Minc diz que não há motivos para comemorar queda no desmatamento
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) disse nesta sexta-feira que o governo "não tem o que comemorar" com a queda recorde de 68% no desmatamento da Amazônia em julho, em comparação ao mesmo período do ano passado. Minc disse que, apesar do índice de queda ser o maior registrado na história da pasta, o número total de áreas devastadas no norte do país precisa ser reduzido globalmente.
"Não dá para comemorar porque o desmatamento é muito grande. Foi uma queda recorde, mas insuficiente. Temos que investir com tudo no desenvolvimento sustentável", afirmou.
Minc disse esperar que o índice total de desmatamento em 2008 supere os números do ano passado. A expectativa do ministro é que a área total desmatada no país seja da ordem de 12 mil km2 no final do ano. "Acredito que essa estimativa vai ser um pouco maior que a do ano passado, o que é inaceitável", afirmou.
Em julho, o Inpe (Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais) identificou 323 km2 de áreas devastadas na Amazônia Legal. Em julho do ano passado, as áreas destruídas somavam 1.025 km2. Em relação a junho deste ano, o índice de queda no desmatamento foi de 62%, já que no mês passado foram identificados 870 km2 de áreas destruídas na floresta.
O ministro disse que um dos principais fatores para a queda foi o aumento da fiscalização do Ibama (Instituto Nacional de Meio Ambiente e Recursos Renováveis) na região norte. O governo já arrecadou desde janeiro deste ano R$ 1,079 bilhão em multas aplicadas por irregularidades cometidas na Amazônia Legal. Ao longo de 2007, o valor total arrecadado foi de R$ 1,458 bilhão.
"Nós dobramos a intensidade da fiscalização nas áreas prioritárias, dobrou o potencial de fiscalização da nossa turma, que está botando para quebrar. Os meses que têm mais multas e atos de infração aplicados são os meses em que registramos maiores quedas no desmatamento", afirmou.
Além do aumento na fiscalização, Minc disse que a resolução do Banco Central que bloqueia o crédito rural a produtores que tenham desmatado ilegalmente suas propriedades também contribui para a queda no desmatamento --uma vez que a norma entrou em vigor em julho. Outro fator responsável pela queda, segundo Minc, foi o acordo fechado pelo governo federal com produtores rurais para reduzir a ilegalidade nas terras exploradas na Amazônia.
Visibilidade
Bem-humorado, Minc disse que é "pé-quente" porque, desde que assumiu a pasta, a visibilidade para a captação dos níveis de desmatamento na Amazônia tem sido reduzida. "Historicamente, os meses de junho, julho e agosto são os piores para a visibilidade, com excesso de nuvens. O ano começou muito pior que 2007, mas passamos a ter boa visibilidade. Carlinhos Minc é pé-quente", disse.
O Estado onde houve o maior índice de desmatamento foi o Pará, com 235,6 km2, seguido do Amazonas, com 23,9 km2. Apesar da boa visibilidade, Amapá e Roraima não puderam ser monitorados pelo Inpe de forma adequada por terem alto índice de nuvens, o que dificultou a avaliação do satélite.
A área da Amazônia Legal inclui os Estados do Acre, Amapá, Pará, Amazonas, Mato Grosso, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão, no total de 5.217.423 km2.
Leia mais
- Inpe confirma redução de 60% no desmatamento da Amazônia Legal em julho
- Carlos Minc defende desconstituição da Floresta Nacional de Roraima
- Carlos Minc diz que desmatamento caiu 60% em julho
- Estimativa feita por ONGs indica 76 áreas ameaçadas de desmatamento em MT
- Regularização fundiária é o principal problema da Amazônia, diz Mangabeira Unger
- Lula defende soberania brasileira na Amazônia e diz que país vai começar a "falar grosso
Livraria da Folha
Especial



Assim, não se vai a lugar,algum.
Enquanto o Governo,tratar o assunto, de forma "política, para o Inglês, ver",não passaremos do desmatamento desordenado, e exploração dos recursos,concentração de rendas, etc...,ficará por aí.
A Amazônia e seu processo de desmatamento,requer, a meu ver, a constituição de uma COMISSÃO de notáveis, nas areas de infraestrutura,energia,agricultura,recursos naturais,engenharia de obras,e desenvolvimento sustentável,urbanismo e implantação de cidades e PESSOAS.
Estes, selecionados , reunidos e remunerados, para tal, elaborariam um PROJETO COMPLETO, incluindo o Gerenciamento do mesmo - um plano Marshall Tupiniquim - para Desenvolvimento, da região de abrangência, integrado, a fim de ocupação racional, autosustentável e harmonico.
" FOCO e Desenvolvimento TOTAL "
Teriamos aí, sim o maior PAC , do MUNDO , por 20 anos, futuros.
Até que poderia ocorrer,por osmose, o envolvimento
dos países vizinhos, que margeiam o rio Amazonas.
Dinheiro, pelo visto, não FALTA.Basta organizar e mandar " BALA ".
Aposto neste MEGA PROJETO, como Vitorioso.
avalie fechar
Existem diversas areas desmatadas que agora estão com pastagem degradada.
Grande parte dos ruralistas querem mesmo é vender madeira e lucrar muito. Depois vendem a terra aos pequenos produtores rurais (isto aconteceu e acontece em todo o Brasil).
Outra coisa, se o solo da amazonia não mudou, quando desmatarem aquilo-lá, vai tudo virar deserto.
O solo dos EUA e EUROPA é diferente daqui, possui quantidade de argila diferente e capacidade de armazenamento de água diferente, não dá para comparar.
Decisão técnica e não política.
Muitas ONGs são honestas mais que os políticos de plantão.
avalie fechar
avalie fechar