Publicidade

Publicidade
Brasil
26/08/2008 - 12h56

Para Sarney, punição a torturadores da ditadura deve ser esquecida

Publicidade

THIAGO FARIA
colaboração para a Folha Online

Após afirmar que desconhecia os casos de tortura no Brasil durante o período da ditadura militar, o ex-presidente José Sarney afirmou nesta terça-feira, durante sabatina da Folha, que o assunto da punição aos torturadores da época deve ser esquecido. Para Sarney, a própria anistia representa este processo de esquecimento.

"Não tinha conhecimento nenhum [das torturas], pois estava no Maranhão, era governador do Maranhão [...]. O que posso dizer é que quando cheguei no Congresso é que formamos um grupo para lutar para que o processo se abrisse", contou o ex-presidente.

Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem
Para Sarney, a própria anistia representa este processo de esquecimento da ditadura
Para Sarney, a própria anistia representa este processo de esquecimento da ditadura

Segundo ele, a Lei da Anistia foi negociada e, por este motivo, foi bastante abrangente, não deixando margens para que precise ser revista nos dias atuais. "Nós fizemos uma anistia consensuada. Foi negociada. Não foi uma concessão", afirmou.

"Não há razão para que devemos renascer com o assunto. Evidente que isso não cura quem foi torturado. Mas o processo político da anistia fez parte da transição", disse Sarney, rechaçando a revisão da lei.

A sabatina acontece no Teatro Folha (shopping Pátio Higienópolis, av. Higienópolis, 618, 2º piso, São Paulo). Colunista da Folha, Sarney é o quinto entrevistado no ciclo de sabatinas do jornal neste ano.

Durante duas horas, o ex-presidente responde a perguntas dos entrevistadores e da platéia. Sarney é sabatinado pelos colunistas da Folha Clóvis Rossi e Mônica Bergamo, pelo editor de Brasil, Fernando de Barros e Silva, e pela editora do "Painel", Renata Lo Prete, e também responde a perguntas da platéia.

Deputado federal pelo Maranhão em 1956-1957 e 1959-1966, Sarney elegeu-se em 1965 ao governo do seu Estado. Em 71, assumiu uma vaga no Senado, de onde saiu em 85 para ser presidente. Após deixar a Presidência, Sarney voltou ao Senado, agora eleito (e reeleito duas
vezes) pelo PMDB do Amapá.

Outros sabatinados

Desde 2005, a Folha já promoveu 33 sabatinas, nas quais foram entrevistadas personalidades como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente José Alencar, o governador José Serra, o ator Paulo Autran (morto no ano passado), o escritor indiano Salman Rushdie e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Este ano, antes de Sarney, foram sabatinados o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, o ministro da Educação, Fernando Haddad, o deputado federal (PSB-CE) Ciro Gomes e o psicanalista Contardo Calligaris.

Comentários dos leitores
Henrique Silva (72) 22/09/2009 23h42
Henrique Silva (72) 22/09/2009 23h42
Só faltava essa! FHC critica relação "imperialista" entre planalto e congresso. Oras! quem inventou a política do ROLO COMPRESSOR? (o próprio FHC). sem opinião
avalie fechar
walysbalde santos (1) 22/09/2009 09h21
walysbalde santos (1) 22/09/2009 09h21
hoje em dia ate jornal do metro de graca as pessoa nao ler, enfim quando a noticia chega as banca ja esta velha, imprensa escrita esta com os dias contado,o radio da a noticia fresca o jornal vai sair amanha... sem opinião
avalie fechar
Guilherme Prado (1) 22/09/2009 08h33
Guilherme Prado (1) 22/09/2009 08h33
Na verdade enquanto o jornalismo brasileiro possuir essa visão retrógrada como a apresentada na sabatina, a imporensa escrita no país não tem outro futuro se não a extinção...
Isso ocorre por vários motivos, mas o principal está no fato de que estas empresas não são administradas por pessoas que entendem do assunto, não são nem de perto especialistas em comunicação, não entendem as particulariedades deste ramo, e para tanto a administram como uma empresa qualquer.
A imprensa escrita brasileira continua tentando concorrer com a internet, e na frase "sobreviver à internet" isso ficou bem claro.
O diploma no jornalismo se mostra necessário nesses casos, mais do que alguém que escreve a matéria para um jornal, o jornalista diplomado, é a pessoa que entende o processo, entende o sistema e como ele se comporta.
1 opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (194)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca