Brasil
04/09/2008 - 11h31

Nova "lista suja" da AMB inclui mais 37 candidatos

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THIAGO REIS
da Agência Folha

Em uma nova edição da chamada "lista suja", a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) divulgou ontem os nomes dos 37 candidatos a prefeito ou vice que respondem a ações penais ou de improbidade administrativa nas cidades do país onde há possibilidade de segundo turno.

A entidade já havia divulgado listagem dos 15 fichados nas capitais. Com isso, são 52 candidatos processados nos municípios com mais de 200 mil eleitores --mais Palmas e Boa Vista, onde a disputa se encerra em 5 de outubro. As pesquisas foram feitas em 73 cidades. Outras seis ficaram de fora por impossibilidade de checagem, mas serão incluídas em um futuro levantamento.

Entre os novos incluídos estão o ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto (PMDB), que concorre à reeleição em Uberaba (MG), a ex-governadora do Rio Rosinha Garotinho (PMDB), que disputa a Prefeitura de Campos (RJ), e o ex-governador e ex-senador por Goiás Maguito Vilela (PMDB), candidato em Aparecida de Goiânia (GO).

Em 6 de agosto, em julgamento de ação da própria AMB, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que os candidatos que não foram condenados em última instância podem concorrer nas eleições.

Para o secretário-geral da AMB, Paulo Henrique Machado, apesar de o documento não ter efeito jurídico, ele serve como parâmetro para o eleitor julgar o candidato. "Para votar, é preciso ter acesso às informações. O problema é que na hora de o eleitor analisar a vida pregressa do candidato tem dificuldade em saber se ele responde a um processo, mesmo sendo essa uma informação pública. Por isso é feito o trabalho, para tornar mais fácil."

No caso de Adauto, por exemplo, constam da lista quatro ações por improbidade administrativa e uma ação penal referente ao escândalo do mensalão. Maguito responde a dois processos em que é acusado de improbidade administrativa. Já Rosinha é ré em ação de improbidade que corre na 2ª Vara da Fazenda Pública do Rio.

Na lista da AMB também aparecem candidatos da Grande São Paulo, como o postulante a vice-prefeito de São Bernardo do Campo Edinho Montemor (PSB), baleado anteontem quando deixava uma casa de show. Cabeça da chapa, o candidato a prefeito Orlando Morando (PSDB) também figura na listagem, assim como outro candidato da cidade, Aldo dos Santos (PSOL).

Candidato mais uma vez em Mauá, Oswaldo Dias (PT) é outro que está entre os citados. O deputado estadual Celso Giglio (PSDB), que tenta voltar à Prefeitura de Osasco, também responde a uma ação de improbidade administrativa.

Coordenador da campanha Eleições Limpas, Machado diz que o próximo passo é fazer o levantamento nas cidades com mais de 100 mil eleitores.

Segundo ele, no entanto, a entidade continuará a explicar passo-a-passo aos eleitores de cidades menores como fazer a pesquisa quando for feita a solicitação.

Outro lado

O ex-ministro dos Transportes e candidato à reeleição à Prefeitura de Uberaba (MG), Anderson Adauto (PMDB), não quis falar à Folha sobre a inclusão de seu nome na lista. Mas deixaria um comentário no espaço que a AMB disponibiliza aos candidatos no próprio site.

Para o ex-governador de Goiás Maguito Vilela (PMDB), a "lista suja" é um "exagero". Ele é responsabilizado como sócio da mulher num posto de gasolina que fez contrato com a Câmara Municipal. "Ela ganhou pelo menor preço e pela qualidade. Sem prejuízo ao erário."

Igor Tamasauskas, advogado do petista Oswaldo Dias em Mauá (SP), disse ser "um absurdo incluir ações que sequer foram julgadas em primeiro grau". "A AMB está desconsiderando a análise do Judiciário sobre o caso."

O candidato do PSOL à Prefeitura de São Bernardo do Campo, Aldo dos Santos, disse que a ação não procede. "Tentaram me processar porque apoiei uma ação do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto)", disse. Ele apoiou a ocupação de terreno da Volkswagen em 2003, quando era vereador.

Adversário de Aldo, Orlando Morando (PSDB) diz que também ganhou na 1ª instância. "O promotor disse que só podíamos ter quatro assessores e não onze. Eu mantive os quatro, até que o juiz julgou improcedente e liberou os onze". Morando falou pelo vice, Edinho Montemor (PSB), que se recupera do tiro que levou na terça-feira após um comício. "O Edinho é alvo dessa ação e de outras, dos anos 90, que já prescreveram", afirmou.

A ex-governadora e candidata a prefeita de Campos, Rosinha Garotinho (PMDB), e o candidato a prefeito de Osasco Celso Giglio (PSDB) não se manifestaram.

NA INTERNET
www.amb.com.br/
leia a lista completa da AMB

Comentários dos leitores
Infelismente no nosso país mesmo quando o povo quer mudar alguma coisa, é muito difícil,pois, os políticos é quem fazem as leis e eles mesmos as alteram como bem entendem passando por cima da ética e principalmente da democracia. O presidente Michel Temer deveria dar exemplo e defender a opinião do povo, pois é para isso que eles são colocados lá para defender e aprovar o que o povo pede com justiça. Se ele já quer mudar o projeto de lei, querendo defender o seu, procure ao povo se eles o aprovam!! Vamos lutar por uma política sadia que poderá mudar de verdade o futuro de nosso país, governar com o povo e para o povo, e não com suas próprias opiniões!! sem opinião
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Antonio Fouto Dias (2459) 30/09/2009 01h27
Antonio Fouto Dias (2459) 30/09/2009 01h27
Ainda sobre esse projeto de lei popular objetivando limpar do meio político os "fichas-sujas", creio que a imprensa deveria fazer uma cobertura publicando cada etapa do andamento do mesmo, assim como o nome de cada deputado ou senador que apresentem emendas ou se pronunciem contra. sem opinião
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Antonio Fouto Dias (2459) 30/09/2009 01h22
Antonio Fouto Dias (2459) 30/09/2009 01h22
Um milhão e trezentas mil assinaturas(1.300.000) foram colhidas para a apresentação de projeto de lei que cerceia aquele que possui ficha suja em participar como candidato em eleições.
Vejam bem, esse número representa muitas vezes mais de pessoas que comungam com o projeto e que não puderam assinar para maior representatividade; mesmo assim, não há respeito nenhum dos legisladores para com o clamor popular, pois alguns ou muitos já se manifestaram de que irão apresentar emendas, alterando a redação para que o ficha-suja possa participar como candidato, incrível isso, não?
Se a vontade popular é a de que não possa vir a ser candidato, por qual motivo será que esses parlamentares simplesmente não a acatam?
Não dá para escrever o que pensamos a respeito, pelo simples motivo de correr o risco de não ser publicado, mas creio que é de conhecimento público.
sem opinião
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