Manifestantes fecham rodovia em protesto pela demarcação contínua de reserva
da Agência Brasil
da Folha Online
Integrantes de movimentos indígenas, do MST (Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) protestam nesta terça-feira pela demarcação contínua da reserva indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima, e pela ocupação de uma fazenda às margens da BR-174. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, cerca de 500 pessoas fecharam a rodovia por mais de duas horas.
Amanhã, o STF (Supremo Tribunal Federal) vai julgar a legalidade da demarcação, questionada por produtores de arroz e agricultores que vivem na área. A previsão é que o julgamento dure dois dias.
O voto do relator, ministro Carlos Ayres Britto --o primeiro a ser revelado entre os ministros da Corte-- terá 108 páginas, com os posicionamentos distintos recebidos ao longo da análise da causa nos últimos meses.
Além de defender a demarcação da reserva, os manifestantes aproveitaram o bloqueio para pedir a posse de uma fazenda na beira da rodovia, ocupada há oito dias por cerca de 200 famílias.
"Os trabalhadores sem terra e os sem teto passam pela mesma situação que a gente, assim como eles sentem na pele o sofrimento de não ter sua casa, não ter sua terra, nós também estamos sofrendo para ficar na nossa terra", afirmou a coordenadora do CIR (Conselho Indígena de Roraima), Marizete de Souza, da etnia Macuxi.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal, a manifestação foi pacífica e apenas uma pessoa foi detida após furar o bloqueio e invadir a pista onde estavam os manifestantes.
De acordo com Marizete, amanhã um grupo de indígenas se reunirá no centro de Boa Vista (RR) para acompanhar o julgamento do STF. "Estamos todos confiantes na decisão do Supremo, que eles [ministros] respeitem os nossos direitos, que estão amparados na Constituição Federal".
A líder indígena negou que os índios favoráveis a manutenção da demarcação contínua estejam preparando alguma resistência violenta caso o STF decida pelo contrário, mas não descartou a possibilidade de conflito com os produtores de arroz.
"Para nós, o clima está pacifico, mas ninguém sabe o que eles [agricultores] estão programando, o que eles estão preparando".
Conflito
Índios do Distrito de Surumu, dentro da reserva, estão preocupados com a possibilidade de conflito com produtores de arroz e outros agricultores brancos que vivem na área, dependendo da decisão do STF.
"Tem muita gente estranha por lá esses dias, que fica rondando a aldeia, às vezes de moto, outras de carro. A gente sabe que são jagunços", disse o tuxaua (cacique) Severino, da etnia Macuxi.
A Polícia Federal confirmou a convocação de contingente para reforçar o monitoramento da região nos próximos dias. Homens da Força Nacional de Segurança também estão na região desde abril.
Ontem, um grupo de 50 agentes chegou a Boa Vista e será deslocado para a reserva, cerca de 200 quilômetros da capital, para garantir reforço durante o julgamento e conter possíveis conflitos entre indígenas e produtores de arroz após a decisão do STF.
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