Brasil
03/09/2008 - 08h21

Ensino ruim assombra terra da fruticultura no Rio Grande do Norte

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EDUARDO SCOLESE
enviado especial da Folha a Baraúna (RN)

O motorista que chega a Baraúna (RN) é saudado com placas de boas-vindas à "terra da fruticultura" e à "terra do calcário". Em 2008, a cidade agregou outro epíteto, este nada meritório: tornou-se também a terra do mais baixo Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de oitava série.

Baraúna fica no extremo oeste do Rio Grande do Norte, na divisa com o Ceará, a 303 km de Natal. De pronto, o Ideb baixo virou o foco das campanhas.

De um lado, jogando na defesa, o prefeito e candidato à reeleição, Aldivon Nascimento (PR), que criou um comitê gestor para apresentar soluções para o problema. "O Ideb tem sido o principal discurso da oposição, mas esse resultado é fruto de uma política de tempos atrás." De outro, no ataque e com os resultados do Ideb 2007 debaixo do braço, os adversários. A oposição fez relatórios com base na avaliação, que têm sido usados na campanha.

Nos últimos cinco anos, dois prefeitos da cidade foram cassados, e um deles foi condenado a devolver R$ 2,4 milhões aos cofres públicos por irregularidades no uso de recursos para a educação.

Baraúna enfrenta problemas de evasão escolar e de falta de vagas e de estrutura nos colégios. Neste período pré-eleitoral, como é comum nos segundos semestres da cidade, os adolescentes da "terra da fruticultura" exageram nas faltas ou deixam de vez a escola para ajudarem os pais nas plantações de melão e melancia.

Mas o principal entrave à educação local, segundo prefeito, oposição e moradores, são as estradas precárias que ligam as comunidades rurais ao centro da cidade, onde estão os dois únicos colégios com turmas de quinta à oitava série.

"Meus filhos já chegam na escola enfadados. Respiram a poeira dentro do ônibus e depois sofrem com asma, bronquite", afirma Rita da Silva, 45. Seus três filhos, Danilo, 12, Deivid, 15, e Antonia 18, enfrentam uma hora e dez minutos dentro de um ônibus caindo aos pedaços, entre o assentamento Poço Novo e a escola. Para Francisco Macedo, 14, o trajeto é mais complicado. Ele vive numa comunidade a 30 km da cidade. Almoça às 10h40, sobe num pau-de-arara às 11h15 e segue por cinco quilômetros, com 12 colegas, até a sede do assentamento Poço Novo. Lá, troca os bancos de madeira do Chevrolet modelo 1978 pelo banco estofado e quente do mesmo ônibus dos filhos de Rita.

No trajeto, alunos, principalmente meninas, carregam toalhas para proteger o rosto e o cabelo da poeira que entra pelas janelas. Os meninos levam uma camiseta reserva na mochila --e substituem a empoeirada quando desembarcam. "Eles chegam enjoados na escola, com dor de cabeça. Vão sacolejando até lá", afirma a assentada Maria Izelda, 43.

Apesar dos atoleiros, o período de chuvas, de fevereiro a junho, é o preferido dos que vêm da zona rural --a poeira diminui, dizem os adolescentes.

As condições precárias nas estradas jogam contra a qualidade do ensino, admite a secretária de Educação, Núbia Oliveira. Para ela, o resultado do Ideb não reflete a realidade do ensino local, mas serve, ao menos, para "alertar" a todos.

NA INTERNET
http://campanhanoar.folha.blog.uol.com.br
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Comentários dos leitores
Maria Teresa Campos (1) 09/07/2009 11h46
Maria Teresa Campos (1) 09/07/2009 11h46
Não sei quanto ao superfaturamento, mas deixar as crianças nas mãos do estado é covardia, as apostilas da prefietura, trazem conteúdo compatível com as escolas particulares, e investir na educação dos nossos pequenos é tão importante quanto construir novas creches, diria que até muito mais visto que o saber abre portas e oportunidades... Superfaturar não, mas continuar com os istema apostilado sim. sem opinião
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Said Abou Ghaouche Netto (21) 06/07/2009 15h32
Said Abou Ghaouche Netto (21) 06/07/2009 15h32
O prefeito mauricinho de Curitiba diz que Requião quer prejudicá-lo numa eventual disputa ao governo em 2010. Eventual uma ova! O demo-cano já se declara candidato, entre linhas. E a Folha o protege, remetendo os comentários dos leitores ao painel Eleições 2008 ao invés de eleições 2010. Além de se antecipar ao prazo da lei, o demo-cano ainda se passa por coitadinho, vítima do Requião. Pobre povinho paranaense, e paulista também, afinal, ano que vem completa 16 anos de reinado demo-cano em São Paulo. Assim o eleitor vai comparar a gestão deles com a de quem? Com a da Yeda Crucius ou do outro mauricinho, o Cássio Cunha Lima? 2 opiniões
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Jacir Deggerone (8) 05/07/2009 19h41
Jacir Deggerone (8) 05/07/2009 19h41
Caixa dois ....hein!!!!??? Fora prefeito corrupto !!!!! 6 opiniões
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