questão sempre de falar de democracia para privilegiar interesses escuros (sendo que o mais importante para eles é o lucro obtido a custa dos impostos pagos pelo povo brasileiro). Graças as descorçoes provocadas pela grande mídia e aos ilustres comentaristas de plantão, o povo brasileiro não desconfia dos escuros interesses da corrupção, pagos com dinheiro publico. 1 opinião
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O Pacificador (89) 11/11/2009 13h31
O Pacificador (89) 11/11/2009 13h31
"Procuradoria descarta crime em colaboração de agentes da ABIN na Satiagraha..."
Isso quer dizer que o Paulo Lacerda, que autorizou a ação pela ABIN, pode deixar de se esconder e Portugal?
Ele que recusou um convite do senado para depor?
Um delegado da PF, sem a chancela d chefia do órgão, solicita a colaboração da ABIN, e isso é concedido?
Assim, na boa?
É só pedir?
Tipo pastelaria?
Sem justificar nada?
Sei...
Definitivamente, viramos um país de bobos.
É uma pena, mas o jeito é fazer de conta, que está tudo bem...
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Antonio Fouto Dias (2714) 10/11/2009 18h53
Antonio Fouto Dias (2714) 10/11/2009 18h53
Tarso Genro defende aumento de salários a policiais do Rio como forma de combater a violência, ora, nem só no Rio, mas da forma que está, creio valer a pena a realização de um estudo de viabilidade de um novo quadro de cargos e salários para as forças públicas de todos os estados, principalmente naqueles em que ocorrem maior criminalidade e não só para o Rio.
O exercício da função de policial exige que se coloque a própria vida em risco, portanto deve ter uma remuneração compativel com suas atividades.
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