Candidato de Aécio quer atrair descontentes do PT
PABLO SOLANO
da Agência Folha
O candidato do PSB a prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, disse que gostaria que o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) --um dos petistas descontentes com o apoio do PSDB ao candidato-- colaborasse com o plano de governo da aliança PT-PSB.
"Seria até importante ouvi-lo [Patrus Ananias] sobre a experiência que ele teve [como prefeito] para agregarmos as boas idéias ao plano de governo", disse Lacerda à Folha.
Descontente com o acordo entre o prefeito Fernando Pimentel (PT) e o governador Aécio Neves (PSDB), que viabilizou a candidatura de Lacerda, o petista Ananias apóia nos bastidores a principal adversária do PSB, Jô Moraes (PC do B), assim como outros militantes do partido contrários à aliança informal com o PSDB.
A pesquisa Ibope divulgada anteontem aponta que Lacerda, com 40% das intenções de voto, pode vencer no 1º turno. O candidato do PSB avança na conquista dos indecisos e dos que não tinham candidato.
Lacerda, ex-secretário de Desenvolvimento do governo Aécio, disse que não tem a expectativa de conseguir até o final da campanha o apoio dos petistas descontentes, setor que ele considera minoritário no partido. Mas afirmou que, em uma eventual administração sua, os aliados no PT vão atuar para atrair os descontentes, o que, para ele, garantirá ao PSB uma "gestão tranqüila".
"Existe já uma movimentação muito forte visando as eleições internas [do partido] em 2009. Eu não sou do PT e não sei avaliar se essa disputa pela hegemonia no controle partidário vai se refletir em nossa possível administração", disse.
Com espaço no programa eleitoral sete vezes menor que o do adversário, Jô Moraes diz ter dificuldades de encontrar empresários doadores de recursos. Ela aderiu ao movimento suprapartidário Vigília Democrática, que afirma que o acerto entre Aécio e Lacerda impede os demais partidos de formar coligações e captar recursos junto a empresários.
Lacerda diz não ter relação com as dificuldades enfrentadas por sua adversária -que, para ele, tem limitações pela origem política e pela falta de uma base partidária forte.
Além de Ananias, o vice-presidente José Alencar (PRB-MG), apóia a candidata. O PC do B diz contar com a simpatia do secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci (PT-MG).
Lacerda também minimizou a capacidade de ação da Vigília Democrática. "Eu acho que foi um movimento de um dia, não se falou mais nisso."
O candidato --com patrimônio declarado de R$ 55 milhões-- disse que seu "jeitão mineiro de classe média" agrada os eleitores. "Se você analisar o perfil dos prefeitos de BH nos últimos 20 anos, todos têm perfil parecido", afirmou.
A assessoria de imprensa de Patrus Ananias disse à reportagem que, por enquanto, o ministro não vai se manifestar sobre a eleição na capital mineira.
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