Brasil
04/09/2008 - 17h23

PSDB apresenta projeto para suspender decreto de Lula e critica "recriação do SNI"

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O PSDB apresentou nesta quinta-feira projeto de decreto legislativo para suspender parte do decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em agosto, que ampliou as competências da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e cria a Sisbin (Sistema Brasileiro de Inteligência). O PSDB chama o Sisbin de "recriação do SNI (Serviço Nacional de Informação)".

O líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (SP), argumenta que o decreto presidencial permite o que a Abin tenha acesso a dados sigilosos de órgãos do governo sem fiscalização do Poder Judiciário ou Ministério Público.

"É, definitivamente, a volta do SNI por decreto. É um fato gravíssimo e o Congresso Nacional não pode permitir que essa arbitrariedade continue em vigor", afirmou.

Segundo o líder, a quebra de sigilo de dados governamentais só pode ocorrer depois de autorização judicial --como previsto pela Constituição. O PSDB sustenta que um ato presidencial não pode estender a órgãos da administração pública o acesso a dados mantidos em sigilo por outros entes públicos.

O projeto do PSDB será protocolado na Mesa Diretora da Câmara na próxima semana.

O decreto ampliou os poderes da Abin, criando um novo departamento de investigação dentro da agência para compartilhar informações armazenadas em bancos de dados de outros órgãos públicos --entre eles a Polícia Federal, a Receita Federal, o Banco Central e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

O PPS protocolou nesta quarta-feira uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) contra o decreto assinado pelo presidente Lula. Além da Abin ter acesso a dados de outros órgãos e ministérios, esses também poderão receber informações sigilosas do Sistema Brasileiro de Inteligência --o que inclui a Abin.

O presidente do PPS, Roberto Freire (PE), afirma que o decreto permite que funcionários trabalhem para a Abin, mas formalmente sejam ligados aos ministérios da Justiça, da Defesa, das Relações Exteriores e da Fazenda por meio de órgãos como Polícia Federal, Receita Federal e os centros de inteligência do Exército, Marinha e Aeronáutica.

Segundo o PPS, o decreto viola os direitos de intimidade e de sigilo de dados, além do devido processo legal, exatamente porque esses servidores têm acesso às bases de dados dos seus órgãos de vínculo formal.

Para o partido, o acesso abre a oportunidade de se promover "uma verdadeira devassa na vida de qualquer cidadão, ao completo arrepio dos direitos individuais".

Comentários dos leitores
Mael Nogueira (49) 07/08/2009 12h00
Mael Nogueira (49) 07/08/2009 12h00
Sobre a matéria:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u606408.shtml
Está na hora da OEA intervir no SENADO e enviar observadores internacionais, caso contrário, o SENADO brasileiro entrará numa crise sem precedentes e isso poderá desestabilizar a democracia no país e a OEA deve obrigar a colocar os Senadores para trabalhar e votar os projetos encalhados e acabar de vez com a ganância pelo poder e cuidar dos seus proprios interesses e de seus partidos políticos.
O SENADO está sendo uma vergonha para o Brasil, parem com esta guerra e coloque a pauta de votação em dia!!!
sem opinião
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Monica Rego (221) 01/07/2009 20h00
Monica Rego (221) 01/07/2009 20h00
Demo tucano e a mídia conservadora tudo a ver!!! 2 opiniões
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Rui Vendramin (1) 01/07/2009 14h25
Rui Vendramin (1) 01/07/2009 14h25
E agora? Será que aquela "revista" semanal, o Senador e o Ministro que afirmaram à Nação que houve diálogo, destes últimos, grampeado, serão chamados a explicar - e comprovar - o que de fato ocorreu? ou aquela "notícia" foi divulgada supostamente apenas para desmoralizar a investigação da PF sobre o Banqueiro condenado? 3 opiniões
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