Carminha usava milícia para coagir eleitores e financiar campanha, diz PF
LUISA BELCHIOR
ANDRÉ ZAHAR
colaboração para a Folha Online, no Rio
A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira a candidata a vereadora do Rio Carminha Jerominho (PT do B) e mais dez pessoas na Operação Voto Limpo. De acordo com a PF, a campanha de Carminha teria sido financiada por atividades ilegais da milícia Liga da Justiça, apontada como o principal grupo miliciano do Rio.
Os milicianos, entre eles policiais, estavam forçando moradores da zona oeste da cidade a votar e fazer campanha pela candidata, segundo o superintendente da PF no Rio, Valdinho Caetano.
Carminha é filha do vereador Jerônimo Guimarães, o Jerominho (PMDB) e sobrinha do deputado estadual Natalino Guimarães (sem partido), que estão presos sob acusação de chefiar a Liga da Justiça.
Ela foi detida nesta manhã em casa, em Campo Grande (zona oeste do Rio), durante a Operação Voto Limpo da PF, montada para prender ainda outras 21 pessoas --entre elas, 13 policiais militares.
De acordo com o Ministério Público Eleitoral, Carminha Jerominho e o irmão Luciano Guenancio, foragido da Justiça, assumiram o comando da quadrilha após a prisão de Jerominho e Natalino.
Dos 11 pessoas, seis são policiais militares. Os policiais foram presos pela Polícia Militar em casa e no serviço nesta manhã.
Perseguição a moradores
Em investigação feita nos últimos 90 dias, a PF afirma ter comprovado que Carminha usava da estrutura da milícia em sua campanha e que moradores que se negavam a fazer campanha pela candidata foram hostilizados, expulsos e vítimas de atentados, segundo o superintendente da PF.
"Em algumas ocasiões, verificamos que cidadãos foram obrigados a sair de suas residências por não concordarem em apoiar essa candidata [Carminha]", disse Valdinho Caetano. "Também constatamos duas tentativas de homicídio a pessoas que não concordaram em ceder espaço para colocação de propaganda eleitoral da candidata."
As investigações também constataram que os milicianos aumentaram o preço do gás vendido em comunidades da zona oeste --uma das supostas atividades ilegais que financiam a milícia-- para gerar recursos para a campanha de Carminha. O aumento, segundo Caetano, foi de R$ 21 para R$ 32 por botijão.
Além de Carminha, já foram presos Guilherme Berardinelli, Fábio Pereira de Oliveira, Carlos Henrique Garcia Ramos, Luciano Sabino da Silva e os policiais militares Toni Angelo Aguiar, Júlio Cesar Ferraz, Ricardo Carvalho Santos, Alonso dos Santos, Flávio Mendes Augusto e Moisés Pereira Maia Júnior.
Oito dos presos foram indiciados pelos crimes de formação de quadrilha e de coação eleitoral e tentativa de homicídio. Apenas Guilherme Berardinelli e Luciano da Silva não foram enquadrados no crime de tentativa de homicídio. Carminha foi indiciada apenas por formação de quadrilha, segundo o TRE-RJ.
TRE comemora operação
O presidente do TRE (Tribunal Regional Eleitoral), desembargador Roberto Wider, elogiou a operação e disse que a candidatura de Carminha Jerominho pode ser cassada. O TRE expediu os 22 mandados de prisão temporária. "Há crimes eleitorais graves que estão sendo investigados, além de crimes comuns sérios, sempre procurando fraudar o processo eleitoral."
Apesar da ação, Wider afirmou que ainda defende o envio de forças federais para a eleição no Rio. "As forças especiais virão para dar uma garantia a mais."
Duro Golpe
O advogado de Carminha ainda não foi encontrado pela Folha Online para comentar a prisão e as acusações. Na semana passada, a candidata afirmou que sua família está sendo vítima de perseguição política por parte de policiais civis descontentes com a presença deles na zona oeste da cidade.
Entre os 22 pessoas com mandado de prisão na operação Voto Limpo está o irmão de Carminha, Luciano Guimarães, que já era foragido da Justiça do Rio. Ele continua desaparecido.
Jerônimo e natalino Guimarães estão presos no Rio acusados de chefiar a Liga da Justiça. Carminha está na sede da PF no Rio e será transferida ainda nesta sexta-feira para o presídio federal de Catanduvas (PR), de acordo com a PF.
Com a prisão de Carminha, o delegado Valdinho Caetano disse acreditar que a Liga da Justiça "some sem dúvida nenhuma". "É um duro golpe."
Em nota, o Ministério Público destaca a "resposta firme e imediata das instituições" contra a tentativa de formar currais eleitorais.
"Sem esta resposta das instituições a população acuada e ferida pelas práticas violentas de organizações criminosas não terão condições de exercer com liberdade seus direitos nas eleições municipais de 2008, e os demais concorrentes se verão em inaceitável condição de inferioridade", diz o MPE.
A milícia é acusada pela polícia do Rio de controlar atividades ilegais --venda de gás, instalação de TV a cabo clandestina e transporte alternativo irregular-- em favelas e comunidades de baixa renda no Rio. Alguns grupos milicianos, segundo investigações da Polícia Civil, também cobram taxas de segurança a moradores, estabelecem regras nas comunidades e assassinam supostos rivais.
Leia mais
- Operação da PF prende 11; TRE-RJ diz que candidatos poderão ter registro cassado
- PF prende candidata a vereadora durante operação contra crimes eleitorais no Rio
- PT analisa pedido de intervenção em diretório municipal de BH contra aliança com Aécio
- Em SP, campanha de Alckmin pede doações a eleitores pela internet
- Justiça Eleitoral proíbe Crivella de usar imagem do presidente Lula; candidato vai recorrer
- Marta diz que não vai mais levar "pauladas" quieta e sinaliza polarização com Kassab
Livraria da Folha
Especial


avalie fechar
SRES. SENADORES A PERGUNTA É: O QUE VOCES ESTÃO FAZENDO COM A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA ? E ONDE VOCES QUEREM CHEGAR COM TANTOS ABSURDOS ??
avalie fechar
avalie fechar