Brasil
22/08/2008 - 17h53

Defesa de Dantas e Chicaroni tenta desqualificar investigações da Satiagraha

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MARINA NOVAES
colaboração para a Folha Online

Os advogados de defesa do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, e do professor Hugo Chicaroni --que respondem a processo com Humberto Braz por corrupção ativa por suposta tentativa de suborno de um delegado da Polícia Federal-- tentaram desqualificar nesta sexta-feira as investigações da PF na Operação Satiagraha.

As declarações ocorreram hoje, logo depois que o juiz federal Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, ouviu quatro testemunhas de defesa de Chicaroni e de Braz: o delegado da PF Ricardo Saadi --que substituiu Protógenes Queiroz no caso--, o escrivão da PF Amadeu Ranieri; o delegado Adelino Augusto de Andrade Jr.; e o advogado Roberto Jorge Alexandre, amigo de Chicaroni.

Segundo a defesa do professor, os depoimentos de hoje comprovariam que Protógenes usou a amizade "duradoura" que mantinha com Chicaroni para criar o flagrante da tentativa de suborno. Já o advogado Nélio Machado, responsável pela defesa de Dantas, afirmou que Saadi não tem conhecimento suficiente sobre o caso, o que o desqualificaria para comandar as investigações.

"Foi confirmado pelo Dr. Lino [Adelino Augusto de Andrade Jr, delegado da PF] que havia uma relação de amizade sim entre o Protógenes Queiroz e o Hugo Chicaroni. Além disso, outro advogado que depôs que fora apresentado pelo Hugo ao Protógenes. Tudo isso leva a crer que havia uma amizade duradoura", disse o advogado Alberto Carlos Dias, que defende o professor.

"Ele [delegado Saadi] cuida da ação a partir de certo momento, e estranhamente não consegue dizer nada de concreto sobre esta ação agora em exame. Então, é como se ele estivesse começando a trabalhar a partir deste momento", afirmou Nélio. "[O delegado Saadi] Comportou-se de uma maneira educada, mas não sabe nada sobre a Satiagraha. Absolutamente nada", concluiu.

Tanto Machado quanto Dias reiteraram o pedido de quebra de sigilo telefônico dos delegados Protógenes e Vitor Hugo, também da PF. Machado afirmou ainda que solicitou à Justiça os números dos celulares dos dois delegados.

Acusação

Para o procurador Rodrigo de Grandis --que evitou comentar a estratégia de defesa dos acusados-- os depoimentos de hoje não acrescentaram nada de novo às investigações. "Basicamente, [as testemunhas de defesa] falaram sobre antecedentes e sobre a vida pessoal de cada um dos acusados. Não acrescentou, na minha perspectiva pessoal, nada de novo", disse.

De acordo com De Grandis, a partir de agora, as investigações entram em uma "nova fase", onde serão ouvidas as testemunhas "de fora de São Paulo e do exterior". "As provas estão bem consolidadas. O Ministério Público tem convicção de que a acusação está robustecida pelas provas produzidas. Está fortificada. Nós vamos aguardar depoimentos das outras testemunhas", afirmou.

Braz, Chicaroni e Dantas também acompanham o depoimento das quatro testemunhas, mas saíram sem dar declarações à imprensa. Os réus chegaram por volta das 9h30 à audiência, e os depoimentos foram concluídos por volta das 17 h.

Mais cedo, o advogado do banqueiro criticou o decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva normatizando as ações da PF. "Se fez decreto, é porque antes não havia normatização adequada. O decreto é ilegal e inconstitucional, porque a ação apuratória compete com exclusividade, pela lei e pela constituição da República, à PF."

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Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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