Defesa de Dantas e Chicaroni tenta desqualificar investigações da Satiagraha
MARINA NOVAES
colaboração para a Folha Online
Os advogados de defesa do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, e do professor Hugo Chicaroni --que respondem a processo com Humberto Braz por corrupção ativa por suposta tentativa de suborno de um delegado da Polícia Federal-- tentaram desqualificar nesta sexta-feira as investigações da PF na Operação Satiagraha.
As declarações ocorreram hoje, logo depois que o juiz federal Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, ouviu quatro testemunhas de defesa de Chicaroni e de Braz: o delegado da PF Ricardo Saadi --que substituiu Protógenes Queiroz no caso--, o escrivão da PF Amadeu Ranieri; o delegado Adelino Augusto de Andrade Jr.; e o advogado Roberto Jorge Alexandre, amigo de Chicaroni.
Segundo a defesa do professor, os depoimentos de hoje comprovariam que Protógenes usou a amizade "duradoura" que mantinha com Chicaroni para criar o flagrante da tentativa de suborno. Já o advogado Nélio Machado, responsável pela defesa de Dantas, afirmou que Saadi não tem conhecimento suficiente sobre o caso, o que o desqualificaria para comandar as investigações.
"Foi confirmado pelo Dr. Lino [Adelino Augusto de Andrade Jr, delegado da PF] que havia uma relação de amizade sim entre o Protógenes Queiroz e o Hugo Chicaroni. Além disso, outro advogado que depôs que fora apresentado pelo Hugo ao Protógenes. Tudo isso leva a crer que havia uma amizade duradoura", disse o advogado Alberto Carlos Dias, que defende o professor.
"Ele [delegado Saadi] cuida da ação a partir de certo momento, e estranhamente não consegue dizer nada de concreto sobre esta ação agora em exame. Então, é como se ele estivesse começando a trabalhar a partir deste momento", afirmou Nélio. "[O delegado Saadi] Comportou-se de uma maneira educada, mas não sabe nada sobre a Satiagraha. Absolutamente nada", concluiu.
Tanto Machado quanto Dias reiteraram o pedido de quebra de sigilo telefônico dos delegados Protógenes e Vitor Hugo, também da PF. Machado afirmou ainda que solicitou à Justiça os números dos celulares dos dois delegados.
Acusação
Para o procurador Rodrigo de Grandis --que evitou comentar a estratégia de defesa dos acusados-- os depoimentos de hoje não acrescentaram nada de novo às investigações. "Basicamente, [as testemunhas de defesa] falaram sobre antecedentes e sobre a vida pessoal de cada um dos acusados. Não acrescentou, na minha perspectiva pessoal, nada de novo", disse.
De acordo com De Grandis, a partir de agora, as investigações entram em uma "nova fase", onde serão ouvidas as testemunhas "de fora de São Paulo e do exterior". "As provas estão bem consolidadas. O Ministério Público tem convicção de que a acusação está robustecida pelas provas produzidas. Está fortificada. Nós vamos aguardar depoimentos das outras testemunhas", afirmou.
Braz, Chicaroni e Dantas também acompanham o depoimento das quatro testemunhas, mas saíram sem dar declarações à imprensa. Os réus chegaram por volta das 9h30 à audiência, e os depoimentos foram concluídos por volta das 17 h.
Mais cedo, o advogado do banqueiro criticou o decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva normatizando as ações da PF. "Se fez decreto, é porque antes não havia normatização adequada. O decreto é ilegal e inconstitucional, porque a ação apuratória compete com exclusividade, pela lei e pela constituição da República, à PF."
Entenda
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Quando um advogado atrasa a anuidade ele é prontamente suspenso e até expulso se fizer isto por tres vezes, porém, advogdos como estes que atentam contra a dinignidade da justiça, em flragrant edesrespeito a lei nada acontece. Com a palavra a OAB Federal e a seção Paulista, estamos esperando.
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