Abin vai investigar grampos no gabinete de Gilmar Mendes
da Folha Online
A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) informou, por meio de nota, que vai investigar as denúncias veiculadas na revista "Veja" desta semana, de que arapongas grampearam os telefones do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes.
De acordo com a reportagem, um servidor da Abin passou as informações à revista, sob a condição de se manter no anonimato. Segundo seu relato, a escuta clandestina feita no gabinete do ministro não é um ato isolado e sim uma rotina. O funcionário relatou que, neste ano, somente no seu setor, já passaram interceptações telefônicas de conversas do chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, e de mais dois ministros que despacham no Palácio do Planalto --Dilma Rousseff, da Casa Civil, e José Múcio, das Relações Institucionais.
No comunicado, a Abin afirmou que será aberta uma sindicância na Corregedoria Geral da agência para investigar o envolvimento de seus servidores. Também será solicitado ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República o acionamento da Procuradoria Geral da República e do Ministério da Justiça para que investiguem e esclareçam os fatos.
A Direção Geral da Abin também reiterou "a confiança funcional da instituição" e o desejo de que as acusações sejam esclarecidas.
Dantas
Os registros a que a revista teve acesso mostram que o senador Demóstenes Torres ligou para o ministro Gilmar Mendes às 18h29 para tratar de um problema relacionado à CPI da Pedofilia. No momento, o presidente do STF não pode atender, mas três minutos depois sua secretária retornou a ligação para o senador. O telefonema foi transferido para o celular do ministro.
A conversa foi rápida. O presidente do Supremo agradeceu a Torres pelo pronunciamento no qual havia criticado o pedido de impeachment protocolado contra ele no Congresso. Na semana anterior, Mendes havia mandado soltar o banqueiro Daniel Dantas, o que provocou, além do pedido de impeachment, uma polêmica entre o STF, Polícia Federal e Ministério Público.
Com isso, a PF e a Abin decidiram "confirmar" que alguma coisa de errada estava se passando no gabinete do ministro e grampearam todos os telefones, segundo a revista.
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