Brasil
01/09/2008 - 19h14

Após grampo no STF, Lula estuda afastar Paulo Lacerda da direção da Abin

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cogita afastar temporariamente do cargo o diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Paulo Lacerda, até que o governo conclua as investigações sobre os grampos telefônicos supostamente realizados pela agência contra autoridades dos três poderes.

Parlamentares que se reuniram com Lula nesta segunda-feira afirmaram que o presidente estuda afastar Lacerda do cargo por algumas semanas com o objetivo de tirá-lo do foco das acusações.

Apesar de Lula ter afirmado que confia na conduta de Lacerda, o presidente se mostrou preocupado com a realização de escutas clandestinas em seu governo. Segundo os parlamentares, o presidente não quer que o seu governo fique marcado como o responsável por grampos ilegais --especialmente devido ao seu histórico na defesa da democracia.

O parlamentares afirmaram que o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) trabalha com três hipóteses para a realização dos grampos sobre autoridades dos três poderes. Na primeira delas, as escutas clandestinas teriam sido realizadas por agentes da própria Abin.

Outra possibilidade seria a execução de grampos por uma empresa privada, contratada com esta finalidade.

O governo não descarta, ainda, que o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, e o megainvestidor Naji Nahas, presos na Operação Satiagraha (da Polícia Federal), tenham realizado os grampos e vazado as acusações com a finalidade de prejudicar a Abin e a PF. Dantas é acusado de ter contratado a empresa Kroll para realizar espionagem durante a venda da Brasil Telecom.

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A expectativa é que Lula anuncie ainda nesta segunda-feira medidas capazes de responder às acusações sobre escutas clandestinas. O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), disse depois de encontrar-se com Lula que o presidente pretende divulgar ações para acalmar a população depois das denúncias de escutas telefônicas realizadas contra uma série de autoridades.

"O presidente não põe a mão no fogo por ninguém. Ele mandou apurar. Na reunião, ele admitiu que essas coisas acontecem, mas não atribuiu a quem", relatou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

Além de Demóstenes e Garibaldi, o senador Tião Viana (PT-AC) também participou do encontro com Lula. Os três parlamentares teriam sido grampeados pela Abin junto com outras autoridades, como o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes.

Os grampos telefônicos ilegais foram denunciados pela revista "Veja", que publicou diálogo telefônico mantido entre o presidente do STF e Demóstenes no último dia 15 de julho. Mendes e o senador confirmaram a conversa.

Segundo a "Veja", a transcrição da conversa foi obtida das mãos de um agente da Abin --que, por lei, não pode realizar interceptações telefônicas. O grampo, de acordo com a revista, foi feito por agentes secretos em associação a investigadores da Polícia Federal.

A PF nega ter feito escuta sem autorização judicial, mas disse que poderá abrir inquérito caso seja comprovado que o diálogo reproduzido pela revista é fruto de grampo ilegal. A Abin abriu investigação interna para apurar o caso.

 

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