Brasil
01/09/2008 - 15h43

Senador grampeado pede demissão de responsáveis por escutas clandestinas

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) cobrou nesta segunda-feira a demissão dos responsáveis pelo grampo da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) que teria monitorado seu gabinete e outras autoridades dos três Poderes, como o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes. Demóstenes disse não acreditar, porém, no envolvimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos grampos ilegais.

"O presidente [Lula] tem que tomar uma decisão dura contra a Abin. Eu não tenho dúvidas de que o presidente não tem participação nisso porque ele não iria mandar grampear seus principais ministros e seus candidatos [à presidência do Senado] no Congresso", afirmou.

Reportagem da revista "Veja" desta semana afirma que as escutas clandestinas teriam sido realizadas pela Abin contra Mendes, Demóstenes, parlamentares do governo e da oposição, além de ministros como Dilma Rousseff (Casa Civil) e José Múcio Monteiro (Relações Institucionais).

A revista publicou diálogo telefônico mantido entre o presidente do STF e o senador da oposição no último dia 15 de julho. Mendes e o senador confirmaram a conversa. Segundo a "Veja", a transcrição da conversa foi obtida das mãos de um agente da Abin --que, por lei, não pode realizar interceptações telefônicas.

Demóstenes mencionou entre os supostos responsáveis pelos grampos o diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, o ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Jorge Félix, além do próprio Ministério da Justiça. "Se for o Ministério da Justiça, tem que ser ele [demitido]. Se for o general Félix, tem que ser ele. Se for o Lacerda, também tem que ser ele. E se forem funcionários que querem o afastamento do Lacerda, têm que ser eles."

O democrata classificou de "canalhice" e "ato bandoleiro" os grampos ilegais supostamente executados pela agência. Demóstenes defende que o Senado e o próprio STF executem varreduras para identificar os grampos clandestinos. "Eu acho que tem que fazer varredura no Senado, no Supremo, mas principalmente no cérebro desses agentes da Abin. Isso foi uma burrice."

O senador vai se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira ao lado do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), e do senador Tião Viana (PT-AC) --que também teria sido grampeado pela Abin. Demóstenes disse que o Congresso deve dar ao presidente "confiança para atuar" neste caso. Do contrário, o parlamentar defendeu que o Legislativo apure as acusações por conta própria. "Se ele [Lula] não atuar, a gente mesmo faz", disse.

Demóstenes defendeu que Lula não demita "bodes expiatórios", mas os realmente responsáveis pelos grampos. "A gente precisa é mesmo enquadrar a Abin. Se o presidente se omitir, ao vamos para cima do presidente", afirmou.

Comentários dos leitores
Monica Rego (187) 01/07/2009 20h00
Monica Rego (187) 01/07/2009 20h00
Demo tucano e a mídia conservadora tudo a ver!!! sem opinião
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Rui Vendramin (1) 01/07/2009 14h25
Rui Vendramin (1) 01/07/2009 14h25
E agora? Será que aquela "revista" semanal, o Senador e o Ministro que afirmaram à Nação que houve diálogo, destes últimos, grampeado, serão chamados a explicar - e comprovar - o que de fato ocorreu? ou aquela "notícia" foi divulgada supostamente apenas para desmoralizar a investigação da PF sobre o Banqueiro condenado? sem opinião
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clara leonor vaz guimaraes (4) 01/07/2009 13h55
clara leonor vaz guimaraes (4) 01/07/2009 13h55
Tudo foi inventado para protreger o Dantas, que socio e amigo do filho do Presidente Lula. O mais assustador é que onde não há uma Justiça acima de qualquer suspeita, não há Democracia. A corrupção tem ser debelada de todas as maneiras para que o país ingresse no primeiro mundo. Todos os cidadões tem que ter os mesmos direitos intependente de raça, cor, religiao e status social. Fim a pouca vergonha e transparencia já. 1 opinião
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